
Ouro Cai Mais de 2% Para US$ 4.198 Com Mercado a Apostar em Nova Subida dos Juros da Fed
- Petróleo mais caro reacende pressões inflacionárias, yields elevados aumentam o custo de oportunidade do metal e investidores aguardam novos dados de inflação e emprego dos Estados Unidos para recalibrar expectativas sobre a política monetária
- ouro à vista recua 2,1%, para US$ 4.198,10 por onça, na maior queda diária desde 1 de Setembro;
- futuros norte-americanos do ouro perdem igualmente 2,1%, para US$ 4.231 por onça;
- petróleo mais caro aumenta riscos inflacionários e reforça expectativas de novo aperto monetário pela Reserva Federal;
- Fed elevou em Setembro a taxa directora em 25 pontos base, para 3,75%-4,00%;
- mercado atribui 68% de probabilidade a nova subida dos juros em Outubro, segundo o CME FedWatch citado pela Reuters;
- prata cai 3,4%, platina perde 2,7% e paládio recua 2,8%;
- dados de inflação e emprego dos Estados Unidos podem alterar as expectativas sobre juros, yields e dólar ao longo desta semana.
O ouro caiu mais de 2% esta segunda-feira, 28 de Setembro, com a subida do petróleo a aumentar as preocupações inflacionárias e a reforçar as expectativas de que a Reserva Federal volte a elevar as taxas de juro.
O ouro à vista recuava 2,1%, para US$ 4.198,10 por onça, às 03h57 GMT, encaminhando-se para a maior queda diária desde 1 de Setembro. Os futuros norte-americanos cediam igualmente 2,1%, para US$ 4.231, segundo a Reuters.
O petróleo subiu num contexto de sinais contraditórios sobre os fluxos de crude e de persistência das tensões no Médio Oriente. O Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz e terminar os combates, enquanto Teerão voltou a defender uma solução diplomática para o conflito.
Petróleo mais caro aumenta os custos de energia, transporte e produção e pode prolongar as pressões sobre os preços. Essa transmissão está a levar os investidores a reverem em alta as expectativas para as taxas de juro norte-americanas.
Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade, citado pela Reuters, aponta a combinação entre yields elevados e petróleo caro como uma fonte directa de pressão sobre o ouro. Gold drops more than 2% on US r…
Petróleo Mais Caro Reforça Expectativas de Juros Elevados
A Reserva Federal elevou este mês a taxa dos federal funds em 25 pontos base, para 3,75%-4,00%. A subida do petróleo introduz pressão adicional sobre as expectativas de inflação precisamente quando os investidores procuram determinar a extensão do actual ciclo de aperto monetário.
O mercado atribui agora 68% de probabilidade a uma nova subida dos juros em Outubro, segundo o CME FedWatch Tool citado pela Reuters.
Uma taxa directora superior tende a elevar os rendimentos oferecidos pelas obrigações e por outros instrumentos remunerados. O ouro não paga juros nem dividendos, pelo que o retorno disponível nos activos concorrentes aumenta o custo de oportunidade de manter posições no metal.
A Reuters assinala que o ouro é tradicionalmente utilizado como protecção contra a inflação, enquanto juros elevados reduzem a sua atractividade relativa perante activos que oferecem rendimento. Gold drops more than 2% on US r…
O efeito também passa pelo mercado cambial. Expectativas de juros norte-americanos mais elevados podem sustentar o dólar e aumentar o preço do ouro para investidores que compram o metal utilizando outras moedas.
A actual formação de preços combina, portanto, uma sequência económica concreta: petróleo mais caro aumenta pressões inflacionárias; inflação persistente reforça expectativas de juros elevados; juros superiores pressionam os yields e podem sustentar o dólar; yields e dólar fortes reduzem a atractividade relativa do ouro.
Juros Superam Procura de Protecção Contra Inflação
A inflação tende a aumentar a procura por ouro como reserva de valor. Juros elevados produzem o efeito inverso ao aumentarem a remuneração dos activos concorrentes.
Na sessão desta segunda-feira, a expectativa de novos aumentos dos juros está a exercer maior pressão sobre a cotação do que a procura de protecção contra inflação e risco geopolítico.
O movimento ocorre mesmo num contexto de tensão no Médio Oriente e de subida dos preços energéticos, factores que normalmente podem aumentar a procura por activos de refúgio.
A reacção mostra que o mercado está concentrado na resposta da Fed às pressões inflacionárias geradas pelos custos energéticos.
Com uma probabilidade de 68% atribuída a uma nova subida em Outubro, o preço do ouro incorpora actualmente uma política monetária potencialmente mais restritiva.
Ouro Corrige Depois da Forte Valorização de Agosto
O ouro valorizou 13% em Agosto e encerrou o mês em US$ 4.563 por onça, segundo dados do World Gold Council.
A subida foi acompanhada por fortes entradas de capital nos fundos negociados em bolsa lastreados em ouro. Os ETF globais captaram US$ 18 mil milhões em Agosto, enquanto os activos sob gestão atingiram US$ 615 mil milhões e as posições físicas chegaram a 4.189 toneladas.
O aumento das posições financeiras durante a valorização anterior também amplia a exposição do mercado a movimentos de realização de ganhos quando as expectativas de taxas de juro mudam.
A descida para US$ 4.198,10 representa uma correcção de cerca de 8% face aos US$ 4.563 registados no final de Agosto, embora a comparação entre uma cotação intradiária e um preço de fecho mensal deva ser interpretada com cautela.
