
Cortes da produção da OPEP+: Estratégia prolongada até 2025 sustenta preços do petróleo – Goldman Sachs
- Grupo produtor adia aumento de produção planejado e mantém cortes para estabilizar mercados, com Brent projetado a US$ 76 por barril em 2025.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (OPEP+) decidiram prolongar os cortes na produção até Abril de 2025, segundo análise do Goldman Sachs, que reviu suas projecções de mercado após a última reunião do grupo, realizada em 3 de novembro. A estratégia visa sustentar os preços do petróleo no curto prazo, num cenário de incertezas globais e demanda enfraquecida.
A produção do Iraque, Cazaquistão e Rússia já registou uma queda de 0,5 milhão de barris por dia em Novembro, em conformidade com os cortes voluntários implementados pelos membros da OPEP+. A Arábia Saudita, líder do grupo, indicou disposição para continuar os cortes devido à recente desvalorização do Brent, que atualmente oscila entre US$ 70 e US$ 80 por barril.
Cenário actual e projecções de preços
Apesar dos cortes de produção, os futuros do Brent foram negociados recentemente a US$ 73,19 por barril, enquanto o WTI dos EUA alcançou US$ 69,16. A previsão para 2025 mantém-se em US$ 76 por barril, refletcindo uma expectativa de estabilidade relativa, mas ainda sujeita a flutuações causadas por fatores geopolíticos e pela evolução da demanda global.
A reunião do grupo, marcada para 1º de dezembro, deverá discutir a continuidade da descontinuação gradual dos cortes, que somam atualmente 2,2 milhões de barris por dia. No entanto, a decisão final será influenciada pela fraca recuperação da demanda global e pela produção crescente fora da OPEP+, como o petróleo de xisto nos Estados Unidos.
Implicações geopolíticas
O recente cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, mediado pelos Estados Unidos e França, trouxe alguma estabilidade temporária ao mercado, mas a volatilidade continua uma preocupação. “A ausência de tendências claras sugere que os traders esperam que a reunião da OPEP+ adote uma abordagem conservadora, focada na manutenção de preços”, afirmou Chris Weston, Chefe de Pesquisa da Pepperstone.
Enquanto isso, a política comercial do Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que propõe uma tarifa de 25% sobre produtos do México e Canadá, levanta incertezas adicionais. Embora o petróleo bruto esteja temporariamente isento, sanções e tarifas podem impactar a cadeia global de fornecimento.
Desafios e perspectivas
O prolongamento dos cortes da OPEP+ insere-se na tentativa do grupo de equilibrar o mercado numa conjuntura desafiante. A menor demanda na China e o aumento das reservas de combustível nos EUA adicionam pressão sobre os preços, enquanto os esforços para estabilização continuam.
Com as reservas de petróleo bruto nos EUA a cair mais do que o esperado, o mercado demonstra alguma resiliência, mas permanece vulnerável a choques externos.
Analistas destacam que a estratégia da OPEP+ de ajustes graduais é crucial para evitar oscilações bruscas e sustentar os preços ao longo de 2025.
A próxima reunião será decisiva para determinar a trajetória do mercado de petróleo, num momento em que a cooperação entre os membros do grupo será essencial para enfrentar as incertezas globais e preservar a relevância estratégica da OPEP+ no cenário energético mundial.
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