
China: Dados de Abril mostram que a recuperação económica está a perder força, significando um teste para os formuladores de políticas
- Produção industrial, consumo, investimento imobiliário mostram economia a perder fôlego;
- Tanto os motores internos como os motores comerciais do crescimento continuam a uma velocidade reduzida;
- Alto desemprego juvenil é “preocupante”, dizem analistas;
- Luta económica pós-COVID leva a apelos a mais flexibilização das políticas.
O crescimento da produção industrial e das vendas a retalho da China em Abril ficou aquém das previsões, sugerindo que a economia perdeu ímpeto no início do segundo trimestre e intensificando a pressão sobre os decisores políticos para reforçar uma recuperação pós-COVID instável.
O conjunto de dados divulgados terça-feira, 16/05, que também mostrou um novo declínio no investimento imobiliário, aumenta as preocupações sobre as perspectivas para a segunda maior economia do mundo, já que seus motores domésticos e de exportação de crescimento continuam subalimentados.
A produção industrial cresceu 5,6% em Abril em relação ao ano anterior, acelerando em relação ao ritmo de 3,9% visto em Março, mostraram dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O dado ficou bem abaixo das expectativas de alta de 10,9% em pesquisa da Reuters com analistas, embora tenha registado a taxa de crescimento mais rápida desde Setembro de 2022.
As vendas no retalho, um indicador do consumo, saltaram 18,4%, bem acima do aumento de 10,6% em Março, para o maior aumento desde Março de 2021. Os analistas esperavam um crescimento de 21,0%.
Os números anuais foram fortemente distorcidos por contracções em Abril passado, quando o centro financeiro de Xangai e outras grandes cidades estavam sob rigorosos lockdowns e restrições antivírus, o que impactou severamente o crescimento do gigante asiático em 2022.
“Os dados mais fracos do que o esperado de hoje mostram como é difícil manter o motor de crescimento funcionando depois de reiniciá-lo”, disse Bruce Pang, economista-chefe da Jones Lang Lasalle.
“O crescimento ano a ano no 2º trimestre ainda pode parecer elevado, graças a uma base baixa, mas o crescimento sequencial pode experimentar um declínio material”, disseram.
APOIO POLÍTICO
De facto, outros dados tornados públicos na semana passada mostrava redução das importações em Abril, o aprofundamento da deflação à porta das fábricas e os empréstimos bancários piores do que o esperado, sinalizando uma demanda doméstica fraca, aumentando as pressões sobre as autoridades para sustentar a recuperação económica à medida que o crescimento global vacila.
O Banco Central da China manteve a taxa de juros inalterada na segunda-feira, 15/05 como esperado, mas os mercados estão a apostar em mais afrouxamento monetário nos próximos meses, já que os dados de commodities também destacaram bolsas de fraqueza em toda a economia.
A produção média diária de carvão, a produção de alumínio e a produção de aço bruto do País caíram em Abril em relação ao mês anterior.
Zhou Hao, economista da Guotai Junan International, espera que o banco central reduza as taxas de juro “à medida que a pressão da recessão económica ainda permanece”.
O Executivo da China revelou no final de Abril planos para impulsionar o emprego e o comércio, enquanto tenta cumprir sua modesta meta de crescimento de cerca de 5% em 2023, depois de falhar gravemente a meta do ano passado.
FORA DO ‘SWEET SPOT’
O yuan chinês offshore enfraqueceu para uma mínima de dois meses, enquanto o dólar australiano passou de pequenos ganhos iniciais para uma perda após os dados desanimadores.
Além dos problemas de demanda ampla, os formuladores de políticas chineses têm que lidar com ventos contrários das recentes falências de bancos ocidentais, aumento dos custos globais de empréstimos, alta dívida interna e a guerra da Ucrânia.
Os dados também mostraram que o investimento em activos fixos expandiu 4,7% nos primeiros quatro meses de 2023 na comparação anual, desacelerando em relação ao ritmo de 5,1% no período de Janeiro a Março.
O investimento privado em activos fixos aumentou apenas 0,4%, um forte contraste com o salto de 9,4% no investimento das entidades estatais, indicando uma fraca confiança empresarial.
O investimento no sector imobiliário, um pilar fundamental da economia, caiu 16,2% em termos homólogos no mês passado, após uma queda de 7,2% em Março, de acordo com os cálculos da Reuters com base em dados oficiais, uma vez que os investidores permanecem cautelosos devido à uma procura ainda frágil.
As contratações ainda eram baixas entre as empresas cautelosas com suas finanças. A taxa de desemprego juvenil atingiu um recorde de 20,4%, contra 19,6% em Março, o que Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, descreveu como um “sinal preocupante”.
“Com a China agora fora do ponto ideal de reabertura, a esperança de uma nova reparação do sentimento pode estar diminuindo na ausência de acções decisivas do Governo”, disseram economistas do Citi em nota.
“Acreditamos que os formuladores de políticas precisam passar do modo de “esperar para ver” para uma flexibilização proactiva e esperamos um corte de 20 bps na taxa de juros no restante do ano”.
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