Juros em Alta Pressionam Mercados Globais no Arranque da Semana

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  • Treasury a dez anos sobe para 5,20%, dólar valoriza e futuros de Wall Street recuam, enquanto investidores reavaliam perspectivas para inflação e política monetária da Fed
Questões-Chave:
  • Treasury a dois anos avança cinco pontos base, para 4,90%, enquanto a yield a dez anos sobe quatro pontos base, para 5,20%;
  • Mercados incorporam pelo menos mais uma subida de 25 pontos base da Fed até ao final de 2026;
  • MSCI de acções asiáticas recua 0,5%, enquanto futuros do Nasdaq 100 e S&P 500 negoceiam em queda;
  • Dólar valoriza e ouro, prata e criptoactivos sofrem perdas;
  • Yield média de um índice global de obrigações ultrapassou 4% na semana passada pela primeira vez desde 2007;
  • Inflação e emprego nos Estados Unidos assumem-se como próximos testes para a trajectória das taxas de juro.

Os mercados financeiros globais iniciaram a última semana de Setembro sob pressão, com quedas nas acções e obrigações, valorização do dólar e perdas nos metais preciosos, num ambiente em que os investidores voltaram a rever as expectativas para as taxas de juro nos Estados Unidos.

Segundo dados compilados pela Bloomberg, a yield das Treasuries norte-americanas a dois anos, particularmente sensível às expectativas de política monetária, aumentou cinco pontos base nesta segunda-feira, para 4,90%, enquanto a referência a dez anos avançou quatro pontos base, para 5,20%.

O movimento prolonga uma pressão que se intensificou ao longo da última semana. A Reuters assinalou que a Treasury a dez anos atingiu na quarta-feira o nível mais elevado desde 2007, depois de indicadores mostrarem uma actividade empresarial norte-americana particularmente forte. O índice PMI composto preliminar da S&P Global subiu para 58,4 em Setembro, o valor mais elevado desde Julho de 2021.

Na quinta-feira, segundo a mesma agência, praticamente toda a curva das Treasuries — com excepção da maturidade a dois anos — negociava acima de 5%, um patamar que ganhou relevância para os mercados pela capacidade de aumentar a concorrência das obrigações relativamente às acções e encarecer o financiamento das empresas.

A abertura desta semana prolonga, assim, uma reavaliação mais ampla do custo do dinheiro nos mercados internacionais.

Treasuries Reprecificam Perspectivas Para a Fed

A pressão sobre a dívida norte-americana constitui um dos sinais mais relevantes desta segunda-feira.

A subida da yield a dois anos para 4,90% mostra que o movimento alcança o segmento da curva mais directamente relacionado com as expectativas para a política monetária.

Segundo a Bloomberg, os mercados incorporam pelo menos mais uma subida de 25 pontos base até ao final do ano, depois de a Reserva Federal ter aumentado este mês as taxas pela primeira vez desde 2023.

A Reuters já tinha identificado essa tendência no final da semana passada, quando as yields estabilizaram temporariamente após uma descida do petróleo, mas os investidores continuaram a incorporar novos aumentos das taxas da Fed.

A discussão ganhou força depois das recentes indicações do banco central norte-americano de que a inflação permanece uma preocupação.

A Presidente da Reserva Federal de Cleveland, Beth Hammack, apontou a resiliência do crescimento económico e do mercado de trabalho, juntamente com preocupações relacionadas com a dívida pública, entre os factores que estão a impulsionar as yields de longo prazo.

O Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apresentou uma leitura diferente, defendendo uma abordagem aberta relativamente às taxas, perante a possibilidade de os ganhos de produtividade associados à inteligência artificial e à desregulamentação ajudarem a moderar as pressões inflacionistas.

Yield da Dívida Global Ultrapassa 4% Pela Primeira Vez Desde 2007

A pressão sobre as Treasuries integra um movimento internacional mais abrangente.

Segundo a Bloomberg, a yield média de um índice global de obrigações ultrapassou 4% na semana passada pela primeira vez desde 2007, aumentando as preocupações sobre os efeitos dos custos de financiamento na actividade económica e nos resultados empresariais.

