
Não há só uma forma de crescer, afirma Directora do Grupo Banco Mundial
Os modelos de crescimento para as economias são vários, o que realmente importa é que estas de facto cresçam. Para a conjuntura actual é realmente importante que as economias voltem a crescer, que gerem emprego, espaço fiscal e que a taxa de inflação esteja controlada.
“As populações melhoram o seu nível de vida quando têm emprego, emprego é a melhor forma de viver e é a melhor maneira de ter poder aquisitivo”.
Os modelos de crescimento económico voltados a sector extractivo, por serem de capital intensivo não criam muitos postos de trabalho, devem haver políticas que mobilizem e canalizem os recursos provenientes deste sector aos outros sectores da economia, diversificando-a e tornando-a resiliente para lidar com as volatilidades dos mercados, pois as economias devem estar preparadas para os aumentos dos preços onde há mais receitas e quando os mesmos baixam e há menos receitas.
Nos modelos de crescimento económico, a China e Índia foram os países que registaram maior redução da pobreza ao longo do tempo, as pessoas que trabalhavam na agricultura, que era pouco produtiva, migraram depois para o sector manufactureiro onde a produtividade era maior e começaram a viver melhor, consequentemente os países começaram a ser mais ricos. Em seguida, maior parte dos países passam do sector da manufactura para o sector dos serviços onde a produtividade é ainda maior. Contudo, esta não é a única forma, alguns países passam directo da agricultura para o sector dos serviços e dá certo. “Não há só uma forma de crescer”.
Há determinantes que fazem com que os modelos de crescimento sejam bem sucedidos e os países cresçam e tornem-se desenvolvidos. Para além da criação de emprego e da mão-de-obra, a produtividade é extremamente importante para que os países cresçam, é importante que a haja produtividade tanto do trabalho como do capital. Índia, Bangladesh entre outros países do Sudeste Asiático são exemplos muito notáveis de países que estão a crescer de uma forma bastante estável apostando na produtividade, “portanto devemos olhar para estas economias a ver o que elas estão a fazer certo e porque é que elas estão a crescer”, esta é lição para os economistas.
O outro aspecto é a existência de instituições fortes, e nesta questão há um debate/dilema que urge: se os países devem esperar para ter instituições fortes, bons sistemas de governação e instituições independentes e capazes, antes de começarem a extração de minerais, ou começa-se a extração de minerais enquanto os países ainda estão a desenvolver as suas instituições. O que se sucede é que as vezes no segundo cenário os recursos são perdidos porque as instituições ainda não estão preparadas e o primeiro cenário leva muito tempo.
“Moçambique tem imensos recursos por que não começar a beneficiar desses recursos? Os estudantes devem-se interessar pelo país e procurar responder a estas questões, saber o que os governantes estão de facto a fazer. E Banco Mundial dispõe de vários departamentos para auxiliar os países com competências técnicas em projectos para construir instituições fortes.
Relativamente ao investimento, os investidores precisam de certezas de retorno, portanto, os investidores olham para a estabilidade política e macroeconómica, mão-de-obra qualificada, leis que funcionam, infraestruturas, estradas e portos e certamente se podem pagar menos impostos. As empresas fazem por vezes rastreio das taxas mais competitivas entre os países, e quem se beneficia disso são elas próprias, as multinacionais que deixam muito menos do que podiam ou deviam nos países onde operam, e estes aceitam concedendo diversos benefícios fiscais, com receio de perdê-las para os seus vizinhos. Mas se todos os países assumissem um compromisso e praticassem as mesmas taxas, tal não se sucederia. Portanto, é necessário mudar a cultura existente e não é fácil, pois leva tempo.
Carlos da Maia Economista Sénior do Banco Mundial, comentando, realçou o tema da corrupção e do rent-seeking no impedimento do crescimento e desenvolvimento económico. Disse ser pertinente tirar ilações de que políticas os governos de países que se confrontam com níveis elevados desses fenómenos podem implementar para combate-los, na medida em que tais ocorrências, efectivamente, impedem a redução da pobreza e desigualdade.
Sobre este tópico em específico, Manuela Francisco exaltou que não era fácil erradicar a corrupção, “todo o mundo deve trabalhar contra a corrupção nas áreas de reformas e comportamentos para evitá-la”. É importante mudar as culturas, ter uma cultura de responsabilidade e ser vigilante, demandar transparência e prestação de contas, as contas de Estado serem auditadas e o parlamento e o tribunal têm papel nisso. Se as instituições internas se demonstram incapazes, procurar recorrer a auditoria externa para adquirir respostas, e responsabilizar os visados, não pode haver impunidade, caso contrário o crime compensará. Se a corrupção prevalece nunca haverá ideias, não haverá incentivos para produzir, advertiu. “Por vezes muitas empresas optam por ser informais por conta da corrupção, pois lidar com o estado pode ser difícil”, consequentemente estas empresas estão condenadas a não crescer e se não crescem não têm como gerar postos de trabalho.
Questionada sobre a insustentabilidade das dívidas nos países em desenvolvimento, a Directora do Banco Mundial disse que não era errado contrair dívida. A questão da dívida tem a ver com os termos, quando é que vale a pena se endividar, como é a estrutura da dívida e a estrutura de pagamento dela, se a dívida está a ser contraída em moeda nacional ou estrangeira e para que se está a pedir emprestado acima de tudo. Os projectos devem trazer um retorno maior. “Endividar-se a 30% enquanto o país cresce a 5%, é um problema”.
Entre 2010 a 2019 a dívida total no mundo cresceu na ordem dos 131%. O que está em causa é a capacidade de pagamento das economias, as maiores economias do mundo são devedoras: Os E.U.A, a China e o Japão, apenas os países do Golfo e do Médio Oriente se exceptuam apresentando balanças superavitárias, pois os países não têm suficientes poupanças nacionais para fazer todos investimentos que precisam para se desenvolver. E com os choques económicos que nem a Covid e os conflitos, não houve muito espaço para as economias se ajustarem. Não têm espaço fiscal, a inflação aumentou por razões de demanda e por razões de oferta, os países começaram a adoptar políticas monetárias muitos restritivas, as taxas de juro estão elevadíssimas. E os países estão a crescer a baixas taxas mais financiam-se a taxas muitos maiores. “O que os países africanos pagam no serviço da dívida é maior que os orçamentos combinados na educação, infraestrutura e saúde, e é muito difícil os países crescerem sem investirem adequadamente no seu capital”.
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