
Crescimento Mundial Para 2025 Revisto em Baixa, Mas Sinais De Desinflação Dão Esperança
- Economia global deverá crescer 3,1% em 2025, com desaceleração mais forte nas economias avançadas, enquanto a inflação recua de forma gradual
- Projecções do FMI apontam para crescimento global de 3,1% em 2025, após 3,2% em 2024;
- Economias avançadas abrandam para 1,6%, penalizadas pela política monetária restritiva e menor dinamismo da Zona Euro e dos EUA;
- China enfrenta travão mais acentuado, com expansão de apenas 3,9%, reflexo da crise no sector imobiliário e das tensões comerciais;
- Inflação global recua de 5,6% em 2023 para 4,5% em 2024 e 3,8% em 2025, aproximando-se gradualmente da meta das principais autoridades monetárias;
- FMI alerta para riscos persistentes: escalada das tensões geopolíticas, fragmentação do comércio e vulnerabilidades da dívida em economias emergentes.
A economia mundial deverá crescer 3,1% em 2025, uma ligeira desaceleração face aos 3,2% registados em 2024, segundo o World Economic Outlook (WEO) divulgado em Julho pelo Fundo Monetário Internacional. Apesar do abrandamento, o relatório sublinha que a desinflação está a ganhar força, aproximando as taxas globais dos níveis meta, ainda que persistam riscos elevados.
De acordo com o FMI, as economias avançadas são o principal motor da desaceleração, com crescimento projetado em apenas 1,6% em 2025, contra 1,8% no ano anterior. Nos Estados Unidos, o PIB deverá crescer 2,0%, com a política monetária restritiva e a desaceleração do consumo a condicionarem a expansão. Já na Zona Euro, a previsão é de 1,2%, marcada por fraca procura interna e persistência de juros elevados.
A China, segunda maior economia do mundo, regista uma revisão em baixa significativa: o crescimento deverá cair para 3,9% em 2025, reflexo da prolongada crise no sector imobiliário, do enfraquecimento da procura externa e da intensificação das tensões comerciais com os Estados Unidos e aliados.
Nas economias emergentes e em desenvolvimento, a expansão será mais robusta (4,2%), sustentada pela resiliência do consumo interno, preços relativamente elevados das matérias-primas e maior dinamismo da Ásia emergente. Contudo, os riscos da dívida continuam a pesar fortemente sobre vários países, particularmente os de baixo rendimento.
O relatório também destaca a trajectória de desinflação. Após atingir 5,6% em 2023, a inflação global deverá cair para 4,5% em 2024 e 3,8% em 2025. Nos EUA e na Zona Euro, as taxas caminham para perto da meta de 2%, permitindo que os bancos centrais preparem cortes graduais de juros. Ainda assim, o FMI adverte que uma eventual inversão do processo de queda da inflação poderia levar a novas pressões monetárias.
Entre os riscos assinalados estão a intensificação dos conflitos geopolíticos, a escalada das tensões comerciais e a maior fragmentação das cadeias de abastecimento globais. Além disso, o elevado nível de dívida pública e privada em várias economias emergentes representa um potencial factor de instabilidade, caso as condições financeiras internacionais se deteriorem.
Em suma, o FMI conclui que, apesar de o crescimento global se manter modesto e desigual, a melhoria do quadro inflacionário traz algum alívio e abre espaço para políticas monetárias menos restritivas nos próximos trimestres.
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