
COVID-19: Actividade empresarial continuou a cair em Junho, mas foi a taxa mais reduzida desde Março
De acordo com os últimos dados do PMI do Standard Bank, publicados hoje, há um declínio considerável no sector privado moçambicano, enquanto vigoram as medidas de isolamento obrigatório criadas para travar a propagação da doença por coronavírus 2019 (COVID-19). De Março a esta parte, a taxa de declínio na actividade empresarial foi a mais lenta.
Sublinha o PMI do Standard Bank que a actividade empresarial registou uma descida abrupta em Junho, com muitas empresas a fechar e outras a enfrentar quedas acentuadas na procura. Os números relativos ao emprego também diminuíram, ainda que ligeiramente”. Não obstante, prossegue o estudo, as empresas continuavam confiantes num aumento da produção, no decorrer do próximo ano.
“O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ Index™ (PMI™). Valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições para as empresas no mês anterior, enquanto os registos abaixo de 50,0 mostram uma deterioração”.
Assim, “o principal indicador do PMI situou-se nos 41,7 em Junho, o valor mais alto em três meses, reforçado na sequência do valor mais baixo de sempre, registado em Abril”. Todavia, considera o Standar Bank que o registo assinalou um forte declínio nas condições para as empresas, com os principais índices, como a produção, novas encomendas e emprego, a situarem-se abaixo do valor neutro de 50,0.
Quanto à actividade empresarial, dados apontam que caiu a um ritmo substancial no mês passado nas empresas moçambicanas, situação essa que foi predominantemente associada à pandemia de coronavírus e ao prolongamento das medidas de isolamento obrigatório ao longo do mês. No entanto, ressalva o banco, a taxa de declínio foi a mais lenta desde março.
“As condições de procura registaram igualmente um abrandamento, à medida que as novas encomendas caíam abruptamente no sector privado”. Segundo explica o PMI, isto levou a que as empresas reduzissem a aquisição de meios de produção e limitassem os stocks. Em contrapartida, anota o estudo, as taxas de declínio dos três indicadores foram as mais baixas dos últimos três meses.
“Entretanto, as empresas moçambicanas conseguiram reduzir as encomendas de forma acentuada, em Junho, evidenciando uma capacidade excedentária à medida que a procura diminuía. O menor crescimento das vendas também levou as empresas a reduzir os recursos humanos, embora este tenha sido um declínio ligeiro”, revela.
Os esforços para reduzir os custos, por conseguinte, implicou uma descida dos salários no sector privado a um ritmo sem precedentes, em Junho, com os membros do painel a aplicar reduções salariais significativas por forma a lidar com o abrandamento das receitas durante a pandemia. Ressalva o documento que os custos totais dos meios de produção caíram pelo terceiro mês consecutivo, impulsionados por uma descida nos preços dos fornecedores. Os encargos com a produção também registaram um declínio, motivado sobretudo pelos descontos para os clientes.
“Os fornecedores continuaram a enfrentar dificuldades no fornecimento das empresas devido ao isolamento obrigatório a nível nacional, o que provocou um aumento ainda maior dos prazos de entrega. Em particular, a deterioração registou o valor mais alto na história da série (que começou em abril de 2015)”.
Por último, e apesar do baixo nível de actividade e de procura pelo terceiro mês consecutivo, sustenta o estudo, em Moçambique, a confiança das empresas em relação à produção futura manteve-se forte. “A maioria das empresas salientou que ainda esperam um crescimento nos próximos 12 meses, contando que o isolamento obrigatório seja retirado em breve”.

















