Cobre Acima de Um Milhão de Toneladas Pode Levar Zâmbia a Crescer 7,5%

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  • Preços elevados, novos investimentos mineiros e recuperação da estabilidade macroeconómica reforçam perspectivas de uma economia que procura consolidar a saída da prolongada reestruturação da dívida
Questões-Chave:
  • Ministério das Finanças da Zâmbia projecta crescimento económico de 6% em 2027 e 7,5% em 2028;
  • produção de cobre deverá ultrapassar um milhão de toneladas, apoiada por investimentos de milhares de milhões de dólares no sector mineiro;
  • FMI estima crescimento de 4,3% em 2026, abaixo das previsões anteriores, devido à menor produção mineira, normalização da agricultura, menor actividade comercial e restrições energéticas;
  • acordos de reestruturação cobrem cerca de 94% da dívida abrangida pelo processo, segundo o FMI;
  • melhoria da confiança reduziu yields no mercado doméstico e Governo prepara uma obrigação a 20 anos;
  • concentração no cobre mantém a economia exposta aos preços internacionais, desempenho das minas e disponibilidade de energia.

A Zâmbia prepara-se para entrar em 2027 com uma combinação que não observava há vários anos: produção crescente de cobre, investimentos mineiros de grande dimensão, inflação novamente próxima da meta do banco central e uma reestruturação da dívida externa substancialmente avançada.

O Ministério das Finanças projecta uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 6% em 2027, o ritmo mais elevado desde 2021, e aponta para uma aceleração até 7,5% em 2028, segundo o plano orçamental de médio prazo para 2027-2029. A trajectória está fortemente associada ao cobre, cuja produção deverá ultrapassar um milhão de toneladas. Zambia’s growth outlook brighte…

O cenário oficial coloca a segunda maior produtora africana de cobre perante uma oportunidade de converter a expansão da mineração numa recuperação económica de maior amplitude. O investimento está a aumentar a capacidade produtiva, enquanto os progressos na reestruturação da dívida reduzem parte da incerteza que condicionou financiamento, investimento e política económica durante os últimos anos.

As projecções exigem, contudo, alguma cautela. Em Maio, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para 4,3% a previsão de crescimento da Zâmbia em 2026, citando menor produção mineira, normalização da produção agrícola depois da excepcional colheita de 2025, menor dinamismo comercial, restrições energéticas e efeitos da guerra no Médio Oriente.

A diferença entre o desempenho esperado para 2026 e a aceleração projectada pelo Governo para os dois anos seguintes coloca o aumento efectivo da produção de cobre no centro da trajectória económica zambiana.

Um Milhão de Toneladas Recoloca Cobre no Centro do Crescimento

O Ministério das Finanças prevê que a produção nacional de cobre ultrapasse um milhão de toneladas, apoiada pelos elevados preços internacionais e pela entrada de milhares de milhões de dólares em investimentos mineiros. Zambia’s growth outlook brighte…

A expansão já vinha sendo incorporada nas avaliações do FMI. Na análise da sustentabilidade da dívida publicada em 2025, a instituição apontava a entrada em operação da Mopani Copper Mines e da Konkola Copper Mines como factores capazes de aumentar a produção de cobre e cobalto, projectando uma aceleração da produção entre 2026 e 2028 à medida que os projectos de expansão alcançassem maior capacidade.

A transmissão para a economia ocorre por vários canais. Maior produção eleva exportações e receitas em moeda externa; novos projectos mobilizam capital; fornecedores locais podem beneficiar do aumento da procura por bens e serviços; e a expansão das empresas mineiras aumenta a matéria colectável potencial.

O FMI prevê igualmente que o crescimento da produção de cobre contribua para fortalecer a conta corrente nos próximos anos. A instituição estimava, no início de 2026, que o saldo corrente poderia atingir um excedente de 1,7% do PIB em 2026 e subir gradualmente para 3,2% em 2030, apoiado pela produção do metal.

A dimensão desses efeitos dependerá da quantidade efectivamente produzida, dos preços realizados, da estrutura fiscal aplicada ao sector e da capacidade de retenção doméstica de parte do rendimento gerado pela expansão mineira.

Estabilidade Regulatória Volta a Atrair Capital Mineiro

O novo ciclo de investimento também reflecte mudanças na percepção dos investidores sobre o ambiente económico.

O plano de médio prazo do Governo associa a entrada de milhares de milhões de dólares no sector mineiro a um período de maior estabilidade das políticas, que permitiu recuperar investimento e aumentar capacidade produtiva. Zambia’s growth outlook brighte…

A relação entre previsibilidade e investimento assume especial importância na mineração. Projectos de cobre exigem grandes volumes de capital, possuem períodos prolongados de desenvolvimento e recuperam o investimento durante vários anos. Alterações frequentes no regime fiscal, licenciamento ou regras de exportação aumentam o risco e elevam a taxa de retorno exigida pelos investidores.

A avaliação do FMI converge nesse ponto. Em Maio, a instituição considerou governação e transparência elementos centrais para atrair investimento privado a custos inferiores, ao mesmo tempo que defendeu políticas destinadas a elevar produtividade e diversificar a economia.

A continuidade desse ambiente ganha importância à medida que a Zâmbia procura transformar compromissos de investimento em produção efectiva.

Reestruturação da Dívida Abre Espaço Para Recuperação da Confiança

A aceleração da mineração coincide com uma mudança relevante na situação financeira do Estado.

