FENA Reforça A Ambição De Nampula Como Pólo De Produção, Transformação E Investimento

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  • Na abertura da VII edição da Feira Económica de Nampula, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, defendeu uma estratégia centrada na valorização local dos recursos, no fortalecimento das cadeias produtivas e na integração das empresas nos mercados nacionais e internacionais.

Questões-Chave

  • A VII FENA reúne mais de 300 expositores nacionais e estrangeiros, provenientes de Nampula, de outras províncias e de países parceiros.
  • O Governo enquadra a feira na Política e Estratégia Comercial 2023–2032, no PRONAI e na Estratégia Nacional de Desenvolvimento.
  • A prioridade passa por transformar localmente os recursos da província, reforçar o tecido empresarial e gerar mais emprego e rendimento.
  • A localização de Nampula, os corredores logísticos e o Porto de Nacala são apontados como vantagens para a expansão dos mercados e do investimento.

A Feira Económica de Nampula voltou a posicionar-se como uma plataforma de afirmação empresarial, promoção do investimento e mobilização de parcerias para o desenvolvimento, num momento em que a província procura transformar o seu vasto potencial produtivo em mais valor acrescentado, emprego e prosperidade local.

Na abertura da VII edição da FENA, realizada sob o lema “Nampula: Porta Aberta ao Futuro”, o Ministro da Economia, Basílio Zefanias Muhate, defendeu que o certame deve ser entendido como parte de uma agenda económica mais ampla, orientada para o reforço da produção nacional, a industrialização, a diversificação dos mercados e a melhoria da competitividade do País.

Com mais de 300 expositores de diferentes sectores, oriundos dos distritos de Nampula, de várias províncias e de países parceiros, a FENA confirma a sua evolução de espaço expositivo para uma plataforma de contacto entre produtores, empresários, investidores, consumidores e instituições públicas.

Segundo o discurso do Ministro da Economia, a feira constitui um instrumento de aproximação entre ideias, oportunidades, investimentos e negócios, criando condições para fortalecer o sector privado, estimular a inovação e ampliar as ligações entre a produção e os mercados.

Da Exposição Ao Negócio E À Transformação Produtiva

A visão apresentada pelo Governo coloca a FENA no centro dos esforços para tornar Nampula mais integrada nas dinâmicas nacionais, regionais e internacionais de comércio e investimento.

O enquadramento da feira está associado à Política e Estratégia Comercial de Moçambique 2023–2032, que preconiza o estímulo à produção, à diversificação de bens e serviços, ao aumento das exportações e à promoção do investimento. Articula-se igualmente com o Programa Nacional de Industrialização, o PRONAI, que privilegia o aumento da produção industrial com recurso a matéria-prima local, a transformação rural e a criação de emprego e rendimento, sobretudo para jovens e mulheres.

Esta articulação revela que o principal desafio não reside apenas em expandir a produção. Está, sobretudo, em garantir que uma parcela crescente da riqueza gerada pelos recursos agrícolas, minerais, energéticos e turísticos seja retida e transformada dentro da própria província.

Para Nampula, isso implica criar condições para que os produtos deixem de sair predominantemente como matéria-prima e passem a alimentar actividades de processamento, embalagem, armazenamento, transporte, comercialização e indústria local.

Distritos Chamados A Criar Cadeias De Valor

No discurso de abertura, Basílio Muhate defendeu uma abordagem progressiva, na qual cada distrito possa desenvolver pequenas unidades industriais ou iniciativas de transformação adaptadas às suas vocações produtivas.

A perspectiva é de que a descentralização da actividade económica não seja apenas administrativa, mas também produtiva. Nas zonas com forte produção agrícola, por exemplo, o objectivo passa por criar mais capacidade de processamento e conservação. Nas áreas com recursos específicos, o desafio será gerar negócios ligados à sua transformação, logística e integração em mercados mais amplos.

Este modelo pode permitir que uma parte maior do valor dos recursos fique nas comunidades, alargando oportunidades para pequenos produtores, cooperativas, micro, pequenas e médias empresas, jovens empreendedores e mulheres empresárias.

A aposta também exige uma cultura de valorização e consumo do que é produzido localmente. O reforço da procura por produtos nacionais e provinciais é apresentado como condição para sustentar empresas, criar escala produtiva e estimular novos investimentos em sectores de transformação.

Capital Humano E Logística Como Vantagens Estratégicas

O Ministro da Economia destacou que Nampula reúne vários factores capazes de a consolidar como um dos principais pólos económicos de Moçambique. A província possui uma população jovem, trabalhadora e empreendedora, uma base diversificada de recursos naturais e actividades económicas, bem como uma localização geográfica estratégica.

A ligação aos corredores logísticos e ao Porto de Nacala reforça esta posição. Estas infra-estruturas permitem aproximar produtores e empresas dos mercados nacionais, regionais e internacionais, abrindo oportunidades para a agricultura comercial, o agro-processamento, a indústria, o comércio, a logística e as exportações.

Mas as vantagens naturais e logísticas, por si só, não garantem desenvolvimento. A transformação do potencial em riqueza exigirá investimento, qualificação profissional, maior acesso a financiamento, mercados mais previsíveis e empresas com capacidade de responder a padrões de qualidade cada vez mais exigentes.

É neste ponto que a FENA assume relevância: ao reunir empresas, instituições financeiras, investidores, entidades públicas e empreendedores, o evento pode ajudar a encurtar a distância entre uma ideia de negócio e a sua concretização.

Nampula Como Porta Aberta Ao Futuro

O lema da edição — “Nampula: Porta Aberta ao Futuro” — procura traduzir uma província disponível para receber investimento, promover inovação, apoiar o empreendedorismo e aprofundar a cooperação económica.

A ambição é transformar o dinamismo empresarial e a diversidade de recursos de Nampula numa trajectória de crescimento mais inclusiva, assente em cadeias de valor locais, maior transformação produtiva e geração sustentável de emprego.

A FENA decorre, assim, como uma vitrina das potencialidades da província, mas também como um espaço de trabalho económico. O seu sucesso será medido pela capacidade de converter contactos em parcerias, exposições em negócios, recursos em produtos transformados e oportunidades em rendimento para as famílias.