
LAM Renova Contrato com Dane Kondic por Quatro Anos em Regime de Exclusividade
Gestor sérvio-australiano abandona compromissos externos e assume dedicação total à companhia moçambicana no contexto da reestruturação
- Contrato de Dane Kondic renovado por quatro anos, em regime de exclusividade com a LAM;
- Negociação incluiu a rescisão de compromissos com a Air Botsuana e actividades na Austrália;
- Gestão da companhia passa a ser apoiada por um conselho de administração não executivo (HCB, CFM e EMOSE);
- LAM enfrenta crise operacional, frota reduzida e suspendeu praticamente todos os voos internacionais;
- Estratégia em curso prevê a aquisição de cinco Boeing 737-700 e o aluguer de outras cinco aeronaves.
A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) renovou por mais quatro anos o contrato com o presidente da comissão de gestão, Dane Kondic, em regime de exclusividade, num passo que visa estabilizar a liderança da transportadora nacional em plena fase de reestruturação.
O anúncio foi feito em Maputo pelo presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa, que integra também o conselho de administração não executivo da LAM. Segundo explicou, a renovação implicou que Kondic rescindisse compromissos anteriores, incluindo a polémica nomeação para a presidência da Air Botsuana, bem como outras actividades na Austrália. “Isso significava ele prescindir de alguns ganhos próprios, mas o contrato está assinado e a dedicação será total à LAM”, disse Langa.
Dane Kondic, gestor com dupla nacionalidade sérvia e australiana, conta com experiência em diversas companhias aéreas internacionais, incluindo a presidência da portuguesa euroAtlantic. Assumiu a liderança da comissão de gestão da LAM em Maio, num momento em que a empresa atravessava forte contestação pública e política devido à sua situação financeira e operacional.
A transportadora enfrenta há anos problemas estruturais, como frota reduzida, falta de investimento e incidentes associados à manutenção das aeronaves. A crise forçou a suspensão da maioria dos voos internacionais em 2025, com a companhia a concentrar-se essencialmente nas ligações domésticas e regionais.
Para recuperar a fiabilidade, a LAM pretende adquirir cinco aeronaves Boeing 737-700 até ao final do ano e lançou em paralelo um concurso para o aluguer de outras cinco aeronaves. Actualmente, transporta em média 915 passageiros por dia em rotas nacionais e regionais.
O processo de reestruturação conta com supervisão reforçada, após a entrada da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) no capital da empresa e no conselho de administração não executivo.
A liderança política tem igualmente pressionado por mudanças. O Presidente da República, Daniel Chapo, acusou em Abril a existência de “raposas e corruptos” dentro da LAM, com conflitos de interesse que bloquearam o plano de recuperação nos primeiros 100 dias do seu mandato, incluindo a aquisição de três aeronaves nesse período.
A renovação do contrato de Dane Kondic representa, assim, uma tentativa de assegurar estabilidade de gestão e clareza de compromissos, num momento em que a LAM procura reconquistar credibilidade no mercado e dar resposta a um ambiente de crise sem precedentes.
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