Rovuma LNG Entra na Recta da FID Com US$ 1,1 Mil Milhões Já Comprometidos

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ExxonMobil confirma progressos decisivos após encontro com Daniel Chapo em Nova Iorque. Projecto de 18,6 milhões de toneladas anuais avança com empreiteiros seleccionados, contratos antecipados e expectativa de decisão final de investimento ainda em 2026.

Questões-Chave:

  • ExxonMobil afirma estar “muito perto” de tomar a Decisão Final de Investimento do Rovuma LNG;
  • Cerca de US$ 1,1 mil milhões em contratos pré-investimento foram já atribuídos para equipamentos e actividades preparatórias;
  • Fase 1 prevê capacidade de produção de 18,6 milhões de toneladas de LNG por ano e início das operações em 2031;
  • Projecto deverá gerar cerca de US$ 6 mil milhões em actividade económica local e oportunidades para aproximadamente 7.500 moçambicanos durante a construção, segundo a ExxonMobil;
  • Conteúdo local, qualificação de mão-de-obra e capacidade de execução passam a determinar a dimensão dos ganhos que permanecerão na economia nacional.

O Rovuma LNG aproxima-se da sua Decisão Final de Investimento (FID) num momento em que os principais elementos técnicos e contratuais do projecto começam a sair da fase de preparação para uma configuração próxima da execução.

A ExxonMobil transmitiu essa indicação esta semana, em Nova Iorque, após um encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e Dan Ammann, Vice-Presidente da ExxonMobil Corporation e Presidente da ExxonMobil Upstream.

A Directora-Geral da ExxonMobil Moçambique, Johanna Boothey, afirmou que o projecto progrediu significativamente nos últimos meses e que os parceiros estão “muito perto” de poder tomar a decisão final de investimento.

O encontro acontece depois de uma sequência de decisões operacionais que reforçam a percepção de que a preparação do projecto ganhou velocidade. Em Agosto, os parceiros da Área 4 atribuíram aproximadamente US$ 1,1 mil milhões em contratos pré-investimento, destinados a equipamentos upstream de longo prazo e actividades iniciais associadas ao desenvolvimento da Fase 1.

A ExxonMobil continua a apontar para uma FID em 2026.

Contratos Antecipam A Fase De Execução

Os passos dados desde Agosto mostram que a preparação industrial já ultrapassou a engenharia conceptual.

Para as instalações de liquefacção em terra, os parceiros seleccionaram a joint venture SMDC, formada pela Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation.

O desenvolvimento onshore deverá integrar 12 módulos de liquefacção, com capacidade combinada de 18,6 milhões de toneladas de LNG por ano. A ExxonMobil prevê o início da produção em 2031.

Em Setembro, foi igualmente seleccionado o consórcio Saipem–Jan De Nul para os trabalhos de engenharia, aquisição, construção e instalação do segmento upstream. O desenvolvimento offshore prevê 18 poços submarinos, ligados através de uma rede de condutas e manifolds às instalações de liquefacção em terra.

Os contratos definitivos continuam sujeitos à FID e às aprovações governamentais e regulatórias. A arquitectura contratual já montada reduz, contudo, o intervalo entre uma eventual aprovação do investimento e o início efectivo das principais actividades de construção.

Conteúdo Local Passa Da Expectativa À Capacidade De Execução

O avanço do Rovuma LNG desloca igualmente o debate económico para a capacidade das empresas nacionais de captarem contratos, desenvolverem competências e integrarem as cadeias de fornecimento do projecto.

Esse tema ocupou parte da conversa entre Daniel Chapo e a liderança da ExxonMobil em Nova Iorque. Segundo a Presidência da República, foram abordados conteúdo local, criação de emprego e desenvolvimento de capacidades, com o objectivo de aumentar a participação de empresas e trabalhadores moçambicanos.

Algumas adjudicações já traduzem esta orientação. A ExxonMobil anunciou este mês contratos para serviços de base logística em Pemba atribuídos à CFML Logistic, S.A. e à Alistair Group Mozambique, Lda., no quadro da campanha de perfuração e das operações offshore da Área 4.

Segundo estimativas divulgadas pela própria ExxonMobil, o projecto poderá gerar aproximadamente US$ 6 mil milhões em actividade económica em Moçambique e criar oportunidades para cerca de 7.500 moçambicanos durante a fase de construção, além de aproximadamente 700 postos durante a operação.