A Zâmbia entrou em incumprimento dos seus Eurobonds soberanos em 2020 e, em Janeiro de 2021, solicitou tratamento da dívida através do Quadro Comum do G20. O país tornou-se posteriormente o primeiro a conduzir uma reestruturação pós-Covid através desse mecanismo.

Em Maio deste ano, o FMI indicou que acordos de reestruturação já abrangiam aproximadamente 94% da dívida incluída no perímetro do processo. A instituição assinalou igualmente que as reservas internacionais tinham aumentado, a inflação diminuído e a estabilidade macroeconómica registado progressos significativos.

A melhoria da percepção de risco começa a aparecer no mercado doméstico. O plano orçamental de médio prazo indica que o Governo passou a recorrer com maior intensidade ao financiamento em moeda local e que as yields diminuíram ao longo da curva. Lusaka pretende também introduzir uma obrigação pública a 20 anos, aumentando a maturidade disponível no mercado de capitais. Zambia’s growth outlook brighte…

Uma curva de rendimentos mais longa cria referências para instrumentos financeiros de maior maturidade e pode contribuir para o desenvolvimento do mercado doméstico de capitais. A queda dos custos de financiamento soberano também pode reduzir pressões sobre as finanças públicas, desde que acompanhada por disciplina fiscal e gestão prudente da nova dívida.

O risco ainda não desapareceu. O FMI continua a classificar a dívida pública zambiana como sustentável, mas com elevado risco de distress externo e global, mantendo limitada a capacidade do país para absorver novos choques.

Energia Condiciona a Expansão das Minas

O aumento da produção de cobre exige uma expansão correspondente da oferta energética.

Mineração, concentração e processamento são actividades intensivas em electricidade. A Zâmbia possui elevada dependência da geração hidroeléctrica, tornando produção mineira e actividade industrial vulneráveis a secas e limitações de capacidade.

O FMI incluiu as restrições energéticas entre as razões para reduzir a previsão de crescimento de 2026 e considera a vulnerabilidade às secas e aos choques energéticos um dos riscos estruturais para a economia.

Na avaliação publicada em Janeiro, o Fundo já identificava a melhoria da geração de electricidade, juntamente com investimento mineiro, agricultura e disciplina fiscal, entre as condições necessárias para sustentar o crescimento no médio prazo.

A ambição de superar um milhão de toneladas de cobre cria, portanto, uma relação directa entre política mineira e política energética. Capacidade extractiva adicional sem fornecimento eléctrico suficiente pode atrasar projectos, aumentar custos operacionais e reduzir volumes de produção.

Crescimento de 7,5% Aumenta Exposição ao Ciclo do Cobre

A projecção de 7,5% para 2028 também evidencia a elevada influência de uma commodity sobre o ciclo económico zambiano.

O cobre continua a ser o principal produto de exportação do país, segundo o FMI, e o aumento esperado da produção ocupa posição central nas perspectivas oficiais de crescimento.

Essa concentração produz efeitos favoráveis quando preços, investimento e produção avançam simultaneamente. Uma inversão do ciclo internacional pode actuar na direcção oposta, reduzindo receitas de exportação, entrada de divisas, investimento, arrecadação fiscal e crescimento.

O próprio FMI identifica volatilidade dos preços das commodities, especialmente do cobre, entre os riscos capazes de pressionar receitas externas e fiscais. A lista inclui ainda crescimento mundial mais fraco, choques nos preços de alimentos e energia, escassez prolongada de electricidade e atrasos na concretização dos investimentos previstos nos sectores mineiro e energético.

A instituição recomenda que a Zâmbia aproveite o investimento mineiro para ampliar a transformação doméstica do cobre, ao mesmo tempo que desenvolve agro-negócio, turismo e têxteis, aumentando valor acrescentado e emprego fora da mineração.

Novo Ciclo do Cobre Encontra uma Economia Financeiramente Diferente

A trajectória projectada para 2027-2028 combina factores que estiveram desalinhados durante boa parte dos últimos anos.

A produção de cobre deverá ultrapassar um milhão de toneladas. O investimento mineiro está a aumentar. A reestruturação cobre aproximadamente 94% da dívida abrangida pelo processo. A inflação regressou ao intervalo de 6% a 8% definido pelo Banco da Zâmbia em Abril, quando atingiu 6,8%. E o mercado doméstico de dívida apresenta sinais de recuperação da confiança.

A disciplina fiscal também alterou a posição macroeconómica. Segundo o FMI, o saldo primário alcançou um excedente equivalente a 3,1% do PIB em 2025, resultado que a instituição associou à implementação das políticas de consolidação.

O crescimento de 6% projectado para 2027 e de 7,5% para 2028 pressupõe que esses ganhos sejam acompanhados pela concretização dos investimentos mineiros, aumento efectivo da produção e disponibilidade de energia.

A experiência recente da Zâmbia mostra igualmente a dimensão económica da previsibilidade das políticas numa indústria intensiva em capital. O novo ciclo do cobre encontra um país com uma estrutura da dívida reconfigurada, maior estabilidade macroeconómica e investidores novamente dispostos a comprometer capital no sector mineiro.

A capacidade de converter essa conjuntura em crescimento duradouro será observada na expansão da produção, no desenvolvimento de fornecedores, na transformação doméstica dos minerais, no emprego, nas receitas públicas e na diversificação da base produtiva.

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