
Moçambique Mobiliza US$ 128 Milhões Para Ligar Juventude, Empresas E Emprego
Lançamento do Jobs Now, inauguração do Centro de Negócios de Mocuba e selecção de 72 mil beneficiários do Acredita Emprega integram uma agenda que procura combinar financiamento produtivo, qualificação profissional e apoio ao sector privado
- Programa Jobs Now dispõe de cerca de US$ 128 milhões para financiar projectos, apoiar empresas e acelerar a criação de emprego;
- Acredita Emprega seleccionou 72 mil jovens para bolsas de formação profissional em 78 distritos;
- Mulheres representam 70% dos beneficiários, num total de 50.400 jovens;
- Um grupo de 14.400 mulheres receberá subvenções não reembolsáveis de 100 mil meticais para desenvolver negócios;
- Centro de Negócios de Mocuba integra um Balcão de Atendimento Único para facilitar a formalização e expansão de empresas;
- Governo pretende preparar empresas nacionais para captar parte dos US$ 50 mil milhões a US$ 60 mil milhões previstos para a Bacia do Rovuma;
O Governo lançou um novo conjunto de instrumentos para aproximar formação, financiamento, empresas e mercado de trabalho, num esforço para acelerar a criação de emprego e ampliar a participação da juventude e do empresariado nacional na economia.
A agenda foi apresentada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na sexta-feira, 5 de Setembro, na província da Zambézia, durante a inauguração do Centro de Negócios de Mocuba, o lançamento do Programa Jobs Now e a apresentação pública dos beneficiários do Acredita Emprega.
No centro das iniciativas está o Jobs Now, dotado de cerca de US$ 128 milhões e orientado para financiar projectos, apoiar empresas geradoras de postos de trabalho, melhorar a empregabilidade dos jovens e dinamizar sectores com maior capacidade de absorção de mão-de-obra.
“O sucesso deste programa deverá ser medido não apenas pelos recursos mobilizados, mas, sobretudo, pelos empregos criados, pela qualidade desses empregos e pela capacidade de integrar jovens e mulheres na actividade económica”, afirmou Daniel Chapo.
Jobs Now Procura Coordenar Resposta Ao Desemprego
O Jobs Now deverá funcionar como uma plataforma de articulação entre financiamento produtivo, formação profissional, empreendedorismo, apoio ao sector privado e fortalecimento das cadeias de valor.
A sua abordagem procura ultrapassar a dispersão entre programas de formação, linhas de financiamento e necessidades efectivas das empresas. O Governo pretende que as competências transmitidas aos jovens correspondam à procura do mercado e que os recursos sejam canalizados para empresas com capacidade demonstrada de produzir, crescer e empregar.
Entre os sectores considerados prioritários encontram-se o agronegócio, turismo sustentável, produção alimentar e pesqueira, construção civil, transportes, serviços, mecânica e electricidade automóvel, carpintaria, pequenas indústrias, comércio, costura e manufactura.
Trata-se, em grande parte, de actividades presentes nas economias locais, com potencial para mobilizar mão-de-obra, criar ligações entre produtores e mercados e gerar rendimentos fora dos principais centros urbanos.
O programa deverá operar em articulação com a VIII edição do Fundo Catalítico, o Programa Emprega, o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o Pro Jovem, o Pro Mulher e o Acredita Emprega.
Acredita Emprega Selecciona 72 Mil Jovens
Paralelamente ao lançamento do Jobs Now, o Governo apresentou os beneficiários do Acredita Emprega, programa que recebeu 145.400 candidaturas entre 13 de Março e 18 de Maio de 2026.
Do total de candidatos, foram seleccionados 72 mil jovens para bolsas de formação profissional em 78 distritos considerados vulneráveis, distribuídos pelas 11 províncias do País. O processo de apuramento foi conduzido por uma entidade internacional independente, segundo informou o Presidente da República.
As mulheres representam 70% dos beneficiários, correspondentes a 50.400 jovens, enquanto os homens totalizam 21.600.
A Zambézia concentra o maior número de seleccionados, com 16.591 beneficiários, equivalentes a 23% do total nacional. Dentro da província, Nicoadala conta com 4.363 jovens, representando 26,3% dos beneficiários da Zambézia.
O Acredita Emprega é implementado pelo Ministério da Juventude e Desportos e integra o Projecto para o Empoderamento e Resiliência das Raparigas na África Oriental, conhecido por EAGER, financiado pelo Banco Mundial.
