
ONU Alerta Para Crescimento Insuficiente E Riscos Acrescidos Nos Países Menos Avançados E Em África
Relatório World Economic Situation and Prospects 2026 aponta dívida elevada, espaço fiscal limitado e vulnerabilidade climática como entraves estruturais ao desenvolvimento da região.
- Os Países Menos Avançados deverão crescer 4,6% em 2026, abaixo da meta de 7% dos ODS;
- África mantém crescimento moderado, insuficiente para absorver pressões demográficas e sociais;
- Dívida pública e serviço da dívida comprimem investimento produtivo e social;
- Acesso limitado a financiamento concessionário agrava vulnerabilidades estruturais;
- Choques climáticos e instabilidade geopolítica aumentam riscos económicos na região.
Os Países Menos Avançados (PMA/LDC) e o continente africano entram em 2026 com perspectivas de crescimento consideradas insuficientes para responder aos desafios estruturais de desenvolvimento, segundo o relatório World Economic Situation and Prospects 2026, divulgado pelas Nações Unidas. O documento alerta que, apesar de alguma resiliência económica, persistem constrangimentos profundos associados à dívida, ao limitado espaço fiscal e à elevada exposição a choques externos.
De acordo com o relatório, os PMA deverão registar um crescimento económico médio de 4,6% em 2026, um ritmo que permanece substancialmente abaixo da meta de 7% definida nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. A ONU sublinha que este desfasamento compromete a capacidade destes países reduzirem a pobreza, criarem emprego e acelerarem a transformação estrutural das suas economias.
No caso de África, o relatório aponta para um crescimento moderado, sustentado sobretudo pela procura interna e por alguma recuperação do investimento, mas insuficiente para responder às pressões demográficas, sociais e infra-estruturais do continente. A ONU alerta que, em muitos países africanos, o crescimento económico continua a não se traduzir em ganhos significativos de rendimento per capita.
Um dos principais factores de constrangimento destacados é o peso da dívida pública. O relatório refere que um número crescente de países africanos e PMA enfrenta níveis elevados de serviço da dívida, o que reduz drasticamente a margem orçamental para investimento em sectores-chave como infra-estruturas, educação, saúde e adaptação climática. Em vários casos, os encargos com a dívida superam a despesa pública combinada em sectores sociais prioritários.
A ONU chama igualmente a atenção para o acesso limitado a financiamento concessionário, num contexto em que a ajuda pública ao desenvolvimento tem crescido de forma desigual e o financiamento privado permanece concentrado em poucos países e sectores. Esta limitação agrava a dependência de financiamento mais oneroso, aumentando a vulnerabilidade fiscal e externa das economias africanas e dos PMA.
O relatório destaca ainda a exposição desproporcionada de África e dos PMA a choques climáticos, sublinhando que eventos extremos, como secas, cheias e ciclones, estão a provocar perdas económicas significativas, afectando a produção agrícola, a segurança alimentar e a estabilidade macroeconómica. A limitada capacidade de adaptação torna estes países particularmente vulneráveis às alterações climáticas.
No plano externo, a ONU alerta que a fragmentação do comércio internacional e as tensões geopolíticas continuam a penalizar os PMA e várias economias africanas, dificultando o acesso a mercados, tecnologia e financiamento. O crescimento do comércio global, projectado em cerca de 2,2% em 2026, é considerado insuficiente para impulsionar de forma decisiva as exportações destes países.
Perante este quadro, o relatório defende a necessidade de uma resposta internacional reforçada, incluindo alívio e reestruturação da dívida, aumento do financiamento concessionário, reforma da arquitectura financeira internacional e apoio à diversificação económica. Sem estas medidas, alerta a ONU, África e os Países Menos Avançados correm o risco de permanecer presos a um ciclo de crescimento baixo, elevada vulnerabilidade e progressos limitados no cumprimento da Agenda 2030.
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