Petróleo Volta a Cair com Escalada das Tensões EUA–China e Temores de Excesso de Produção

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Os preços do petróleo iniciaram a semana em queda, pressionados pelas tensões comerciais entre Washington e Pequim e pelos receios de um excesso de oferta global que ameaça prolongar a tendência de desvalorização do mercado energético.

Questões-Chave:
  • O barril de Brent caiu 0,4 %, fixando-se em 61,05 USD, enquanto o WTI desceu para 57,33 USD;
  • O mercado acumula três semanas consecutivas de perdas, num contexto de desaceleração económica e aumento da produção;
  • A Agência Internacional de Energia (AIE) projecta um potencial “excesso de oferta” em 2026;
  • A retoma das tensões comerciais entre os EUA e a China agrava a incerteza sobre a procura global de energia.

Os preços internacionais do petróleo voltaram a recuar esta segunda-feira, refletindo um clima de nervosismo nos mercados globais, à medida que a escalada das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China reacende temores de desaceleração económica e de enfraquecimento da procura por energia.

Mercado em Pressão: Três Semanas de Quedas Consecutivas

De acordo com a Reuters, o Brent caiu 24 cêntimos (–0,4 %), para 61,05 USD por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuou 21 cêntimos (–0,4 %), para 57,33 USD, apagando os ganhos registados na sessão anterior.

A descida prolonga uma série negativa de três semanas consecutivas de perdas, influenciada pela perspectiva de uma oferta global crescente e pela revisão em baixa das expectativas de crescimento económico mundial.

O analista Toshitaka Tazawa, da Fujitomi Securities, afirmou que “as preocupações com o aumento da produção dos países exportadores, combinadas com o receio de uma desaceleração económica devido às tensões EUA–China, continuam a exercer forte pressão vendedora sobre o mercado”.

A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu recentemente que o mercado petrolífero poderá enfrentar um novo ciclo de sobreoferta já em 2026, caso as principais economias mantenham a produção acima da procura.

“Os desequilíbrios entre a produção e o consumo, agravados pela incerteza geopolítica, estão a reduzir o apetite dos investidores por activos energéticos”, observou Tazawa.

Guerra Comercial Ameaça Abastecimento e Procura Global

A retoma da disputa comercial entre Washington e Pequim agrava as preocupações do mercado. Os dois maiores consumidores de petróleo do mundo voltaram a impor taxas portuárias adicionais sobre o transporte marítimo de carga entre ambos, um movimento de retaliação que ameaça perturbar os fluxos globais de frete e comprometer a estabilidade das cadeias de abastecimento.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) alertou que uma eventual “desvinculação” (decoupling) entre as duas economias poderá reduzir o produto económico global em até 7 % a longo prazo.

Paralelamente, a Casa Branca intensificou a pressão sobre compradores de crude russo, nomeadamente a Índia e a China, procurando restringir as importações a partir de Dezembro. Analistas acreditam que tais medidas poderão desviar volumes para o mercado asiático, criando distorções regionais nos preços e agravando a volatilidade.

“A incerteza geopolítica em torno da Rússia e o impasse comercial entre os EUA e a China criam um duplo risco de contração na procura e expansão na oferta”, comentou um economista da Energy Intelligence.

Produção Norte-Americana Volta a Subir e Complica o Equilíbrio

Do lado da oferta, os dados da Baker Hughes indicam que as empresas energéticas norte-americanas aumentaram o número de plataformas activas pela primeira vez em três semanas, um sinal de que a produção poderá voltar a subir nos próximos meses, contrariando a tendência de ajuste.

O mercado receia que, sem cortes coordenados por parte da OPEP+, o preço do barril possa regressar à faixa dos 50 USD nas próximas semanas, caso as tensões comerciais se prolonguem e os indicadores económicos da China continuem a enfraquecer.

Exportadores Vulneráveis à Nova Onda de Volatilidade

A contínua volatilidade dos preços do petróleo tem implicações directas para economias exportadoras, incluindo Angola, Nigéria e Moçambique, que dependem das receitas energéticas para sustentar as suas contas externas e financiar políticas públicas. Uma eventual queda prolongada poderá reduzir as margens fiscais e comprometer o planeamento de investimentos no sector.

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