
Daniel Chapo Leva Experiência Moçambicana Ao Centro Do Debate Global Sobre Fragilidade E Resiliência
- Presidente da República é o único Chefe de Estado convidado para co-presidir o Fórum sobre Fragilidade 2026 do Banco Mundial, num reconhecimento internacional da experiência moçambicana na gestão de conflitos, construção da paz e fortalecimento da resiliência comunitária.
- Daniel Chapo é o único Chefe de Estado convidado para co-presidir o Fórum sobre Fragilidades 2026 do Banco Mundial;
- Evento reúne governos, instituições multilaterais, académicos e especialistas em segurança e desenvolvimento;
- Moçambique é apresentado como caso de estudo na gestão de conflitos, deslocação forçada e construção da paz;
- Debate internacional desloca-se da resposta militar para abordagens centradas no desenvolvimento e inclusão;
- Participação reforça a projecção internacional de Moçambique nos debates sobre resiliência e desenvolvimento sustentável.
O Presidente da República, Daniel Chapo, encontra-se em Washington DC para participar, na qualidade de convidado de honra e co-presidente, no Fórum sobre Fragilidade 2026 do Grupo Banco Mundial, um dos mais relevantes espaços globais de reflexão sobre conflitos, violência, fragilidade institucional e desenvolvimento sustentável.
Daniel Chapo é o único Chefe de Estado convidado para a sessão inaugural do encontro, que será co-presidida juntamente com o Presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, facto que confere uma dimensão particularmente significativa à participação moçambicana.
Ao que o O.Económico conseguiu apurar junto de fontes próximas da missão moçambicana, ao Fórum sobre Fragilidade 2026, do Grupo Banco Mundial, mais do que uma presença protocolar, o convite constitui um reconhecimento internacional da experiência acumulada por Moçambique na gestão de desafios complexos que marcaram a última década, incluindo a insurgência armada em Cabo Delgado, crises de deslocação interna, eventos climáticos extremos e desafios persistentes relacionados com pobreza, emprego e fortalecimento institucional.
De Receptor De Apoio Internacional A Referência Em Resiliência
A escolha de Moçambique para ocupar um lugar de destaque no fórum reflecte uma mudança gradual na forma como o país é percepcionado pelas instituições multilaterais.
Durante anos, Moçambique foi sobretudo visto como um dos principais beneficiários de programas internacionais de assistência humanitária, reconstrução pós-desastres e apoio ao desenvolvimento.
Contudo, a evolução recente do contexto nacional permitiu ao país acumular experiências relevantes na articulação entre segurança, desenvolvimento económico, governação local e fortalecimento da resiliência das comunidades.
Segundo os documentos divulgados pela Presidência da República, o Banco Mundial pretende precisamente recolher lições práticas sobre abordagens que demonstraram capacidade de produzir resultados em contextos marcados por fragilidade e instabilidade.
O caso moçambicano assume particular interesse porque o país enfrentou simultaneamente desafios de natureza securitária, humanitária, climática e socioeconómica, sem que as instituições do Estado tenham entrado em colapso.
“A participação de Moçambique neste Fórum representa mais do que um reconhecimento internacional da experiência do nosso País. Constitui uma oportunidade para partilharmos lições concretas sobre como sociedades confrontadas com desafios complexos podem construir resiliência, fortalecer instituições e criar condições para um desenvolvimento sustentável. Moçambique chega a este debate não apenas como beneficiário de programas de apoio, mas também como um país que acumulou experiências relevantes na gestão de crises, na promoção da paz, na recuperação de comunidades afectadas por conflitos e eventos climáticos extremos, e na construção de soluções que articulam segurança, desenvolvimento económico e inclusão social. Acreditamos que estas experiências podem contribuir para o debate global sobre fragilidade e, simultaneamente, enriquecer a nossa própria agenda de transformação económica e desenvolvimento.”. Afirmou Salim CriptonValá, Ministro da Planificação e Desenvolvimento, a margem dos encontros que decorrem em Washington.
Fragilidade Deixa De Ser Apenas Uma Questão De Segurança
O Fórum sobre Fragilidade 2026 decorre sob o lema “Acção Transformadora para os Lugares Mais Complexos do Mundo” e reflecte uma evolução importante na abordagem internacional aos contextos considerados frágeis.
Se durante muitos anos o debate esteve fortemente centrado em operações militares e mecanismos de resposta à violência, hoje o foco desloca-se cada vez mais para factores estruturais ligados ao desenvolvimento económico, criação de oportunidades, fortalecimento institucional, inclusão social e adaptação às mudanças climáticas.
O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, adiantou que as discussões irão abordar fragilidades enquanto fenómeno multidimensional, envolvendo questões de segurança, violência, vulnerabilidade climática, capacidade institucional e coesão social.
“Esta abordagem encontra particular relevância para África, onde muitos dos desafios contemporâneos resultam da intersecção entre pobreza, exclusão económica, pressões demográficas, fragilidade institucional e exposição crescente aos efeitos das alterações climáticas”, frisou Salim Valá.
“Além do tripé importante, assente na fragilidade, conflitos e violência, é fundamental ter presente a vulnerabilidade dos países à choque internos e externos, incluindo crise económicas, climáticas, epidemiológicas e de cpnflitualidades persistentes”. Ajustou.
Para o Governo o evento permitirá, ainda, “trazer ao de cima o reforço da capacidade institucional, a melhoria da prestação de serviços essenciais, a ampliação de oportunidades de emprego para jovens, como estratégia de melhor explorar o dividendo demográfico em Moçambique”, conforme sublinhou o Ministro da Planificação e Desenvolvimento.
A Pergunta Que Continua Em Aberto
Apesar dos progressos alcançados, persistem questões fundamentais sem resposta definitiva.
A principal delas consiste em saber como transformar ganhos de segurança em desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.
Trata-se de um desafio que não é exclusivo de Moçambique. Pelo contrário, constitui uma das principais preocupações de governos, instituições financeiras internacionais e agências de desenvolvimento que actuam em contextos pós-conflito.
O fortalecimento das economias locais, a criação de emprego para os jovens, a expansão dos serviços públicos e a atracção de investimento privado continuam a ser considerados elementos centrais para consolidar ganhos alcançados no plano da segurança.
Projecção Internacional Com Relevância Económica
Para além da dimensão diplomática, a participação de Daniel Chapo assume igualmente relevância económica.
O facto de Moçambique ser colocado no centro de um dos principais fóruns globais promovidos pelo Banco Mundial reforça a visibilidade internacional do país junto de decisores políticos, financiadores, investidores e parceiros de desenvolvimento.
Num contexto em que Moçambique procura mobilizar recursos para financiar infra-estruturas, promover a industrialização, acelerar a recuperação de Cabo Delgado e implementar a sua agenda de desenvolvimento económico, a projecção internacional constitui um activo estratégico relevante.
Ao partilhar a experiência moçambicana num palco global, o país não apenas contribui para o debate internacional sobre fragilidade e resiliência, mas também reforça o seu posicionamento como actor relevante nas discussões sobre paz, desenvolvimento e transformação económica em África.
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