Moçambique quer consolidar posição de fornecedor de energia à região

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A implementação do calendário de desenvolvimento do sector eléctrico ao nível da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), tem estado a desafiar os países membros a intensificar reformas nos mercados dos respectivos países que permitam a libertação do potencial eléctrico existente e tornar a região estável e autossuficiente nesse domínio

Moçambique é tido nesse contexto, como preponderante no fornecimento de energia na região, devido ao potencial de fontes e recursos, incluindo o gás natural de que dispõe, reforçadas com os projectos de LNG em curso e em vista, nos quais o gás natural pode se assumir a breve trecho como principal matéria prima para geração de electricidade no nosso País e para fornecimento a região.  Neste momento, o nosso país exporta energia eléctrica para cinco países da região. 

Entretanto, a inexistência de infraestruturas de electricidade suficientes, particularmente em Moçambique e, até um certo nível, na região, torna premente a criação de uma rede de infraestruturas de transporte de energia eléctrica e exportação desta energia para os diferentes países da região.

Reuniões decorridas esta semana, em Maputo, que buscaram acelerar a implementação de projectos de interligação regional, com o objectivo de incrementar as transacções de energia entre os países da SADC, assim como cobrir a procura nos próximos anos, e impulsionar o acesso à energia para as populações, estimulando o desenvolvimento industrial ao nível da região

Em parceria com o Banco Mundial e a Southern African Power Pool (SAPP), a Electricidade de Moçambique (EDM), uma das protagonistas nesta interligação, considera a perspectiva da interligação da rede eléctrica da região, como um estímulo para a melhoria da situação interna na matéria, contribuindo para a expansão do acesso à energia elétrica em todo o país, no contexto da iniciativa “energia para todos “até 2030.

A par dessa aspiração interna, o nosso país pretende se consolidar como referência na exportação de energia eléctrica para a região e, por via disso, contribuir para a balança comercial do País.

Neste momento existem diferentes projectos, em diferentes estágios de implementação.  A rede eléctrica nacional já estará ligada, a curto prazo, às do Malawi, Tanzânia, Zimbabwe, Zâmbia, sendo que com a Africa do Sul, já existem interligação via Hidroelétrica de Cahora Bassa. Mas há outros países da região perfilados para receber energia eléctrica de Mocambique, no quadro da iniciativa Southern African Power Pool (SAPP), que coordena o sector eléctrico a nível da SADC.

Pedro Nguelume, da EDM, referindo-se as quantidade de energia a ser disponibilizada para esta interligação, clarificou que cada uma das linhas projectadas vai ter um nível de utilização diferente.

“São várias linhas e termos de utilização com níveis de 400 kilovolts e 450 kilovolts (Kv), mas em função daquilo que for o potencial que tivermos, vamos poder utilizá-las da forma mais rentável possível. Por exemplo, no projecto de Temane, cerca da metade da energia deve ser disponibilizada à região da SADC, e estamos a falar de 200 a 250 Megawatt (MW)”, afirmou.

Actualmente, a iniciativa de interligar a região está em fase de desenvolvimento, num mecanismo de mobilização de recursos financeiros para os projectos, pelo que a SAPP está a visitar as empresas de electricidade da região, incluindo a EDM, para testar o modelo adequado.