Moçambique tem potencial para tornar-se num Hub industrial

Moçambique tem potencial para tornar-se num Hub industrial

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Moçambique tem potencial para tornar-se num Hub industrial na região, precisando, para tal, aumentar a escala de produção. Esta é a ideia central defendida pelos industriais nacionais, que veem no seu ramo um enorme potencial para estimular a produção nacional, substituir importações e promover a diversificação da economia.

Com uma base de especialização muito limitada, a indústria moçambicana é composta fundamentalmente por empresas de micro e pequena dimensão, correspondendo a mais de 90% do tecido industrial. A contribuição no PIB situa-se abaixo de 8%.

A indústria tem crescido a taxas cada vez menores, nos últimos anos, tendo registado um crescimento de 4,7% entre 2018-2019, impulsionado pelo crescimento registado nas indústrias extractiva e transformadora, que contribuíram com 39,0% e 61,0% do valor de produção alcançado em 2019, respectivamente, segundo dados do INE.

Não obstante a tendência recente de “desindustrialização”, com a redução da contribuição da indústria para o PIB, na óptica do sector industrial, o país reúne as condições necessárias para tornar-se um Hub industrial ao nível da região, não só devido a sua localização geo-estratégica, mas também pela sua dotação em recursos.

Os industriais defendem que a realização desse potencial passa pelo desenvolvimento da escala de produção, assim como da eliminação de alguns constrangimentos de carácter estrutural que têm impedido um crescimento mais sustentado do sector industrial. “Precisamos de escala, nas condições em que estamos agora, é pouca a escala”, destacou o Engº. Rogério Samo Gudo, presidente da Associação Industrial de Moçambique – AIMO, explicando que, para a actual dimensão da economia nacional, o país ainda não apresenta escala suficiente para a geração de ganhos.

Neste contexto, Samo Gudo, aponta para a necessidade de uma aposta na produção em escala, ao mesmo tempo que a economia compete livremente com os restantes países da região.  O presidente da AIMO, vê na falta de musculatura da indústria nacional um factor que inviabiliza a necessidade de um proteccionismo elevado. A economia precisa continuar a competir, “o que nós queremos é que a nossa economia continue a ser competitiva, não vale a pena protegê-la demasiadamente”, ajustou.

No mesmo diapasão, comentando sobre a tendência do processo de industrialização no país, Bernardo Aparício, Director da banca Corporate e Investimentos do ABSA, afirma que este não é um processo disruptivo, ou seja, o país irá gradualmente criando condições para que a industrialização ocorra a um ritmo mais acelerado.  “Isto é um processo evolutivo. Há aqui um processo porque teremos que passar, que implica a protecção da produção nacional, iniciativas de fundo para a capacitação da mão-de-obra e das próprias empresas e a criação de mecanismos de financiamento”, explicou.

 

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