
BVM: Crescimento sólido impulsionado por diversificação e parcerias estratégicas
Se 2023 foi marcado por um desempenho sólido da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), que viu um aumento substancial nos principais indicadores, refletindo um mercado de capitais em expansão e a confiança crescente dos investidores, para 2024 a BVM espera manter essa tendência de crescimento sustentado. Com uma série de estratégias focadas na diversificação e na ampliação da liquidez, a BVM conseguiu consolidar-se como uma plataforma robusta e atractiva para o financiamento de empresas em Moçambique.
Glória Janeiro, Directora de Estudos e Planeamento da BVM, revelou na rubrica “Conjuntura de Mercados”, do programa “Semanário Económico”, exibido no canal STV-Notícias, na última terça-feira, 12/11, que o número de títulos cotados na Bolsa aumentou 29,23% em 2023, alcançando um total de 84 títulos, incluindo Obrigações do Tesouro e Obrigações Corporativas. “Este aumento é uma resposta directa aos nossos esforços para diversificar os sectores económicos e incluir um leque maior de empresas, visando sempre tornar o mercado de capitais acessível e relevante para a economia nacional,” afirmou Janeiro.
A Capitalização Bolsista da BVM atingiu 183.825,46 milhões de meticais, representando um crescimento de 11,89% face ao ano anterior, um indicador claro do interesse crescente em investir no mercado moçambicano. Janeiro destacou que “o aumento da capitalização mostra que o mercado está a consolidar-se como uma plataforma de confiança e que os investidores estão a reconhecer o papel da Bolsa no financiamento da economia moçambicana.” A Directora reforça que o aumento da capitalização foi impulsionado não só pelo crescimento no número de títulos, mas também pela inclusão de novos sectores de negócios.
Outro indicador positivo foi o volume de negócios, que registou um crescimento de 33,12%, atingindo 3.474,73 milhões de meticais, um aumento substancial comparado aos 2.609,15 milhões de meticais em 2022. Para Janeiro, este aumento reflete a maior liquidez e a procura mais activa por oportunidades de investimento. “A liquidez do mercado é uma das nossas prioridades e, com um aumento de 1,96%, situando-se em 12,07%, conseguimos melhorar a confiança dos investidores, assegurando que as transacções se realizem de forma mais eficiente,” explicou Janeiro.
Em termos de diversificação do mercado, 2023 também trouxe a listagem de quatro novas empresas no Terceiro Mercado de Bolsa, uma plataforma voltada para o acesso ao mercado de capitais por pequenas e médias empresas (PMEs). Janeiro enfatizou a importância deste segmento para o crescimento do mercado de capitais, afirmando que “o Terceiro Mercado de Bolsa foi criado para oferecer às PMEs uma alternativa ao financiamento bancário, permitindo que estas empresas tenham acesso ao capital necessário para o seu desenvolvimento e fortalecimento.” Segundo Janeiro, o Terceiro Mercado desempenha um papel essencial para garantir a inclusão de empresas emergentes e pequenas empresas no mercado de capitais.
Com o crescimento expressivo registado nos títulos cotados, na capitalização bolsista e no volume de negócios, a BVM estabeleceu-se como uma instituição cada vez mais essencial para a dinamização da economia moçambicana, atendendo a um leque diversificado de sectores que incluem indústria, serviços financeiros, infraestruturas e energia.
Detalhando os indicadores de referência para o dinamismo da BVM e do mercado de capitais moçambicano, Glória Janeiro, indicou que o mercado bolsista contou com um total de 84 títulos cotados, sendo 43 de Obrigações do Tesouro, 16 de Obrigações Corporativas, 9 de Papel Comercial e 16 Empresas, dados que sustentam o crescimento referido de 29,23%, se comparado com a quantidade de títulos cotados em 2022.
Fazendo a “Conjuntura de Mercados”, a gestora sénior da BVM, analisou a tendência crescente dos indicadores bolsistas que, conforme asseverou, pode ser ilustrada através do principal indicador, a Capitalização Bolsista, que evoluiu ao passar de 164.287,50 Milhões de MT em 2022, para 183.825,46 Milhões de MT em 2023, representando um crescimento em 11,89%.
Relativamente ao volume de negócios, que se situou em 22.190,64 Milhões de MT, representado um crescimento em 33,12%, quando comparado ao período homólogo em 2022, Gloria Janeiro, disse no “Semanário Económico”, que essa variação substancialmente positiva, é reflexo do elevado número de tútulos admitidos à cotação elevada negociação, tanto em quantidade de títulos, como em montantes envolvidos.
“O número de títulos cotados cresceu com mais 26 títulos admitidos à cotação, representando uma realização de 260% da meta de 10 títulos planeados para o ano, enquanto a liquidez do mercado situou-se em 12,07%, isto é, um crescimento em 1,96% se comparado ao período homólogo de 2022, que foi de 10,11”. Explicou
No mesmo período, a Central de Valores Mobiliários (CVM) efectuou o registo de trinta e quatro (34) títulos, representando uma realização de 170% em relação a meta de 20 títulos inicialmente planificados para o ano, tendo-se criadas 707 novas contas na CVM, elevando para 25.470 o número de contas cumulativas existentes. “A admissão de quatro (4) novas empresas, todas no Terceiro Mercado de Bolsa, resultaram numa quantidade global de 20.475.000 novas acções no mercado accionistas, representando um peso de 0,371% na capitalização bolsista do mercado”, afirmou.
Sobre o mercado accionista, referiu-se à este como “mais atractivo”, com 3 empresas (CMH, HCB e Tropigália) a distribuírem dividendos no total de 327,8 milhões MT, o que não acontecia nos anos anteriores. “As empresas emitentes de Obrigações Corporativas pagaram juros no total de 30,4 milhões pela taxa de juro média de 18,77%. A ARKO Companhia de Seguros, SA, teve um maior volume de negociação no 2º Trimestre de 2023 ao negociar 6,7 milhões MT, logo seguida pela CDM e HCB.
“A parceria da BVM com o Sector Empresarial pode impulsionar as empresas ligadas aos sectores de actividade como por exemplo o Agronegócio, Turismo, Pescas, Transportes e Logística, Banca, Indústria Extractiva, Indústria Transformadora, a usarem mais o Mercado de Capitais”, disse a gestora da BVM denunciando o foco estratégico que tem sido prosseguido e que continuara a absorver os esforços institucionais no curto prazo.
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