Chuvas Já Afectaram Mais de 717 Mil Pessoas em Moçambique e Agravam Pressão Humanitária e Económica

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Número de vítimas sobe para 122 mortos, milhares de infra-estruturas destruídas e perdas agrícolas profundas elevam custos da resposta do Estado num contexto de forte vulnerabilidade climática.

Questões-Chave:
  • Mais de 717 mil pessoas afectadas pela época chuvosa em curso;
  • Registados 122 mortos desde o início do período das chuvas;
  • Quase cinco mil casas totalmente destruídas e mais de 11 mil parcialmente danificadas;
  • Infra-estruturas críticas, agricultura e vias rodoviárias severamente afectadas;
  • Pressão crescente sobre os recursos públicos e a resposta humanitária.

O impacto da actual época chuvosa em Moçambique continua a agravar-se, com o número de pessoas afectadas a ultrapassar 717 mil, incluindo 122 mortes, num cenário que evidencia não apenas uma emergência humanitária, mas também um choque económico significativo, com destruição de infra-estruturas, perdas agrícolas expressivas e crescente pressão sobre a capacidade de resposta do Estado.

Número de Afectados Dispara em Poucas Horas

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, o número de pessoas afectadas subiu rapidamente nas últimas horas, reflectindo a intensidade das chuvas e a propagação das cheias em várias regiões do país.

Desde 1 de Outubro, início oficial da época chuvosa, foram contabilizadas 717.120 pessoas afectadas, correspondentes a 152.914 famílias, um aumento de quase 40 mil pessoas num curto espaço de tempo, sublinhando a natureza dinâmica e ainda evolutiva da crise.

Mortes, Deslocados e Centros de Acomodação Sob Pressão

O balanço oficial aponta para 122 óbitos, com 21 mortes registadas desde 21 de Dezembro, período que coincide com o agravamento das chuvas e das descargas de barragens, tanto nacionais como de países vizinhos.

Dos 93 centros de acomodação abertos desde o início da época, 82 permanecem activos, acolhendo 87.322 pessoas, incluindo 17.524 resgatadas de situações de elevado risco, o que coloca desafios logísticos e financeiros acrescidos às autoridades e parceiros humanitários.

Infra-estruturas Críticas Sofrem Danos Generalizados

Os dados do INGD revelam um impacto profundo sobre infra-estruturas sociais e económicas. Foram afectadas 57 unidades sanitárias, 318 escolas e 44 casas de culto, comprometendo o acesso a serviços essenciais em várias comunidades.

No sector das infra-estruturas de transporte, contabilizam-se danos em sete pontes, 27 aquedutos e cerca de 2.957 quilómetros de estradas, incluindo troços estratégicos como a Estrada Nacional Número Um (N1) e a Estrada Nacional Número Dois (N2), actualmente intransitáveis em vários pontos.

Agricultura e Pecuária Entre os Sectores Mais Penalizados

A actividade agrícola regista perdas severas, com 166.308 hectares de área agrícola afectados, dos quais 74.769 hectares considerados perdidos, afectando directamente 115.092 agricultores.

Na pecuária, foram registadas 64.743 cabeças de gado mortas, entre bovinos, caprinos e aves, comprometendo meios de subsistência e a segurança alimentar de milhares de famílias, com potenciais efeitos inflacionários a médio prazo.

Operações de Resgate Dependem de Meios Aéreos

As operações de salvamento continuam activas, particularmente nas províncias de Maputo e Gaza, onde centenas de famílias permanecem isoladas, algumas refugiadas em telhados de habitações.

Mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo apoio da África do Sul, estão envolvidos nas operações, condicionadas pelas condições meteorológicas adversas e pela complexidade do terreno.

Custos Económicos e Pressão Sobre as Finanças Públicas

Para além do impacto humano, a dimensão dos danos traduz-se num custo económico elevado, agravando a pressão sobre as finanças públicas, num contexto em que o Governo já reconheceu necessidades financeiras superiores a 100 milhões de dólares para responder à crise.

A conjugação de despesas emergenciais, reconstrução de infra-estruturas e apoio à recuperação económica coloca desafios significativos à sustentabilidade orçamental e reforça a dependência de apoio externo.

Emergência Climática Exige Respostas Estruturais

A evolução da actual época chuvosa volta a expor a elevada vulnerabilidade climática do país, colocando na agenda económica e política a necessidade de investimentos estruturais em resiliência, ordenamento do território, sistemas de drenagem e gestão integrada de bacias hidrográficas.

Enquanto as chuvas persistirem, as autoridades mantêm o apelo à prudência da população e à cooperação institucional, sublinhando que a prioridade imediata continua a ser a salvaguarda de vidas humanas.

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