África precisa melhorar as suas barreiras internas de comércio e logística para usufruir de melhores condições de produção de alimentos

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“A capacidade do mundo de realinhar rapidamente as cadeias de fornecimento de energia e fertilizantes de forma a deixar espaço para os agricultores mais pobres será um dos factores determinantes na duração e gravidade da crise alimentar na África e no deslocamento de populações rurais já sob pressão das mudanças climáticas.

O continente africano instado a ajudar nesse realinhamento, melhorando suas barreiras internas de comércio e logística. O continente produz cerca de 30 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, o dobro do que consome. Ainda assim, aproximadamente 90% dos fertilizantes consumidos na África Subsaariana são importados, principalmente de fora do continente. Isso reflecte ineficiências nos custos de embarque e porto, cadeias de distribuição, disponibilidade de informações e outros atritos comerciais. 

“Cada factor precisa de um esforço conjunto das nações africanas para consertar o sistema. Melhor infra-estrutura comercial e medidas de facilitação do comércio, como regras harmonizadas, têm um papel importante”. Considera o Presidente do Banco Mundial, David Malpass

Para Malpass,  quando viável técnica e economicamente, a produção local pode complementar o comércio, reduzindo os custos de transporte e logística. 

“Uma grande fábrica de fertilizantes de ureia abriu recentemente na Nigéria para converter gás natural em fertilizante, mas uma parte é usada para subsidiar compradores nigerianos ineficientes e uma grande parte é exportada para a América Latina, deixando os agricultores na África dependentes de outros mercados”. Observou.

Enquanto isso, vários programas externos estão ajudando nas margens. Doações e remessas privadas de fertilizantes por meio da Black Sea Grain Initiative ajudaram a aliviar alguns desafios de abastecimento. Outras iniciativas incluem a Plataforma Global de Segurança Alimentar da IFC de US$ 6 bilhões, que está fornecendo acesso ao crédito para lidar com as restrições de liquidez na cadeia privada de fornecimento de fertilizantes, e o pacote de segurança alimentar e nutricional do Banco Mundial de US$ 30 bilioes focado nos países em desenvolvimento. 

A nova Janela de Choque Alimentar do Fundo Monetário Internacional fornece um canal para financiamento de emergência para países com necessidades urgentes da balança de pagamentos relacionadas a alimentos e fertilizantes. O G7 e o Banco Mundial também estão envolvidos em parcerias críticas, como a Aliança Global para Segurança Alimentar, para apoiar países em dificuldades e abordar as principais questões que contribuem para esta crise.

“Devemos garantir que esses esforços aumentem a disponibilidade sem destruir inadvertidamente o esforço de décadas para construir mercados privados de fertilizantes na África.”, alertou Malpass

Para ele, ao responder, não se deve perder a oportunidade de construir mercados agrícolas e de fertilizantes mais resilientes e sustentáveis ​​para o futuro. 

A conclusão a que se chega é que é urgente tornar os fertilizantes mais acessíveis para evitar o prolongamento da crise alimentar. Vidas e meios de subsistência dependem das escolhas dos formuladores de políticas.