Fundo Africano de Desenvolvimento Mobiliza Histórico Montante de 11 Mil Milhões de Dólares e Marca Viragem no Modelo de Ajuda

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17ª reposição do Fundo regista aumento de 23%, reforça protagonismo africano como co-investidor e inaugura uma nova era de desenvolvimento liderado pelo investimento e pela partilha de risco.

Questões-Chave:

  • Fundo Africano de Desenvolvimento mobiliza 11 mil milhões de dólares, o maior montante da sua história;
  • Contribuições africanas quintuplicam, com 23 países a participarem directamente;
  • Novo modelo permite alavancagem financeira e captação de capital privado;
  • Recursos apoiarão 37 países africanos de baixo rendimento e em situação de fragilidade.

O Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF), janela concessionária do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, assegurou um montante histórico de 11 mil milhões de dólares no âmbito da sua 17.ª reposição (ADF-17), apesar de um contexto global marcado por fortes restrições fiscais e redução da ajuda internacional, sinalizando uma viragem estrutural no financiamento do desenvolvimento em África.

Reposição Histórica em Ambiente Global Adverso

O montante mobilizado representa um aumento de 23% face à reposição anterior e resulta do compromisso financeiro de 43 parceiros de desenvolvimento, num momento em que os orçamentos de ajuda externa enfrentam pressão crescente a nível global.

Para o presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah, o resultado ultrapassa a lógica tradicional da ajuda. “Não se trata apenas de uma reposição. Trata-se de um ponto de viragem, em que os parceiros optaram pela ambição e pelo investimento num dos ambientes mais difíceis para o financiamento do desenvolvimento”, afirmou.

África Afirma-se Como Co-Investidora do Seu Próprio Futuro

Pela primeira vez na história do Fundo, 23 países africanos contribuíram financeiramente para a sua própria janela concessionária, num total de 182,7 milhões de dólares, representando um aumento de cinco vezes face ao ciclo anterior.

Deste grupo, 19 países contribuíram pela primeira vez, reforçando o princípio de apropriação africana do processo de desenvolvimento. Segundo Sidi Ould Tah, este passo “não é simbólico, é transformacional”, marcando a transição de África de mera beneficiária para co-investidora do seu próprio futuro.

Do Modelo de Ajuda ao Modelo de Investimento

A reposição ADF-17 consagra uma mudança estrutural no uso dos recursos concessionais, com os parceiros a aprovarem um novo modelo financeiro que permitirá ao Fundo:

  • Alavancar o seu balanço, incluindo através de uma opção de financiamento nos mercados de capitais;
  • Utilizar instrumentos financeiros inovadores, como capital híbrido;
  • Empregar recursos concessionais para absorver risco, mobilizar capital privado e escalar o investimento.

Actualmente, cada dólar investido pelo Fundo permite mobilizar mais de 2,5 dólares em co-financiamento, rácio que deverá aumentar com a implementação do novo modelo.

Parcerias de Grande Escala Reforçam Capacidade de Intervenção

A ADF-17 inaugura igualmente uma nova geração de parcerias concessionais de grande escala, com destaque para compromissos anunciados por instituições financeiras multilaterais e regionais.

Entre eles, incluem-se até 800 milhões de dólares do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e até 2 mil milhões de dólares do Fundo da OPEP para o Desenvolvimento Internacional, reforçando a capacidade do Fundo para financiar projectos transformadores em contextos de elevado risco.

Prioridades Estratégicas para Países Vulneráveis

Os recursos mobilizados serão canalizados para 37 países africanos de baixo rendimento e em situação de fragilidade, com enfoque em áreas estruturantes como o acesso à energia, a segurança alimentar, o investimento em capital humano, a integração regional, o comércio e a construção de infra-estruturas resilientes.

O Fundo continuará igualmente a prestar apoio específico a países em situação de fragilidade através do Mecanismo de Apoio à Transição, num contexto de intensificação dos choques climáticos e de instabilidade geopolítica.

Um Sinal Global de Confiança em África

A sessão de compromissos financeiros, co-organizada pelo Reino Unido e pelo Gana, encerrou um processo de reposição de um ano, realizado num ambiente de elevada incerteza global.

Para Londres e Acra, o sucesso da ADF-17 confirma a relevância estratégica do Fundo como instrumento multilateral liderado por África, capaz de gerar impactos mensuráveis em crescimento económico, estabilidade e resiliência global.

A reposição histórica do Fundo Africano de Desenvolvimento surge, assim, não apenas como um reforço financeiro, mas como uma declaração política e económica de confiança no potencial africano, assente num novo paradigma de desenvolvimento orientado para o investimento e para resultados de escala.

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