
Mais de 90% da Carteira do FIDA em Moçambique é Financiada a Fundo Perdido
Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola reforça apoio ao desenvolvimento rural, com foco em pequenos produtores, mulheres e jovens, e promete intensificar financiamento a partir do próximo ciclo.
- Mais de 90% do financiamento do FIDA em Moçambique é concedido a fundo perdido;
- A carteira global de projectos em avaliação ronda 375,7 milhões de dólares;
- O apoio incide sobretudo na agricultura, pesca, inclusão financeira e resiliência climática;
- Um novo ciclo de financiamento está a ser preparado a partir de 2027.
Mais de 90% da carteira de investimentos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) em Moçambique é financiada sob a forma de donativos, num volume global que ronda 300 milhões de dólares, reflectindo a forte componente concessional do apoio ao desenvolvimento rural no país. A informação foi avançada pelo jornal Notícias, citando declarações da direcção da instituição.
Carteira fortemente concessional
Segundo o Notícias, o dado foi sublinhado pela directora-geral do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Jaana Keitaanranta, durante um evento de avaliação da carteira de projectos da instituição em Moçambique, realizado até ontem na Ponta do Ouro, província de Maputo.
A responsável destacou que a predominância de donativos reflecte a necessidade de assegurar respostas eficazes às vulnerabilidades estruturais das zonas rurais, particularmente num contexto marcado por cheias recorrentes, choques climáticos e insegurança alimentar nas regiões centro e sul do país.
Apoio ao desenvolvimento rural e resiliência
De acordo com o Notícias, o Governo manifestou apreço pelo apoio contínuo do FIDA ao desenvolvimento rural em Moçambique, reconhecendo o seu papel na redução da pobreza rural, promoção da segurança alimentar, aumento da produtividade agrícola e reforço da resiliência das comunidades, com especial incidência nos pequenos produtores, mulheres e jovens.
A carteira do FIDA no país integra projectos estruturantes como o Programa de Desenvolvimento Inclusivo de Cadeias de Valor Agro-Alimentares (PROCAVA), o Projecto de Desenvolvimento da Aquacultura de Pequena Escala (PRODAPE), o Projecto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal (PROPEIXE) e diversas iniciativas de inclusão financeira rural.
Reconhecimento de resultados e exigência de rigor
Em 2025, escreve o Notícias, o PROCAVA foi distinguido pelo FIDA como o melhor programa do seu portefólio de financiamento em Moçambique, em reconhecimento da qualidade da gestão e dos resultados alcançados no terreno.
No mesmo contexto, os gestores dos projectos foram instados a apresentar informação factual, transparente e verificável sobre o estado de implementação, impactos alcançados e desafios operacionais, numa lógica de reforço da responsabilização e da eficácia do investimento público e concessionário.
Preparação de novo ciclo de financiamento
Ainda segundo o Notícias, a directora-geral do FIDA anunciou que Moçambique está a preparar um novo projecto de investimento para o ciclo de financiamento a partir de 2027, com enfoque no empreendedorismo rural e na empregabilidade dos jovens, sinalizando a continuidade do apoio da instituição ao país.
Do lado do Estado, o Ministério das Finanças, através da directora nacional-adjunta da Dívida Pública, Ruth Cangela, reafirmou o compromisso do Governo em honrar pontualmente as suas obrigações financeiras, em alinhamento com os resultados efectivamente alcançados pelos projectos financiados.
Financiamento relevante para a economia rural
A avaliação em curso incide sobre projectos nas áreas da agricultura, pesca, inclusão financeira e resiliência climática, com uma carteira global estimada em 375,7 milhões de dólares, um montante considerado relevante para a dinamização da economia rural e o reforço da segurança alimentar em Moçambique.
Num contexto de crescente pressão climática e de necessidade de transformação estrutural da economia rural, o elevado peso de financiamento a fundo perdido surge como um factor crítico para a sustentabilidade dos projectos e para a protecção das populações mais vulneráveis.
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