Chapo Promove Moçambique como Pólo Energético e Logístico Global em Fensiva Diplomática nos EAU

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Presidente apresenta carteira de projectos avaliada em cerca de 50 mil milhões de dólares e reforça aposta no gás, hidroelectricidade e corredores logísticos para atrair investimento directo estrangeiro.

Questões-Chave:
  • Moçambique apresentou uma carteira de projectos energéticos e logísticos avaliada em cerca de 50 mil milhões de dólares;
  • O gás natural e a hidroelectricidade surgem como pilares centrais da estratégia de crescimento e integração regional;
  • O Governo reforça a aposta na atracção de investimento directo estrangeiro em contexto de restrições fiscais internas;
  • Os corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala são apresentados como vectores críticos de competitividade regional.

Moçambique intensificou, esta semana, a sua diplomacia económica ao mais alto nível, com o Presidente da República, Daniel Chapo, a apresentar o país como um dos pólos energéticos e logísticos emergentes da África Austral, durante encontros de alto nível realizados em Abu Dhabi, à margem da Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026. A estratégia passa pela mobilização de investimento directo estrangeiro para projectos estruturantes nos sectores do gás natural, energia hidroeléctrica, logística e infra-estruturas.

Gás natural no centro da narrativa de crescimento

No domínio energético, o Chefe do Estado destacou a existência de quatro grandes projectos estruturantes no sector do gás natural, liderados por operadores internacionais de referência. A italiana ENI desenvolve os projectos Coral Sul e Coral Norte, em Cabo Delgado, avaliados em cerca de 15 mil milhões de dólares, enquanto a TotalEnergies e a ExxonMobil lideram empreendimentos estimados em aproximadamente 20 mil milhões de dólares cada.
Segundo a Presidência, estes projectos deverão gerar fluxos financeiros significativos para a economia nacional nos próximos anos, com impactos ao nível do emprego, das receitas fiscais e do reforço da base produtiva.

Transição energética e aposta hidroeléctrica

Para além do gás, Daniel Chapo reiterou o compromisso do país com a transição energética, sublinhando o papel estratégico da hidroelectricidade. O Presidente confirmou os preparativos para o avanço do projecto Mphanda Nkuwa, na província de Tete, com capacidade prevista de 1.500 MW, bem como a construção da central norte da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que acrescentará cerca de 400 MW à capacidade instalada nacional, com conclusão projectada para 2032.
Estas infra-estruturas são apresentadas como essenciais para assegurar a estabilidade energética interna e reforçar a capacidade exportadora de electricidade para a região da SADC.

Logística e integração regional como vantagem competitiva

No plano logístico, o Presidente destacou a localização geográfica estratégica de Moçambique, servida por três grandes corredores de desenvolvimento — Maputo, Beira e Nacala — considerados determinantes para o escoamento de mercadorias, integração regional e competitividade económica. O Corredor de Maputo, desenvolvido em parceria com a DP World, foi referido como exemplo de cooperação público-privada com impacto regional.

Interesse empresarial e abertura a novos investimentos

À margem da conferência, Daniel Chapo manteve encontros com líderes empresariais internacionais, incluindo representantes do CEO Clubs Network e da Averi Finance, que manifestaram interesse em investir em Moçambique, sobretudo nos sectores da energia, aviação, infra-estruturas, tecnologia e logística. Foram referidas intenções de investimento privado superiores a 300 milhões de dólares, com enfoque inicial na estabilidade energética como motor de desenvolvimento económico mais amplo.


A ofensiva diplomática do Presidente em Abu Dhabi surge num momento em que Moçambique enfrenta constrangimentos fiscais internos e crescimento económico moderado, reforçando a aposta estratégica na captação de capital externo para viabilizar projectos estruturantes. Resta agora saber em que medida esta narrativa de potencial energético e logístico se traduzirá em decisões concretas de investimento e em impactos efectivos sobre a economia real no curto e médio prazo.

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