
FMI vê oportunidades conquistadas, mas incertezas internacionais crescentes podem ser uma ameaça
- Há uma recuperação económica continuada
“Vivemos tempos interessantes no País, com muitas oportunidades conquistadas, mas com um pano de fundo de incertezas internacionais crescentes”, disse o Representante Residente do FMI em Moçambique Alexis Cirkel, a quando do último “economic briefing” da CTA, referente a robustez empresarial do III Trimestre de 2022.
Alexis Cirkel descreveu o momento actual como sendo de arrefecimento na dinâmica de crescimento global, e adianta: “Desde Abril deste ano, nossos colegas do departamento de pesquisa económica em Washington reviram em baixa o crescimento de 2022 em 0.35 pontos percentuais agora 3.2% e para 2023 já corrigiram o crescimento em cerca de 0.9pp para 2.7%.”
Para ele as correcções feitas reflectem eventos como a guerra russa ucraniana, as incertezas geopolíticas, as condições financeiras mais apertadas, preços bastante voláteis das commodities e ainda restrições relacionadas a COVID prevalecente em alguns países com peso significativo na economia global.
São condições, adversas, que têm pressionado os preços de alimentos, energia e transporte, com um impacto desproporcional nas camadas menos privilegiadas.
Alexis Cirkel, enfatizou o facto de a inflação a dois dígitos estar presente em 1/3 dos países, incluindo em algumas economias avançadas, situação que está a corroer o poder de compra e a aumentar o potencial de conflitos sociais.
“Hoje, cerca de 123 milhões de pessoas encontram-se numa situação de insegurança alimentar grave na nossa região”. Disse.
Não obstante a ter registado uma retoma de crescimento de 4.7 porcento em 2021, essa dinâmica perdeu bastante força e, traduz-se, hoje, numa expectativa de crescimento de 3.6 porcento para este ano, ao mesmo tempo que o fluxo de capital de carteiras de investimento se reverteu, provocando saídas líquidas da região e uma fuga para mercados vistos como “portos seguros”.
Referindo-se a situação especifica de Mocambique, o Representante do FMI, disse que “apesar das adversidades, Moçambique demonstra uma recuperação continuada”.
Como exemplos a corroborarem a sua afirmação, Aléxis Cirkel referiu-se a campanha de vacinação acertada contra a COVID-19, que atingiu cerca de 95% da população alvo, a gestão fiscal e macroeconômica que classificou de prudente, e a subida de preços das commodities de exportações importantes para o País, que impulsionaram a economia para uma trajectória de recuperação contínua.
“O crescimento de 4.1 e 4.6 porcento nos primeiros dois trimestres não demonstra somente uma excelente dinâmica, mas também a qualidade da sua composição alicerçado sobretudo, por bons desenvolvimentos no sector de serviços, agricultura, mineração”, Frisou Aléxis Cirkel.
O representante do FMI, disse ainda, referindo-se aos desenvolvimentos macroeconómicos mais relevantes num passado recente, que, a prudência verificada na gestão pública, permitiu fazer frente às pressões fiscais impostas pelos diversos choques que assolaram o País recentemente. Esta situação, disse, “rendeu sinais claros de confiança internacional – seja pelo programa acordado com o FMI, a retoma do apoio ao orçamento pelo Banco Mundial, a melhora na perspectiva do rating pela Moody’s e Fitch, entre outros”.












