Na intervenção que fez na quinta-feira. 25/08, na 15ª Cimeira dos BRICS, que se realizou em Joanesburgo, África do Sul, Presidente da República, Filipe Nyusi, defendeu a necessidade de uma cooperação entre os BRICS e os países menos desenvolvidos com base nos ditames da lei internacional e sem influência de rivalidades geopolíticas.

No seu discurso na sessão denominada “Diálogo dos Líderes Amigos dos BRICS”, Nyusi apontou que, apesar de haver uma aparente trajectória de recuperação na maioria dos países, prevalecem factores que amortecem a velocidade de crescimento.

Tais factores incluem a persistência da inflação alta em quase todo o mundo, acompanhada de elevadas taxas de juro nos países credores, o que acarreta o aumento dos custos de financiamento nos Estados. “Esta realidade implica o aumento do serviço da dívida, quebra de reservas externas, com consequência na depreciação cambial”, disse.

Sobre a transição energética no quadro das mudanças climáticas, referiu que, apesar de África estar a contribuir de forma insignificante na emissão de gases de estufa, é assolada recorrentemente por desastres naturais extremos.

Estes fenómenos, acrescentou, têm forte impacto na produção agrícola, emprego para jovens, qualidade de vida das pessoas e deslocação de milhares de africanos para a Europa.

“Toma se premente a adopção de uma transição energética justa que permita a capitalização do potencial económico dos países africanos com recursos energéticos em desenvolvimento que, indubitavelmente, jogam papel importante de segurança energética global nas próximas décadas”, referiu.

Também chamou a atenção para a necessidade de industrialização através da consolidação de cadeias de valor regionais de diversos produtos, tendo por base a edificação de infra-estruturas que potenciem a zona de comércio livre continental.

Disse ser importante o processamento de produtos agrícolas e de minerais estratégicos combinando recursos de países africanos para ganhos de economia de escala e acesso à energia em condições fiáveis, onde Moçambique deverá desempenhar um papel importante face ao seu potencial.

Sublinhou a necessidade de combate ao terrorismo e à pirataria marítima em África e no mundo, baseado em fóruns multilaterais com a participação activa dos países menos desenvolvidos.

Frente diplomática à margem da cimeira dos BRICS

Aproveitando a sua participação na cimeira dos BRICS, Filipe Nyusi, manteve uma série de encontros com os seus homólogos nos quais, essencialmente, reforçou a visão de Moçambique perante os desafios actuais que o mundo enfrenta. O estadista moçambicano manteve encontros com os líderes da Índia, Bangladesh e Emirados Árabes Unidos.

Nos encontros Filipe Nyusi partilhou a agenda do País no que diz respeito à necessidade de atrair investimento privado, sobretudo em áreas como construção de infra-estruturas e fornecimento de água potável, mas também sobre necessidade de se refletir na questão das guerras no mundo, recuperação económica dos países emergentes no pós-Covid-19, mudanças climáticas, industrialização, combate ao terrorismo e transição energética.

Sobre o último ponto, particularmente, Filipe Nyusi reiterou que a transição energética deve ser feita de forma justa, sem penalizar os países africanos considerando que estão em vias de crescimento.

Disse que o país participou naquele evento a título de convidado com o objectivo de criar bases para o desenvolvimento.

Filipe Nyusi acrescentou que o país avaliou positivamente o encontro, mas não abordou a possibilidade de aderir ao bloco.

Durante o diálogo, Moçambique fez-se representar também pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, e da Indústria e Comércio, Silvino Moreno.

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