Chapo Assume Celeridade, Digitalização E Integridade Como Prioridades Da Justiça

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  • Presidente da República compromete o Estado com a simplificação dos procedimentos, redução da morosidade e prestação de contas, medidas consideradas essenciais para proteger os contratos, reduzir os custos das empresas e melhorar a confiança na economia, o investimento privado e a eficiência da actividade económica

Questões-Chave:
  • Presidente da República considera que uma justiça tardia pode deixar de cumprir a sua função;
  • Morosidade processual prolonga conflitos comerciais, imobiliza activos e aumenta os custos das empresas;
  • Aplicação desigual da lei reduz a confiança dos cidadãos e dos operadores económicos nas instituições;
  • Transparência, integridade e prestação de contas são determinantes para a qualidade da gestão pública;
  • Transformação digital pode simplificar procedimentos e reduzir o tempo e o custo de acesso à justiça;

A celeridade da justiça, a integridade das instituições e a aplicação igual da lei constituem factores económicos com influência directa sobre o investimento, o funcionamento das empresas e a utilização dos recursos públicos.

Esta é uma das principais leituras económicas do discurso proferido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na abertura do Seminário Internacional sobre Justiça Constitucional e Estado de Direito Global, realizado em Maputo.

Embora a intervenção tenha incidido essencialmente sobre matérias jurídico-constitucionais, as condições apresentadas pelo Chefe do Estado — confiança, previsibilidade, celeridade, transparência e responsabilização — integram a base institucional necessária para o funcionamento de uma economia moderna.

“Uma justiça que chega tarde pode deixar de ser justiça”, afirmou Daniel Chapo, ao exortar as instituições judiciais a reduzirem a morosidade processual, simplificarem procedimentos, aproveitarem as oportunidades da transformação digital e aproximarem os serviços das comunidades.

Morosidade Judicial Tem Um Custo Económico

A demora na resolução de litígios não constitui apenas um problema jurídico. Representa um custo para as empresas, famílias, instituições financeiras e para o próprio Estado.

Quando um conflito contratual permanece durante anos nos tribunais, os activos envolvidos podem ficar imobilizados, as empresas adiam investimentos e os credores enfrentam maior dificuldade para recuperar os recursos concedidos.

A incerteza sobre o prazo de resolução também obriga os operadores económicos a incorporar riscos adicionais nos contratos. Estes riscos podem traduzir-se em preços mais elevados, exigência de garantias adicionais, redução do crédito e menor disposição para estabelecer relações comerciais com empresas pouco conhecidas.

Para as pequenas e médias empresas, o impacto tende a ser mais expressivo. Ao contrário das grandes companhias, estas empresas possuem menor capacidade financeira para suportar processos prolongados, contratar assistência jurídica e manter capital imobilizado enquanto aguardam uma decisão.

A celeridade dos tribunais torna-se, deste modo, uma componente do ambiente de negócios. Uma economia em que os contratos podem ser executados em tempo útil oferece maior segurança aos investidores e reduz os custos associados à incerteza.

Confiança Determina Decisões De Investimento

Daniel Chapo destacou a confiança como uma condição essencial para a sustentabilidade do Estado e das instituições.

“Nenhum Estado se sustenta por muito tempo quando os cidadãos deixam de confiar nas suas instituições”, afirmou, acrescentando que a confiança resulta da coerência entre aquilo que as instituições anunciam e a conduta efectiva dos seus agentes.

No plano económico, a confiança influencia decisões de consumo, poupança, financiamento e investimento. Empresas que não conseguem antecipar a aplicação das regras tendem a adoptar decisões mais conservadoras, reduzir a exposição financeira ou procurar mercados com maior previsibilidade.

A confiança institucional não significa ausência de risco empresarial. Significa que as regras são conhecidas, as decisões administrativas podem ser contestadas, os contratos possuem mecanismos eficazes de execução e os agentes públicos estão sujeitos à lei.

Quando estas condições não estão asseguradas, o risco institucional acrescenta-se aos riscos comerciais, financeiros e operacionais inerentes a qualquer investimento.

Aplicação Desigual Da Lei Distorce A Concorrência

O Presidente da República alertou para a perda de confiança quando os cidadãos percebem a existência de “dois pesos e duas medidas”, quando a lei é aplicada de forma diferente em função da condição social, económica ou política e quando interesses particulares se sobrepõem ao interesse público.

Este problema possui implicações directas sobre a concorrência. Empresas com acesso privilegiado a decisões públicas, contratos, licenças ou mecanismos de protecção podem obter vantagens que não resultam da produtividade, qualidade ou eficiência.

A aplicação uniforme das regras cria condições para que as empresas concorram com base nos preços, capacidade técnica e qualidade dos produtos e serviços.

Em sentido contrário, a percepção de tratamento desigual desencoraja novos concorrentes, reduz o investimento e pode favorecer a concentração dos mercados.

A igualdade perante a lei possui, por isso, uma função económica: impedir que o poder político, administrativo ou financeiro substitua a concorrência como mecanismo de acesso às oportunidades.

