China Concede Tarifa Zero A 53 Países Africanos E Reforça Ofensiva Comercial No Continente

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Medida Entra Em Vigor Em Maio De 2026 E Amplia Acesso Ao Mercado Chinês Num Contexto De Reconfiguração Geoeconómica

Questões-Chave:
  • China aplicará tarifa zero a importações de 53 países africanos a partir de 1 de Maio de 2026;
  • Essuatíni é o único país excluído devido a relações diplomáticas com Taiwan;
  • Regime amplia esquema anterior que beneficiava 33 países africanos menos desenvolvidos;
  • Comércio China–África atingiu 222 mil milhões USD nos primeiros oito meses de 2025;
  • Défice comercial africano com a China permanece estruturalmente elevado.

A China anunciou que implementará isenção total de tarifas para importações provenientes de 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, a partir de 1 de Maio de 2026 .

A decisão foi divulgada por meios de comunicação estatais chineses e enquadra-se numa estratégia mais ampla de aprofundamento das relações económicas com o continente africano, num momento de crescente competição comercial global.

A única excepção será Essuatíni, país que mantém relações diplomáticas com Taiwan e, por isso, permanece fora do regime preferencial .

Expansão De Um Regime Preferencial Já Existente

Até aqui, o acesso com tarifa zero estava limitado sobretudo a 33 países africanos classificados como “menos desenvolvidos”, cobrindo entre 97% e 98% das linhas tarifárias. A nova medida amplia o regime a praticamente todo o continente.

A iniciativa surge num contexto de incerteza em torno da renovação e aplicação de regimes comerciais ocidentais, como o African Growth and Opportunity Act (AGOA) dos Estados Unidos, e de tensões comerciais entre alguns países africanos e a União Europeia relativamente aos Acordos de Parceria Económica.

Ao ampliar unilateralmente o acesso ao seu mercado, Pequim reforça a sua posição como principal parceiro comercial de África.

Comércio Cresce, Mas Desequilíbrio Persiste

O comércio bilateral entre China e África atingiu 222,05 mil milhões de dólares entre Janeiro e Agosto de 2025, um aumento de 15,4% em termos homólogos.

Contudo, o crescimento tem sido assimétrico. As exportações chinesas para África aumentaram 24,7%, totalizando 140,79 mil milhões de dólares, enquanto as importações chinesas provenientes de África cresceram apenas 2,3%, alcançando 81,25 mil milhões de dólares.

O défice comercial africano com a China atingiu 59,55 mil milhões de dólares nos primeiros oito meses de 2025, aproximando-se do total registado em todo o ano de 2024.

A estrutura das trocas permanece concentrada em matérias-primas africanas — crude, cobre, cobalto e minério de ferro — enquanto as exportações chinesas incluem maquinaria, equipamentos electrónicos e tecnologias de energia renovável.

 

Geopolítica Comercial E Diplomacia Económica

A decisão de Pequim tem igualmente dimensão geopolítica. Economistas estimam que a China poderá abdicar de cerca de 1,4 mil milhões de dólares em receitas tarifárias ao abrigo do novo regime, fortalecendo simultaneamente a sua influência económica e diplomática no continente.

Pequim indicou ainda que continuará a promover acordos de parceria económica conjunta e a expandir mecanismos de facilitação comercial, como canais verdes para exportações africanas.

Num cenário internacional marcado por fragmentação comercial e reconfiguração de cadeias de abastecimento, o gesto posiciona a China como parceiro previsível e estrutural para economias africanas.

Limites Estruturais À Expansão Das Exportações

Apesar da eliminação de tarifas, analistas alertam que persistem barreiras não tarifárias relevantes, incluindo padrões regulatórios, limitações logísticas, défices de financiamento e baixa capacidade industrial de transformação local.

A remoção de tarifas poderá criar oportunidade, mas a capacidade de captura de valor dependerá da diversificação produtiva africana e do fortalecimento de cadeias industriais regionais.

A iniciativa chinesa amplia acesso ao mercado, mas não resolve, por si só, a assimetria estrutural das trocas.

A questão estratégica permanece: conseguirá África converter esta abertura comercial em maior valor acrescentado interno ou continuará dependente de exportação primária?

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