Governo Assume Agricultura Industrial e Digital como Eixo da Transformação Produtiva

0
51

Executivo defende integração dos pequenos produtores, aposta em irrigação, tecnologia e infra-estruturas hídricas, num contexto de crescente interesse dos Emirados Árabes Unidos no sector agrícola moçambicano.

O Governo moçambicano assumiu, em Dubai, a agricultura industrial e digital como pilar central da sua estratégia de transformação económica, defendendo um modelo orientado para o mercado, liderado pelo sector privado, mas assente na integração dos pequenos produtores, no aumento da produtividade e na adopção de tecnologias modernas, com vista à segurança alimentar, à sustentabilidade ambiental e à resiliência face às cheias recorrentes.

Questões-Chave:
  • Agricultura industrial e digital passa a estruturar a estratégia governamental para o sector;
  • Integração dos pequenos produtores é assumida como objectivo económico e social;
  • Barragem de Mapai surge como infra-estrutura-chave para irrigação, energia e controlo de cheias;
  • Emirados Árabes Unidos manifestam interesse em investir em agricultura e infra-estruturas hídricas.

Produtividade agrícola no centro da estratégia económica

Intervindo à margem da Cimeira Global de Governos, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, sublinhou que a aposta numa agricultura orientada para o mercado não representa o afastamento dos camponeses, mas sim a sua inclusão num modelo económico mais eficiente.

Segundo o governante, a baixa produtividade por hectare continua a ser um dos principais constrangimentos do sector agrário, conduzindo à expansão extensiva das áreas de cultivo e à pressão sobre os recursos florestais. A industrialização, defendeu, permite concentrar a produção em áreas menores, com ganhos económicos e ambientais.

Irrigação e barragem de Mapai como catalisadores estruturais

Como exemplo concreto dessa abordagem, Albino destacou o projecto da barragem de Mapai, na província de Gaza, defendendo que a infra-estrutura permitirá viabilizar cerca de 200 mil hectares irrigáveis com níveis de produção equivalentes aos actualmente obtidos em aproximadamente um milhão de hectares de baixa produtividade.

Além do impacto directo na agricultura, o projecto é apresentado como uma solução integrada, com capacidade para contribuir para o controlo das cheias na bacia do Limpopo, a produção de energia e a protecção ambiental, numa região ciclicamente afectada por eventos extremos.

Danos acumulados nas estradas agravam custos económicos da emergência

A ênfase em infra-estruturas hídricas surge num contexto em que as cheias recentes no Sul e Centro do país voltaram a pressionar a economia, com impactos significativos sobre a rede viária, a logística e a produção agrícola. O Governo reconhece que a resposta à emergência implica custos económicos elevados, reforçando a necessidade de soluções estruturais que reduzam a recorrência destes choques.

Neste quadro, a articulação entre agricultura, obras públicas, energia e ambiente é assumida como central para garantir maior previsibilidade produtiva e reduzir perdas económicas associadas a fenómenos climáticos extremos.

Digitalização como instrumento de inclusão e financiamento

No domínio tecnológico, o ministro defendeu que a digitalização é determinante para a modernização do sector agrário, permitindo identificar produtores, mapear áreas de produção, reforçar a transparência e facilitar o acesso ao crédito.

Plataformas digitais e tecnologias como drones são apontadas como ferramentas para aumentar a eficiência produtiva, reduzir riscos operacionais e tornar a agricultura mais atractiva para a juventude, num esforço de renovação geracional do sector.

Interesse dos Emirados Árabes Unidos reforça dimensão internacional

A estratégia governamental foi apresentada num contexto de reforço das relações bilaterais com os Emirados Árabes Unidos, que manifestaram interesse concreto em aprofundar a cooperação com Moçambique nos sectores da agricultura, segurança alimentar e infra-estruturas hídricas.

À margem da cimeira, encontros de alto nível permitiram sinalizar disponibilidade para apoiar projectos de retenção hídrica e investimentos agrícolas, num quadro mais amplo de cooperação estratégica e mobilização de capital para sectores produtivos.

Transformação agrícola como base do crescimento sustentável

A leitura do Executivo é de que a agricultura industrial, aliada à digitalização e a investimentos estruturantes, pode funcionar como um dos principais motores do crescimento económico inclusivo, da redução da pobreza rural e da estabilidade social, desde que articulada com políticas de financiamento, infra-estruturas e acesso a mercados.

A aposta sinaliza uma mudança de escala e de ambição no sector agrário, posicionando-o como vector estratégico da transformação produtiva de Moçambique.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.