Corrupção Reduz Eficiência Da Despesa Pública

Daniel Chapo afirmou que, quando o cidadão denuncia um acto de corrupção, espera que o Estado actue e responsabilize o infractor.

A impunidade em casos de corrupção afecta a economia através do aumento do custo das aquisições públicas, selecção inadequada de fornecedores, execução deficiente de projectos e desvio de recursos que deveriam financiar serviços e infra-estruturas.

A corrupção pode igualmente afastar empresas que não estejam dispostas a suportar custos informais para obter licenças, contratos ou decisões administrativas.

Quando os concursos não asseguram condições iguais, o Estado pode deixar de contratar a proposta com melhor relação entre preço e qualidade. O resultado pode ser uma despesa pública mais elevada, infra-estruturas com menor durabilidade e menor retorno económico dos recursos orçamentais.

A responsabilização não constitui, neste contexto, apenas uma exigência ética ou jurídica. Funciona como mecanismo de protecção do erário público e de melhoria da eficiência económica.

Prestação De Contas Deve Avaliar Resultados

O Presidente defendeu uma governação orientada para resultados, observando que os cidadãos não avaliam o Estado apenas pela qualidade das leis, discursos e planos, mas pelos efeitos produzidos nas suas vidas.

Esta abordagem tem consequências para a gestão económica. A avaliação das políticas públicas deve considerar não apenas os recursos gastos e as actividades realizadas, mas também os resultados alcançados.

Uma estrada não deve ser avaliada apenas pelo montante executado ou pelos quilómetros construídos, mas pela redução dos custos de transporte, melhoria do acesso aos mercados e aumento da circulação de pessoas e mercadorias.

O mesmo princípio aplica-se às políticas de emprego, agricultura, industrialização, educação e protecção social. A governação orientada para resultados exige indicadores mensuráveis, acompanhamento da execução e responsabilização perante desvios ou incumprimentos.

O Chefe do Estado exortou as instituições públicas a cultivarem uma cultura de transparência, integridade, competência e prestação de contas. Segundo afirmou, quem exerce poder público deve explicar como o utiliza, com que finalidade e quais resultados produz para o cidadão.

Justiça Acessível Pode Apoiar A Formalização

A aproximação dos serviços de justiça às comunidades pode igualmente produzir efeitos sobre a formalização da economia.

Pequenos empresários e trabalhadores que não conseguem aceder a mecanismos eficazes de resolução de conflitos tendem a depender de relações informais e acordos baseados apenas na confiança pessoal.

A existência de tribunais acessíveis e mecanismos céleres de mediação e arbitragem permite formalizar contratos, proteger direitos e estabelecer relações comerciais com novos parceiros.

A formalização amplia as possibilidades de acesso ao crédito, participação em concursos, integração em cadeias de fornecimento e crescimento das empresas.

Daniel Chapo defendeu que a Constituição deve garantir a mesma dignidade e protecção ao cidadão pobre, às populações rurais, às mulheres, aos jovens, às crianças, aos idosos e às pessoas com deficiência.

No plano económico, a igualdade de acesso à justiça contribui para proteger activos, rendimentos, emprego e iniciativas empresariais de segmentos com menor capacidade de defesa.

Digitalização Pode Reduzir Tempo E Custos

O Presidente incluiu a transformação digital entre os instrumentos que podem simplificar procedimentos e reduzir a morosidade judicial.

A submissão electrónica de processos, consulta remota, notificações digitais, gestão automatizada de prazos e acesso electrónico às decisões podem reduzir deslocações, custos administrativos e tempo de espera.

A digitalização também pode aumentar a rastreabilidade dos processos, dificultar alterações indevidas e produzir dados para avaliar o desempenho dos tribunais.

O uso da tecnologia exige, entretanto, regras claras sobre protecção de dados, responsabilidade por decisões automatizadas e acesso das populações com menor literacia ou conectividade digital.

Daniel Chapo alertou que os algoritmos já influenciam decisões económicas, políticas e sociais, colocando questões sobre privacidade, direitos fundamentais e responsabilização.

Estado De Direito Integra A Infra-Estrutura Da Economia

Estradas, energia, telecomunicações e sistemas financeiros são habitualmente considerados infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento. A justiça e a qualidade institucional cumprem uma função semelhante: estabelecem as condições em que os agentes económicos celebram contratos, protegem activos e resolvem conflitos.

A existência de boas leis representa apenas uma parte desta estrutura. O efeito económico depende da sua aplicação coerente, da capacidade das instituições e do tempo necessário para produzir decisões.

A distinção feita pelo Presidente entre “Constituição no papel” e “Constituição na vida” pode, assim, ser transportada para a economia: regras formalmente adequadas só melhoram o ambiente de negócios quando são aplicadas de forma previsível, imparcial e tempestiva.

A mensagem económica subjacente ao discurso é que a credibilidade das instituições não constitui um resultado separado do desenvolvimento. É uma das condições para mobilizar investimento, proteger a concorrência, melhorar a despesa pública e assegurar que o crescimento produza resultados concretos na vida dos cidadãos.

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