Ligação Rodoviária Entre Maputo e Gaza pela EN 1 só deverá ser restabelecida dentro de 15 dias

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Corte total na Estrada Nacional Número Um força o Governo a activar soluções alternativas por via marítima e ferroviária para assegurar mobilidade, abastecimento alimentar e estabilidade de preços.


Questões-Chave:
  • O corte total ocorre na zona da Baixa de 03 de Fevereiro, devido às chuvas intensas e subida do nível das águas;
  • O Governo activa cabotagem marítima entre o Porto de Maputo e a Doca de Chongoene para garantir o abastecimento alimentar;
  • Soluções ferroviárias e vias alternativas rodoviárias estão a ser mobilizadas para minimizar o impacto económico.

A interrupção total da ligação rodoviária entre as províncias de Maputo e Gaza, através da Estrada Nacional Número Um (EN1), deverá prolongar-se por cerca de 15 dias, segundo anunciou o ministro dos Transportes e Logística, numa altura em que as cheias continuam a pressionar a mobilidade de pessoas, o abastecimento de bens essenciais e o normal funcionamento da economia no sul do país.

Corte na EN1 Expõe Vulnerabilidade da Ligação Norte–Sul

O primeiro ponto de interrupção total registou-se na Baixa de 03 de Fevereiro, transformando-se num estrangulamento crítico da principal artéria rodoviária do país. Segundo o ministro, a reposição da estrada depende, numa primeira fase, da descida do nível das águas e, posteriormente, de uma avaliação técnica das intervenções necessárias.

A situação tem provocado concentrações de pessoas nas margens norte e sul do troço interrompido, evidenciando a dependência estrutural da EN1 para a circulação de pessoas e mercadorias.

Vias Alternativas Rodoviárias Sob Avaliação

O Executivo estuda a utilização de rotas alternativas, através das ligações Moamba–Magude e Magude–Cruzamento de Xinavane, como solução temporária para restabelecer a conectividade entre Maputo, Gaza e o restante território nacional, sempre que as condições de transitabilidade o permitam.

Cabotagem Marítima Para Garantir Abastecimento Alimentar

Para mitigar riscos de escassez e especulação de preços, sobretudo em Gaza, o Governo anunciou o início do transporte de produtos alimentares por via marítima, a partir do Porto de Maputo para a Doca de Chongoene, ainda em fase de construção.

A medida será extensiva à província de Inhambane, que também depende parcialmente do abastecimento proveniente de Maputo, numa altura em que as cadeias logísticas terrestres se encontram severamente condicionadas.

Linha Férrea Surge Como Alternativa Estratégica

Paralelamente, o Governo confirmou que a linha férrea entre Maputo e Magude se encontra operacional, permitindo a movimentação de pessoas e mercadorias até esse ponto. A partir daí, está em estudo a articulação com transportes rodoviários transitáveis, numa solução combinada para reduzir o impacto do corte da EN1.

No domínio dos combustíveis, foi iniciado o reabastecimento da província de Gaza, com reforços adicionais previstos para Xai-Xai, a partir do Porto da Beira.

Impacto Económico e Pressão Sobre Cadeias de Abastecimento

A interrupção prolongada da EN1 tem implicações económicas relevantes, afectando o comércio interprovincial, a logística alimentar, os custos de transporte e a estabilidade de preços. O recurso a soluções marítimas e ferroviárias, ainda que eficaz no curto prazo, evidencia a necessidade de maior resiliência infra-estrutural face a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

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