
Zimbabwe Mobiliza US$ 66,8 Milhões Para Modernizar Nó Estratégico Entre Copperbelt E Portos Da África Austral
Os Correios da África do Sul (SAPO) perderam 9,2 mil milhões de rands em valor accionista em três anos e enfrentam agora a Financiamento abre caminho à modernização de Chirundu, na fronteira entre Zimbabwe e Zâmbia, por onde circulam cobre, cobalto e outras mercadorias. A passagem não liga directamente o Copperbelt a Beira, mas permite à carga entrar no Zimbabwe, a partir de onde o corredor moçambicano constitui uma das alternativas de acesso ao Í.
- Governo do Zimbabwe e parceiros privados asseguraram financiamento para modernizar Chirundu, projecto anteriormente estimado em US$66,8 milhões;
- Chirundu liga a Zâmbia ao Zimbabwe e integra o Corredor Norte-Sul, utilizado para movimentar carga entre o Copperbelt e diferentes portos da África Austral;
- Carga que entra no Zimbabwe através de Chirundu pode seguir para diferentes saídas marítimas, incluindo Beira, através das ligações entre Zimbabwe e Moçambique;
- Modernização reduz constrangimentos fronteiriços num mercado em que Beira, Durban, Dar es Salaam e Walvis Bay competem pela mesma carga;
O Zimbabwe assegurou financiamento para modernizar a fronteira de Chirundu com a Zâmbia, abrindo caminho às obras num dos principais pontos de passagem utilizados na circulação de cobre, cobalto, combustíveis e outras mercadorias entre o Copperbelt e os mercados e portos da África Austral.
O acordo entre o Governo do Zimbabwe e os seus parceiros privados, reunidos no Chirundu Border Consortium, permite avançar para a construção, anunciou o Ministério dos Transportes e Desenvolvimento de Infra-estruturas.
O valor final do financiamento não foi divulgado. O Governo tinha anteriormente estimado o projecto em US$ 66,8 milhões, a executar através de uma parceria público-privada e operada por investidores privados durante 20 anos, ao abrigo de uma concessão. Zimbabwe secures funds for key …
A Safaga International lidera o projecto, depois de ter conduzido a modernização da fronteira de Beitbridge, entre Zimbabwe e África do Sul, avaliada em US$ 300 milhões. O Strategic Partners Group, da África do Sul, participa como investidor estratégico, enquanto o Standard Bank assume as funções de principal estruturador da dívida e financiador sénior. Zimbabwe secures funds for key …
Chirundu Liga Zâmbia Ao Zimbabwe No Corredor Norte-Sul
Chirundu está localizada na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe e foi inaugurada, em 2009, como o primeiro posto fronteiriço de paragem única de África.
A passagem integra o Corredor Norte-Sul e movimenta carga entre o Copperbelt da Zâmbia e República Democrática do Congo (RDC) e os portos da África Austral, incluindo os da África do Sul e de Moçambique.
Cobre, cobalto, combustíveis, equipamento mineiro, reagentes, fertilizantes e outros produtos atravessam Chirundu, onde os transportadores enfrentam congestionamentos e longos períodos de espera.
O projecto prevê renovar as infra-estruturas existentes e introduzir sistemas operacionais e de processamento destinados a reduzir os atrasos e o congestionamento num dos pontos de trânsito mais movimentados da região.
Menores tempos de passagem fronteiriça reduzem a imobilização de camiões e mercadorias e melhoram a previsibilidade das operações de transporte. Para as empresas mineiras e logísticas, esses custos integram a avaliação das diferentes rotas disponíveis para transportar a produção até aos mercados internacionais.
Beira É Uma Das Saídas Possíveis Depois De Chirundu
A relação entre Chirundu e Beira ocorre através da rede logística que atravessa o Zimbabwe.
Chirundu não constitui uma ligação directa entre o Copperbelt e o Porto da Beira. A passagem permite à carga proveniente da Zâmbia entrar no Zimbabwe. A partir do território zimbabweano, os operadores podem utilizar diferentes rotas e saídas marítimas, entre elas as ligações ao Corredor da Beira, em Moçambique.
A cadeia logística pode, portanto, assumir o percurso Copperbelt–Zâmbia–Chirundu–Zimbabwe–Moçambique–Beira, dependendo da rota seleccionada pelo operador e do destino da mercadoria.
A Reuters identifica expressamente Chirundu como uma passagem do Corredor Norte-Sul que movimenta carga entre os portos da África do Sul e Moçambique e o Copperbelt da Zâmbia e RDC.
A modernização da fronteira pode reduzir um dos custos de fricção dessa cadeia — o tempo necessário para atravessar da Zâmbia para o Zimbabwe — mas não determina que a carga seja posteriormente encaminhada para Beira.
