Mercado imobiliário continua a crescer mas de forma tímida

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Há pouco menos de seis anos o mercado imobiliário era um dos sectores que mais crescia, isto devido ao aumento do poder de compra da classe média, a chegada de expatriados e as recentes descobertas de reservas de gás natural que faziam crescer a procura por escritórios, apartamentos e espaços para arrendamentos no país.

Neste período, o sector imobiliário moçambicano caracterizou-se por um enorme potencial de crescimento, com a particularidade deste potencial ser transversal a todos os seguimentos: Habitação, Escritórios, Turismo e Retalho.

Um estudo publicado pela consultora Prime Yield, em 2014, indicava que o mercado habitacional de Maputo, em particular, deveria continuar a crescer, com a absorção quase imediata dos produtos que iam sendo concluídos.

Mas, após anos consecutivos de crescimento forte, desde 2009, o desempenho económico de Moçambique abrandou consideravelmente. Segundo o Director Geral da Real Estate Consulting, Nuno Tavares, o sector imobiliário em poucos anos ressentiu-se dos terríveis efeitos da crise.

Nuno Tavares – Director Geral da Real Estate Consulting

“Há cerca de dez anos, Moçambique estava num “boom” imobiliário. Normalmente o ciclo imobiliário segue por um rastro, digamos, o ciclo da economia (da oferta e procura), se olharmos para o mercado atentamente em 2012 e 2014, foi o pico do mercado imobiliário, atingiram-se valores recordes nunca antes atingidos nos vários seguimentos do imobiliário”, começou por salientar, o Partner e Director Geral da REC, Nuno Tavares e acrescentou que “a partir de 2014, 2015 esse ciclo económico e imobiliário começaram a entrar numa fase descendente.”

Neste contexto, os preços das propriedades reduziram em cerca de 40%, em 2016, em algumas áreas da Cidade de Maputo, facto que fez com que a oferta superasse a demanda.  Doravante, entre 2017 e 2018, o mercado imobiliário continuou a sofrer os efeitos da crise mas com tendências de se ajustar. Não obstante, Tavares refere que neste momento o motor de desenvolvimento da economia actual está ligada a indústria extrativa e a indústria de logísticas.

“A economia estabilizou-se, os dados estatísticos apontam para um crescimento médio nos últimos 5 anos, entre 2 a 4%, mas se olharmos para o motor do desenvolvimento da economia actual está ligada à indústria extrativa e a indústria de logísticas”, anotou Tavares.

Por outro lado, um estudo apresentado pelo grupo “Meridian 32” refere que no actual contexto há um grande optimismo em relação ao futuro do mercado imobiliário, destacando os esforços em curso para a pacificação do país e o provável regresso dos parceiros externos que apoiam o Orçamento do Estado.

Do ponto de vista macro-económico são apontados como condições essenciais para a retoma do crescimento económico a melhoria do clima de negócios e redefinição das políticas de turismo e habitação.

Refira-se que apesar deste cenário as oportunidades vão surgindo, sobretudo com o anúncio da Decisão Final de Investimentos, com valores que representam cerca de cinco vezes o actual PIB de Moçambique.

Veja o vídeo a seguir:

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