A Reuters tem vindo igualmente a acompanhar o alargamento desta pressão. Em Agosto, a agência registou máximos de várias décadas nos custos de financiamento de longo prazo nos Estados Unidos, Japão, Alemanha e França, num movimento associado às preocupações com inflação, dívida pública e necessidades crescentes de financiamento dos governos.

A referência norte-americana a dez anos, actualmente em 5,20%, assume particular importância porque influencia a determinação do custo do capital numa ampla gama de activos financeiros e operações de crédito.

A subida das taxas soberanas aumenta o retorno exigido pelos investidores e transmite-se ao financiamento empresarial, imobiliário e público.

Dados compilados pela Bloomberg mostram que a yield da dívida pública japonesa a dez anos avançou nesta segunda-feira 2,5 pontos base, para 3,095%, enquanto a equivalente australiana subiu quatro pontos base, para 5,41%.

O Wall Street Journal coloca precisamente o sell-off global das obrigações entre os principais temas a acompanhar nesta semana, juntamente com a evolução dos preços energéticos e os indicadores económicos norte-americanos.

Ásia Recua e Futuros de Wall Street Apontam Para Sessão Cautelosa

A pressão das taxas transmitiu-se ao mercado accionista.

Segundo a Bloomberg, o índice MSCI de acções asiáticas recuava 0,5%, enquanto os índices de referência da China continental e Coreia do Sul chegaram a apresentar perdas superiores a 2%. Os futuros do Nasdaq 100 perdiam 0,7%.

Os movimentos entre mercados permaneceram, contudo, diferenciados.

Durante a sessão asiática, os futuros do S&P 500 recuavam 0,4% e os futuros do Nikkei 225 perdiam 0,5%. O Topix permanecia praticamente inalterado e o S&P/ASX 200 australiano avançava 0,3%.

Hong Kong apresentava maior resistência, com o Hang Seng a subir 0,7%, enquanto o Shanghai Composite recuava 1,7%. Na Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 avançavam 0,4%.

A relação entre acções e obrigações ganha particular importância quando as yields atravessam determinados patamares.

O Wall Street Journal observa que os investidores estão novamente a discutir até que ponto as acções conseguem sustentar as suas avaliações perante a subida das taxas de longo prazo. Uma Treasury a dez anos acima de 5% oferece uma alternativa de rendimento relevante e aumenta simultaneamente as taxas utilizadas para descontar os lucros futuros das empresas.

O efeito tende a ser particularmente importante para empresas de crescimento e tecnologia, cujas avaliações incorporam uma proporção elevada de resultados esperados em períodos futuros.

Dólar Beneficia do Diferencial de Taxas

No mercado cambial, o dólar iniciou a semana em valorização.

O Bloomberg Dollar Spot Index avançava 0,1%, enquanto o euro permanecia praticamente inalterado em US$ 1,1386. O yen japonês depreciava 0,3%, para 157,80 por dólar, e o yuan offshore mantinha-se próximo de 6,7170 por dólar.

A Reuters já tinha identificado na semana passada o suporte proporcionado ao dólar pelas expectativas de novos aumentos das taxas norte-americanas, num ambiente em que os investidores procuram determinar a dimensão e duração do actual ciclo de aperto monetário.

Para os mercados emergentes, esta combinação assume particular relevância. Yields norte-americanas elevadas podem influenciar os fluxos internacionais de capitais, aumentar o custo do financiamento externo e pressionar moedas domésticas.

Ouro e Criptoactivos Recuam

Os metais preciosos também começaram a semana sob pressão.

Segundo a Bloomberg, o ouro caiu cerca de 2%, para a região dos US$ 4.200 por onça, enquanto a prata perdeu mais de 3%. Dados posteriores colocavam o ouro spot em aproximadamente US$ 4.193 por onça.

O movimento acompanha uma tendência observada nos últimos dias. O CME Group registou na semana passada uma extensão das perdas nos futuros do ouro, associando o movimento à valorização do dólar e à orientação mais restritiva da política monetária norte-americana.

A subida das yields aumenta o custo de oportunidade de deter ouro e outros activos que não oferecem rendimento periódico.

