
SADC apela à cessação imediata de todas as hostilidades em Moçambique
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) lançou um apelo à cessação imediata de todas as hostilidades em Moçambique, com o objectivo de restaurar a paz e a tranquilidade no País. O pedido foi formalizado pela Chefe de Estado da Tanzânia, Samia Hassan, que exerce actualmente a presidência do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança da SADC, através de um comunicado divulgado na terça-feira, 31 de Dezembro.
“Apelamos à cessação imediata de todas as hostilidades, reiterando a importância de priorizar o bem-estar e os meios de subsistência do povo moçambicano”, refere o comunicado. A SADC também apelou às partes envolvidas para que exerçam contenção e se abstenham de actos que possam exacerbar a violência e a instabilidade.
Diálogo e Resolução Pacífica
O órgão regional reafirmou a sua disponibilidade para apoiar Moçambique na busca por uma resolução pacífica para os desafios existentes, utilizando mecanismos apropriados. Samia Hassan salientou que o diálogo pacífico e construtivo deve ser abraçado como a via preferencial para resolver as reclamações e promover a estabilidade no país.
“A nossa aspiração colectiva continua a ser a restauração da harmonia e da estabilidade em Moçambique, em linha com a nossa visão partilhada de boa governação, coesão social e desenvolvimento sustentável na região”, declarou a líder tanzaniana.
Impactos dos Protestos Pós-Eleitorais
Moçambique realizou eleições a 9 de Outubro de 2024, num ambiente geralmente calmo e pacífico, conforme constatado na Declaração Preliminar da Missão de Observação Eleitoral da SADC (SEOM), divulgada em Maputo, a 11 de Outubro. Contudo, o período pós-eleitoral foi marcado por protestos e actos de violência que resultaram na perda de vidas, lesões corporais e destruição de propriedade privada e infra-estruturas públicas.
O anúncio dos resultados eleitorais oficiais, a 23 de Dezembro, intensificou as tensões, agravando o clima de instabilidade. Samia Hassan expressou profunda preocupação com os efeitos destes acontecimentos, incluindo os desafios económicos gerados pela crise.
Impacto Regional
A situação em Moçambique tem provocado perturbações no comércio transfronteiriço e na livre circulação de pessoas, afectando não só o país, mas também os seus vizinhos. As autoridades sul-africanas revelaram que a paralisação da fronteira de Ressano Garcia, a maior fronteira terrestre de Moçambique, está a causar prejuízos diários de 10 milhões de randes à economia da África do Sul.
Outros países, como o Reino de Eswatini, Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, também manifestaram preocupações sobre o impacto da instabilidade política em Moçambique nas economias regionais.
A SADC enfatizou a necessidade urgente de proteger vidas, reconstruir a confiança entre as comunidades afectadas e restaurar a normalidade para minimizar os impactos socioeconómicos da crise. O apelo ao diálogo e à contenção reafirma o compromisso da região em apoiar Moçambique na busca por uma solução sustentável e pacífica.
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