Subvenções Para 14.400 Mulheres
Além da formação profissional, 14.400 jovens mulheres deverão receber uma subvenção não reembolsável de 100 mil meticais por beneficiária.
Considerado em conjunto, este instrumento representa uma injecção potencial de 1,44 mil milhões de meticais no empreendedorismo feminino, destinada à criação ou expansão de pequenos negócios. As beneficiárias deverão igualmente ter acesso a serviços de mentoria empresarial.
A combinação entre competências técnicas, capital inicial e acompanhamento procura responder a três limitações recorrentes entre os jovens empreendedores: reduzido acesso ao financiamento, insuficiente preparação para gerir empresas e dificuldades de ligação aos mercados.
A escala do interesse registado pelo programa — mais de 145 mil candidaturas para 72 mil bolsas — evidencia, simultaneamente, a procura por formação e a dimensão do desafio de integração da juventude no mercado de trabalho.
O próprio Presidente reconheceu que a economia informal continua a absorver a maioria dos jovens, enquanto o crédito permanece limitado e a relação entre formação e procura empresarial ainda é insuficiente.
Centro De Negócios Aproxima Serviços Das Empresas
O Centro de Negócios de Mocuba constitui o braço institucional e físico desta agenda. Concebido como plataforma de facilitação empresarial, o espaço reúne condições para conferências, reuniões, trabalho temporário, atendimento institucional, promoção de negócios e apoio às organizações representativas do sector privado.
A infra-estrutura integra um Balcão de Atendimento Único, onde os empresários poderão registar empresas, tratar de documentação e aceder a outros serviços necessários para iniciar ou expandir actividades.
A concentração destes serviços deverá reduzir deslocações, custos administrativos e tempos de espera, sobretudo para empresários que operam fora das principais capitais provinciais.
Daniel Chapo apelou às instituições públicas para que assegurem atendimento célere, transparente e coordenado, advertindo que a nova infra-estrutura só terá utilidade económica se conseguir transformar-se num centro activo de formalização, investimento e estabelecimento de parcerias.
“Para quem faz negócio, o tempo é dinheiro”, afirmou o Chefe do Estado, defendendo a eliminação dos “complicómetros” na relação entre a Administração Pública e o sector privado.
A gestão do empreendimento caberá à Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e às demais entidades envolvidas, com a responsabilidade de assegurar a sustentabilidade, conservação e utilização efectiva das instalações.
Empresas Nacionais Devem Captar Investimento Do Gás
O Presidente da República relacionou os instrumentos lançados na Zambézia com os grandes investimentos previstos para a Bacia do Rovuma.
De acordo com os números apresentados por Daniel Chapo, os projectos Coral Sul e Coral Norte, liderados pela Eni, representam cerca de US$ 15 mil milhões; o Mozambique LNG, da TotalEnergies, outros US$ 15 mil milhões; e o projecto Rovuma LNG, da ExxonMobil, poderá mobilizar aproximadamente US$ 20 mil milhões.
No conjunto, o Governo estima que entre US$ 50 mil milhões e US$ 60 mil milhões poderão ser investidos na Bacia do Rovuma nos próximos cinco a dez anos.
A dimensão desses capitais abre um mercado relevante para o fornecimento de bens e serviços, mas o seu impacto sobre a economia nacional será condicionado pela capacidade das empresas moçambicanas de integrarem as cadeias de contratação.
O Governo associa esta pretensão à revisão das leis de Minas e de Petróleos, à legislação de conteúdo local e à projectada criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique. A combinação destas medidas deverá ampliar o financiamento e criar condições para uma maior participação empresarial nacional nos grandes projectos.
Financiamento Precisa De Convergir Com O Mercado
As iniciativas apresentadas procuram estabelecer uma sequência económica: formar jovens, financiar projectos e empresas, simplificar a formalização, integrar fornecedores nas cadeias de valor e converter investimento em emprego e rendimento.
Contudo, a eficácia desta abordagem exigirá coordenação entre os diferentes programas, critérios rigorosos de selecção, acompanhamento dos recursos desembolsados e informação pública regular sobre os empregos efectivamente criados.
No caso do Jobs Now, será igualmente determinante conhecer a distribuição do financiamento por sectores, províncias e modalidades de apoio, bem como distinguir os recursos destinados directamente às empresas daqueles aplicados em formação, assistência técnica e gestão institucional.
“Mais produção, mais emprego, mais dignidade para o nosso povo, mais exportações e menos importações é o que queremos para o nosso futuro. E é isto que vai fazer parte da nossa independência económica”, declarou Daniel Chapo
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