Governo Procura “Soluções Responsáveis” Para Mitigar Impacto Da Suspensão Da Mozal

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Executivo reconhece gravidade económica e social da paralisação da fundição de alumínio, enquanto South32 confirma entrada em regime de “care and maintenance” a 15 de Março

Questões-Chave:
  • Mozal entra em regime de manutenção a 15 de Março de 2026;
  • Falha em garantir novo contrato de energia a preços competitivos;
  • Governo promete soluções “responsáveis e socialmente justas”;
  • Mais de 4.000 empregos directos e indirectos em risco;
  • Custos de manutenção rondam US$ 60 milhões.

Um Choque Industrial De Elevada Magnitude

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que o Governo está empenhado em encontrar “soluções responsáveis e socialmente justas” face ao anúncio de suspensão das actividades da fundição de alumínio Mozal .

“Estamos empenhados em encontrar soluções responsáveis e socialmente justas, face à decisão anunciada pela Mozal, de encerrar as suas operações no próximo mês de Março”, declarou o Chefe do Estado durante recepção ao corpo diplomático acreditado no País.

Segundo o Presidente, trata-se de “um diálogo sério e contínuo, que tem em consideração o impacto social agregado sobre milhares de trabalhadores e famílias moçambicanas” .

A suspensão, prevista para 15 de Março de 2026, decorre da impossibilidade de assegurar um novo acordo de fornecimento eléctrico a preços considerados competitivos pela accionista maioritária, a australiana South32 .

Energia Cara, Rentabilidade Em Queda

A South32 confirmou que a unidade entrará em regime de “care and maintenance”, justificando a decisão com a “impossibilidade de garantir um fornecimento de energia eléctrica suficiente e acessível” 

O CEO da empresa, Graham Kerr, explicou que o grupo sofreu queda de US$ 372 milhões nos resultados, em parte devido à incapacidade de assegurar energia a custos viáveis, agravada pela seca que afectou a produção hidroeléctrica em Moçambique e pela ausência de acordo com a fornecedora sul-africana Eskom .

O diferencial tarifário tornou-se estruturalmente incompatível com a competitividade internacional da produção de alumínio.

Impacto Laboral E Custos De Transição

A Mozal comunicou já o avanço para despedimentos colectivos no âmbito da suspensão operacional. Segundo documento enviado ao Comité Sindical, as indemnizações propostas correspondem a 6% do salário anual por cada ano de serviço para trabalhadores acima de sete salários mínimos sectoriais, e 40 dias de salário por cada ano para os restantes .

De acordo com dados referidos pela empresa, a unidade emprega mais de 2.000 trabalhadores directos e cerca de 2.000 subcontratados, sendo responsável por aproximadamente um terço do emprego no sector manufactureiro nacional .

Os custos imediatos da transição para manutenção estão estimados em cerca de US$ 60 milhões, acrescidos de custos anuais de conservação na ordem de US$ 5 milhões .

Governo Tenta Evitar Encerramento Definitivo

O Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, afirmou que o Executivo está a fazer “tudo o necessário para manter a Mozal em funcionamento”, embora sem avançar detalhes sobre o estado das negociações .

O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, confirmou que existe uma equipa técnica a trabalhar com a empresa e as entidades envolvidas para evitar que o futuro da unidade seja prejudicial às partes .

Qualquer decisão final será comunicada formalmente pelo Conselho de Ministros ou pelo Ministério de tutela.

Risco Sistémico Para A Economia

A paralisação da Mozal representa choque significativo para a estrutura industrial moçambicana.

Para além do impacto directo sobre o emprego e cadeias de fornecimento, a fundição tem peso relevante nas exportações e na captação de divisas. A redução da actividade poderá pressionar balança comercial e receita fiscal, num momento em que o País procura consolidar trajectória de crescimento.

O desafio coloca o Executivo perante um dilema estrutural: equilibrar sustentabilidade financeira das empresas intensivas em energia com os custos sistémicos de uma eventual desindustrialização.

A decisão sobre a Mozal transcende uma disputa tarifária. Trata-se de definir o modelo de competitividade energética e industrial do País nos próximos anos.

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