A dimensão do investimento cria, por isso, uma janela relevante para logística, construção, engenharia, manutenção, serviços profissionais, alimentação, alojamento, transporte, formação técnica e fornecimento industrial.

A captura desse valor dependerá da capacidade financeira das empresas nacionais, certificações, qualidade, escala de produção, cumprimento de padrões internacionais e acesso antecipado aos processos de procurement.

Um Projecto Com Peso Macroeconómico

A escala do Rovuma LNG coloca o projecto entre os investimentos privados com maior potencial de alterar a estrutura económica de Moçambique.

A ExxonMobil estima que as receitas acumuladas para o Estado possam ultrapassar US$ 150 mil milhões ao longo de 30 anos de operação, excluindo a participação da ENH. A empresa refere igualmente um estudo macroeconómico do Standard Bank segundo o qual o projecto poderá acrescentar aproximadamente US$ 11 mil milhões por ano ao PIB, quando plenamente operacional. Estes valores representam projecções e dependerão da execução, produção, preços internacionais, estrutura fiscal e restantes condições económicas do empreendimento.

A materialização desses efeitos ocorre num contexto em que a economia moçambicana continua a enfrentar crescimento moderado, limitações fiscais e uma dívida pública considerada insustentável numa análise conjunta do FMI e Banco Mundial. Os atrasos anteriores nos grandes projectos de gás reduziram parte das receitas e exportações que se esperava começassem a reforçar as contas externas e públicas.

Uma FID positiva teria, por isso, efeitos anteriores ao início da exportação de LNG: activação de obras, contratação de serviços, importação de equipamentos, investimento logístico, criação de emprego, procura de formação e entrada progressiva de fornecedores.

Mercado Global Reforça Valor Da Diversificação

A aproximação da FID ocorre igualmente num momento favorável ao argumento estratégico do LNG moçambicano.

O conflito no Médio Oriente e as perturbações nas exportações através do Golfo aumentaram a preocupação dos compradores com segurança energética e diversificação geográfica das fontes de abastecimento.

Executivos e compradores internacionais estão a procurar fornecedores e rotas alternativas, ampliando a atenção sobre projectos fora dos grandes centros tradicionais de produção. A Reuters identificou explicitamente a África Oriental entre as regiões que podem beneficiar desta procura por maior diversificação, incluindo os projectos de Moçambique e Tanzânia.

A ExxonMobil mantém igualmente uma perspectiva de forte crescimento da procura mundial de LNG até 2050, com particular expectativa sobre o consumo asiático.

Esta conjuntura não elimina a concorrência. Os Estados Unidos deverão continuar a aumentar significativamente a capacidade de exportação, enquanto novos projectos avançam no Canadá, Papua-Nova Guiné e outras geografias.

Do lado do Rovuma LNG, competitividade de custos, cumprimento do calendário e segurança operacional são considerados factores determinantes para transformar a vantagem dos recursos existentes em contratos comerciais de longo prazo.

A FID Abre Uma Nova Agenda Económica

A confirmação de que a ExxonMobil está próxima de decidir o investimento altera progressivamente a natureza da agenda em torno do Rovuma LNG.

Durante o encontro em Nova Iorque, Daniel Chapo destacou emprego, desenvolvimento e criação de oportunidades como prioridades nacionais associadas ao empreendimento. A ExxonMobil, por sua vez, reiterou o compromisso de avançar com o projecto e responder às expectativas colocadas pelo Governo.

A FID constituirá o ponto formal que permitirá converter anos de planeamento numa fase de investimento intensivo.

A expectativa é que o impacto económico nacional se reflicta na participação das empresas moçambicanas nos contratos, na criação de emprego, no desenvolvimento de competências, na expansão da capacidade produtiva e no reforço das ligações entre o projecto e o restante tecido empresarial.

A prioridade passa, por isso, pela preparação das empresas e dos trabalhadores nacionais para competir pelas oportunidades que acompanham o investimento e aumentar a proporção de valor gerado pelo Rovuma LNG que permanece na economia moçambicana.

É nesse terreno que a dimensão energética do Rovuma LNG começa a cruzar-se directamente com a estratégia de desenvolvimento do País.