Os criptoactivos acompanharam a redução da exposição ao risco. A Bitcoin recuava 1,5%, para cerca de US$ 83.272, enquanto o Ether perdia 1,4%, para aproximadamente US$ 2.646, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Emprego e Inflação Assumem Próximo Teste da Fed

A evolução dos mercados nesta semana deverá ser progressivamente determinada pelos indicadores económicos norte-americanos.

O Financial Times identifica os próximos números do mercado laboral como um teste importante para a Reserva Federal, numa altura em que inflação persistente e sinais de uma economia ainda robusta mantêm aberta a discussão sobre novos aumentos das taxas.

O Wall Street Journal também coloca os dados do emprego dos Estados Unidos entre os principais eventos da semana para os mercados cambial e obrigacionista.

Prashant Newnaha, estratega sénior para taxas da Ásia-Pacífico da TD Securities, considera que as tensões no Médio Oriente deverão permanecer no centro das atenções até à divulgação do indicador de inflação preferido da Fed e do relatório do emprego norte-americano.

Uma combinação de inflação resistente e mercado de trabalho robusto reforçaria a expectativa de novo aperto monetário. Indicadores mais fracos poderão moderar as yields e proporcionar algum alívio aos activos de risco.

Taxas de Juro Reassumem o Comando da Avaliação dos Activos

A abertura da última semana de Setembro apresenta uma configuração financeira clara: Treasury a dois anos em 4,90%, referência a dez anos em 5,20%, dólar em valorização, acções sob pressão e yield média da dívida global acima de 4%.

Bloomberg, Reuters, Financial Times e Wall Street Journal convergem num ponto central: o comportamento das taxas de juro voltou a assumir um papel determinante na avaliação das diferentes classes de activos.

Os próximos dados de inflação e emprego dos Estados Unidos poderão confirmar ou moderar as expectativas de novo aperto monetário actualmente incorporadas pelos investidores.

Inflação e emprego indicarão se a economia norte-americana mantém força suficiente para suportar taxas superiores. A evolução dos custos energéticos determinará parte da pressão adicional sobre os preços. E a reacção da Reserva Federal definirá até onde poderá avançar a actual reavaliação do custo do dinheiro.

A última semana de Setembro começa, por isso, com os mercados concentrados numa variável transversal à economia mundial: o nível em que as taxas de juro poderão estabilizar e durante quanto tempo permanecerão suficientemente elevadas para alterar o preço do capital, as decisões de investimento e o desempenho dos activos financeiros.

Mercados Globais Sob Pressão

Principais movimentos registados no arranque da última semana de Setembro

Yields das Obrigações

Rendibilidade das principais referências soberanas
EUA · 10 anos
5,20%
Austrália · 10 anos
5,41%
EUA · 2 anos
4,90%
Japão · 10 anos
3,095%
Dívida global A yield média de um índice global de obrigações ultrapassou 4%, pela primeira vez desde 2007.

Mercados Accionistas

Variação dos principais índices e futuros
Nasdaq 100 · futuros
−0,7%
MSCI Ásia
−0,5%
S&P 500 · futuros
−0,4%
Nikkei 225 · futuros
−0,5%
Shanghai Composite
−1,7%
Hang Seng
+0,7%
Euro Stoxx 50 · futuros +0,4%
S&P/ASX 200 +0,3%

Mercado Cambial

Principais referências face ao dólar norte-americano
Yen japonês
−0,3%
Dollar Spot Index
+0,1%
Euro
US$ 1,1386
Yen / dólar
157,80
Dólar ganha suporte As expectativas de novas subidas das taxas norte-americanas continuam a apoiar a moeda dos EUA.

Metais e Criptoactivos

Activos afectados pelo aumento das yields e valorização do dólar
Ouro
≈ −2%
Prata
> −3%
Bitcoin
−1,5%
Ether
−1,4%
Ouro spot US$ 4.193
Bitcoin US$ 83.272
Ether US$ 2.646
Ouro · referência ≈ US$ 4.200

Os Números Que Definem a Semana

Principais referências destacadas no artigo
Treasury EUA · 2 anos 4,90%
Treasury EUA · 10 anos 5,20%
Treasury · movimento diário +4 pb
Treasury 2 anos · movimento +5 pb
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