Ouro Permanece Abaixo do Máximo de Janeiro
O ouro já vinha a negociar abaixo dos níveis máximos atingidos no início do ano.
Em 22 de Setembro, o metal estava em torno de US$ 4.325 por onça, cerca de 22% abaixo do máximo de US$ 5.594,82 alcançado em Janeiro de 2026, segundo dados anteriormente reportados pela Reuters.
A cotação de US$ 4.198,10 desta segunda-feira amplia a distância em relação ao máximo de Janeiro.
A correcção ocorre depois de um período marcado por entradas em ETF, procura institucional, compras de bancos centrais e procura de protecção contra riscos geopolíticos, fiscais e cambiais.
O aumento das expectativas de juros introduz uma força contrária: quanto maior for a remuneração disponível nas obrigações e noutros activos financeiros, maior será o retorno de que o investidor abdica ao manter ouro.
Bancos Centrais Mantêm Compras de Ouro
Os bancos centrais realizaram compras líquidas de 23 toneladas de ouro em Julho, elevando as aquisições reportadas desde o início do ano para cerca de 130 toneladas, segundo o World Gold Council.
China e Polónia estiveram entre os compradores identificados naquele período.
Num inquérito publicado em Junho pelo World Gold Council, 89% dos gestores de reservas esperavam que as reservas mundiais de ouro dos bancos centrais aumentassem nos 12 meses seguintes, enquanto 45% indicaram intenção de aumentar as reservas das respectivas instituições.
As autoridades monetárias compram ouro por razões que incluem diversificação de reservas, gestão do risco cambial e redução da concentração em determinados activos financeiros.
Essas compras têm um horizonte diferente das posições de curto prazo que reagem diariamente aos juros, yields e dólar. A procura oficial pode, por isso, coexistir com correcções acentuadas provocadas por alterações nas expectativas de política monetária.
Prata Cai 3,4%, Platina 2,7% e Paládio 2,8%
A prata à vista caiu 3,4%, para US$ 62,08 por onça; a platina perdeu 2,7%, para US$ 1.730,78; e o paládio recuou 2,8%, para US$ 1.231,46, segundo a Reuters.
Os quatro principais metais preciosos registaram, assim, perdas na mesma sessão.
Prata, platina e paládio apresentam uma exposição industrial superior à do ouro, ligando as respectivas cotações também às expectativas de actividade económica, produção industrial e procura dos sectores que utilizam estes metais.
A queda simultânea desta segunda-feira acompanha a reavaliação das condições monetárias norte-americanas e dos rendimentos oferecidos pelos activos financeiros concorrentes.
PCE e Emprego Podem Recalibrar Expectativas Para Outubro
Os Estados Unidos divulgam esta semana dados sobre vagas de emprego, emprego privado ADP, inflação medida pelo Personal Consumption Expenditures Price Index (PCE) e nonfarm payrolls.
Inflação ou emprego acima das expectativas podem aumentar a probabilidade atribuída a uma nova subida dos juros, pressionar os yields em alta e prolongar a pressão sobre o ouro.
Dados abaixo das previsões podem reduzir as expectativas de aperto monetário e aliviar parte da pressão exercida pelos yields e pelo dólar.
Tim Waterer considera que números de inflação ou emprego superiores às expectativas podem manter pressão ascendente sobre os rendimentos das obrigações e provocar novas perdas no ouro.
A Presidente da Fed de Cleveland, Beth Hammack, advertiu na sexta-feira para o risco de uma inflação persistentemente elevada levar os norte-americanos a incorporar aumentos elevados dos preços nas suas expectativas, acrescentando que o banco central não pode permitir que esse comportamento se normalize.
Responsáveis da Fed Mantêm Pressão Sobre a Inflação
O Presidente da Fed de St. Louis, Alberto Musalem, afirmou que poderão ser necessários novos aumentos dos juros para conter as pressões inflacionárias. Susan Collins, da Fed de Boston, também defendeu a subida realizada em Setembro e advertiu para a persistência dos riscos sobre os preços.
As declarações mantêm aberta a possibilidade de continuação do aperto monetário depois da subida de 25 pontos base realizada este mês.
Para o mercado do ouro, cada revisão das expectativas sobre a taxa directora transmite-se aos rendimentos das obrigações e ao dólar. Uma trajectória de juros mais elevada aumenta a remuneração dos activos concorrentes; uma expectativa de menor aperto reduz essa diferença.
Petróleo, Inflação e Fed Definem Pressão de Curto Prazo
O ouro negoceia a US$ 4.198,10 por onça com três variáveis a pressionarem a cotação no curto prazo: petróleo mais caro, inflação persistente e expectativas de novas subidas dos juros.
O mercado atribui 68% de probabilidade a um novo aumento da taxa directora em Outubro.
Os dados norte-americanos desta semana podem alterar essa probabilidade.
Inflação ou emprego acima das expectativas tenderiam a sustentar yields elevados e a aumentar o custo de oportunidade do ouro. Indicadores abaixo das previsões reduziriam a pressão para novo aperto monetário e poderiam aliviar as condições que levaram o metal a cair mais de 2% nesta segunda-feira.
Em paralelo, compras dos bancos centrais, posições em ETF e procura de protecção contra riscos geopolíticos permanecem como fontes de procura. O preço resultará da intensidade relativa dessas compras perante o retorno oferecido pelos activos remunerados e a trajectória do dólar.
Nesta segunda-feira, a combinação entre Brent acima de US$ 105, expectativa de nova subida dos juros e yields elevados colocou o segundo conjunto de forças no comando da sessão, levando o ouro à maior queda diária desde 1 de Setembro.
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