A escolha do porto resulta do custo e desempenho da viagem completa: distância, transporte rodoviário ou ferroviário, tarifas, tempos nas fronteiras, disponibilidade de equipamento, capacidade do corredor, produtividade portuária e regularidade dos serviços.
Beira Já Participa Nos Fluxos Do Copperbelt
A posição de Moçambique não decorre apenas da proximidade geográfica. O Corredor da Beira já é utilizado para movimentar carga entre o interior da África Austral e o Oceano Índico.
Dados do Banco Mundial utilizados na análise regional dos corredores mostram Beira entre as saídas utilizadas para fluxos de cobre provenientes da região do Copperbelt, embora com participação inferior às rotas dominantes através de Durban e Dar es Salaam.
O porto moçambicano também funciona no sentido inverso, recebendo produtos e matérias-primas utilizados pela actividade mineira do interior.
Esta circulação nos dois sentidos aumenta a importância económica da eficiência de toda a cadeia que liga o porto às economias sem acesso directo ao mar.
Chirundu Procura Reduzir Atrasos Na Fronteira
Os congestionamentos constituem um dos problemas identificados pelo Governo do Zimbabwe na operação de Chirundu.
O Ministério dos Transportes e Desenvolvimento de Infra-estruturas refere que a modernização deverá introduzir sistemas operacionais e de processamento mais avançados para reduzir atrasos e congestionamentos.
O impacto económico não se limita ao tempo passado na fronteira. Um camião imobilizado aumenta custos de combustível, pessoal e utilização do equipamento, reduz o número de viagens possíveis e prolonga o período durante o qual a mercadoria permanece em trânsito.
Para cargas de grande volume, como cobre, cobalto, combustíveis, fertilizantes e reagentes industriais, diferenças acumuladas ao longo de milhares de movimentos anuais influenciam o custo logístico do corredor.
US$ 66,8 Milhões Com Capital Privado E Concessão De 20 Anos
O modelo escolhido pelo Zimbabwe atribui ao sector privado uma participação directa no financiamento e operação da infra-estrutura.
O Governo não divulgou o montante final do acordo agora alcançado, mas o Conselho de Ministros tinha anteriormente fixado em US$ 66,8 milhões o custo estimado do projecto, com uma concessão de 20 anos aos investidores privados. Zimbabwe secures funds for key …
A Safaga International chega a Chirundu depois da modernização de Beitbridge, principal passagem fronteiriça entre Zimbabwe e África do Sul. O investimento nessa infra-estrutura atingiu aproximadamente US$ 300 milhões, segundo a Reuters.
A participação do Standard Bank como principal estruturador da dívida e financiador sénior coloca uma instituição financeira regional no centro da mobilização do capital necessário ao projecto.
Beira, Durban E Dar Es Salaam Disputam Carga Do Interior
A produção mineira da Zâmbia e RDC dispõe de diferentes possibilidades para chegar ao mar.
As rotas para sul permitem acesso aos portos sul-africanos; as ligações orientais conduzem a Dar es Salaam e aos portos moçambicanos; e investimentos recentes no Corredor do Lobito procuram aumentar a utilização da saída atlântica através de Angola.
Beira beneficia da sua ligação histórica ao Zimbabwe e da possibilidade de servir mercados situados para além das fronteiras zimbabweanas. A modernização de Chirundu pode melhorar a circulação da carga que entra no Zimbabwe proveniente da Zâmbia, incluindo a parcela que posteriormente seja encaminhada para Moçambique.
Mas ganhos em Chirundu não se traduzem automaticamente em mais carga para Beira. A competitividade do corredor moçambicano continuará dependente do desempenho das restantes componentes da cadeia, incluindo transporte no Zimbabwe, ligações transfronteiriças com Moçambique, capacidade ferroviária e rodoviária, custos logísticos e eficiência das operações portuárias.
Cobre E Cobalto Aumentam Valor Económico Das Rotas
Cobre e cobalto estão entre as principais mercadorias que atravessam Chirundu, juntamente com combustíveis, equipamento mineiro, reagentes e fertilizantes.
A importância crescente destes minerais para redes eléctricas, armazenamento de energia, veículos eléctricos e outras tecnologias está a aumentar o valor económico das infra-estruturas utilizadas para transportar a produção do interior africano até aos portos.
Chirundu representa uma dessas infra-estruturas. Beira representa uma das possíveis saídas marítimas da rede regional à qual a fronteira está ligada.
A modernização do posto zimbabweano poderá tornar mais eficiente a entrada de carga da Zâmbia no Zimbabwe. A parcela que Moçambique conseguirá captar dependerá, depois de Chirundu, da competitividade do Corredor da Beira perante as restantes alternativas disponíveis aos produtores e operadores logísticos do Copperbelt.
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