
Comércio electrónico ganha espaço no país
Num contexto já de si de desaceleração económica, a pandemia da COVID-19 veio propiciar o aumento no comércio eletrónico e à aceleração da transformação digital. É mesmo um caso de crise que gerou oportunidades.
Segundo a eMarketer, empresa norte-americana especializada em pesquisa de mercado, a transição em massa dos consumidores para o e-commerce durante a pandemia poderá ter aumentado a quota do comércio eletrónico no comércio a retalho em três pontos percentuais, de 14% em 2019 para cerca de 17%, resultando em 3,91 biliões de dólares em vendas online em 2020.
À medida que as restrições se tornaram o novo normal, as empresas e os consumidores tornaram-se cada vez mais digitais, fornecendo e comprando mais bens e serviços online. Uma tendência que deverá continuar ao longo da recuperação da COVID-19.
Em Moçambique, não existem dados concretos, mas, a semelhança da tendência a escala global, existem evidências de que a pandemia acelerou o processo de transição digital, com os consumidores a migrarem das compras físicas para as plataformas digitais, ainda que muito aquém do nível dos países desenvolvidos.
“Com o surgimento da pandemia, muitas empresas que tinham seus produtos e serviços de forma física foram obrigadas a entrar no mundo digital”, destaca Aldo Kangomba, Secretário executivo na Associação Moçambicana de Profissionais e Empresas de Tecnologias de Informação – AMPETIC.
Comentando sobre a evolução do comércio electrónico no país, Kangomba explica que a tendência de migração para as compras online surge da necessidade dos vendedores manterem-se mais perto dos seus clientes, no actual contexto de restrições, mas não só, existem ganhos de comodidade e eficiência.
No caso de Moçambique, a transição digital está, igualmente, a conhecer um período de aceleração, não só devido a COVID-19, mas também a evolução da própria estrutura da economia.
Se, por um lado, o comércio eletrónico encontrou uma oportunidade para fortalecer e promover a economia nacional, por outro, coloca em evidência a falta de um quadro regulatório forte e alinhado à esta indústria.
Além dos problemas relativos a segurança e fiabilidade, o défice na legislação sobre o comércio electrónico tem implicado perdas de receitas pelo Estado, visto que a tributação específica deste tipo de actividades, não é devidamente alcançada pelo quadro em vigor.
“As entidades competentes precisam criar mecanismos (regulamentos e políticas), porque sem esses instrumentos que possam orientar o comércio electrónico fica complicado resolver certas situações”, explicou Kangomba, tendo acrescentado que, a criação do selo electrónico constituiria um importante passo na melhoria do ambiente regulatório do sector.
Numa outra perspectiva, o ritmo de crescimento do comércio electrónico no país despoleta um certo cepticismo relativamente a emergência da percepção de existência de concorrência desleal, por parte dos operadores do comércio electrónico perante os tradicionais.
Céptico quanto a consistência dessa percepção, o consultor Frederico Silva, afirma que dificilmente haveria espaço para tal situação, dada a natureza conservadora do mercado nacional. “Não é uma evolução repentina, a inovação num mercado como o nosso leva o seu tempo”, explicou, acrescentando que: “as pessoas que estão no segmento de baixa renda, por exemplo, vão demorar muito mais a fazer compras online e vão continuar a alimentar o comércio convencional”.
Na análise de Frederico Silva, o governo precisa investir na construção de um ecossistema de comércio eletrónico que permite alterações nas políticas públicas e nas práticas empresariais para melhorar as infraestruturas digitais e comerciais, além de estabelecer um quadro legal e regulamentar adequado às transações e segurança online.
Ver mais:
- Promoção do comércio e competitividade das exportações
- Produção do sector privado cai pelo sétimo mês consecutivo
















