
Banco Central Europeu diverge da Fed, elevando taxas para o nível mais alto dos últimos 22 anos
- O Banco Central Europeu decidiu nesta quinta-feira, 15/06, pela subida das taxas de juro em 25 pontos-base, para os 3,5% na taxa de depósitos, representando, o oitavo aumento consecutivo desde Julho de 2022 quando escalada das taxas de juro iniciou para os países da zona euro, como resposta à inflação crescente;
- A última leitura da inflação mostrou que os preços arrefeceram a um ritmo mais rápido do que o esperado, com a inflação global a atingir 6,1% em Maio;
- Apesar do recente abrandamento da inflação, o BCE aumentou efectivamente as suas expectativas globais e fundamentais para este e para o próximo ano. Espera agora uma inflação global de 5,4% este ano, de 3% em 2024 e de 2,2% em 2025.
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou na quinta-feira, 15/06, que está a subir a sua principal taxa de juro em 25 pontos base, para 3,5%, divergindo da decisão da Federal Reserve dos EUA, tomada na quarta-feira,15/06, de pausar as suas próprias subidas.
O banco central tem vindo a subir os juros desde Julho de 2022 na tentativa de reduzir a inflação recorde em toda a região. A última leitura da inflação mostrou que os preços arrefeceram a um ritmo mais rápido do que o esperado, com a inflação global a situar-se em 6,1% em Maio e o núcleo da inflação – que exclui items voláteis – em 5,3%. Este valor permanece muito acima do objectivo do BCE de uma inflação global de 2%.
Embora os mercados esperassem amplamente a decisão, os investidores argumentam que ainda há muita incerteza sobre o que o BCE pode fazer além do verão.
“As futuras decisões do Conselho do BCE assegurarão que as taxas de juro directoras do BCE serão levadas a níveis suficientemente restritivos para alcançar um regresso atempado da inflação ao objectivo de médio prazo de 2% e serão mantidas nesses níveis enquanto for necessário”, disse o BCE em comunicado.
Apesar do recente arrefecimento da inflação, o BCE aumentou as suas expectativas globais e fundamentais para este e para o próximo ano. Espera agora uma inflação global de 5,4% este ano, de 3% em 2024 e de 2,2% em 2025.
O BCE também se tornou mais negativo em relação ao crescimento nos próximos anos, revendo em baixa os seus números de crescimento para 0,9% este ano e para 1,5% em 2024. Uma estimativa feita há três meses apontava para uma taxa de PIB de 1% este ano e de 1,6% em 2024.
O euro subiu face ao dólar, enquanto os rendimentos das obrigações europeias subiram na sequência do anúncio.
“Não estamos a pensar em fazer uma pausa”
O último anúncio do BCE seguiu-se a uma decisão tomada na quarta-feira 14 de Junho, pela Federal Reserve de deixar as taxas inalteradas. O Presidente Jerome Powell disse que as autoridades precisam de mais informações para determinar os próximos passos, mas o banco central projectou outros movimentos de dois trimestres de ponto percentual no final do ano.
Numa conferência de imprensa após a decisão, a Presidente do BCE, Christine Lagarde, disse: “Não estamos a pensar em fazer uma pausa”.
“Terminámos? Terminámos a viagem? Não, não estamos no destino”, disse ela, apontando para pelo menos outro potencial aumento de juros em Julho.
O Banco Central Europeu elevou as taxas de juro em mais um quarto de ponto e anunciou uma deterioração das perspectivas económicas.
Lagarde disse ainda que o banco central não está “satisfeito” com as perspectivas de inflação. No entanto, quis antecipar-se a novas decisões, acrescentando que “a taxa terminal é algo que saberemos quando lá chegarmos”.
Os intervenientes no mercado têm questionado se o BCE terminará este ciclo de subida das taxas quando a sua taxa de depósito estiver em 3,75 ou 4%.
Dados divulgados no início deste mês mostraram que a área de 20 membros entrou em recessão técnica no primeiro trimestre deste ano. O Produto Interno Bruto (PIB) situou-se em -0,1% no período de três meses até Março, após uma contracção de 0,1% no último trimestre de 2022.
Um fraco desempenho económico poderá limitar a capacidade do BCE de aumentar ainda mais as taxas de juro para controlar a inflação. No entanto, os responsáveis do BCE sugeriram anteriormente que é mais importante baixar os preços do que evitar um abrandamento económico.
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