PIB Cai 3,92% no Primeiro Trimestre de 2025: Sector Secundário em Forte Recuo Penaliza Desempenho

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Questões-Chave:

  • O Produto Interno Bruto (PIB) registou uma contracção de 3,92% no 1.º trimestre de 2025, em comparação com igual período de 2024;
  • Sector secundário liderou o declínio, com recuo de 16,18%, afectado sobretudo pelos ramos de Electricidade (-22,47%) e Indústria Manufactureira (-14,77%);
  • Sector terciário caiu 8,31%, com quebras nos ramos de Turismo, Transportes, Comércio e Comunicação;
  • Sector primário cresceu 2,09%, impulsionado pela Indústria Extractiva (+6,53%);
  • Consumo privado caiu 7,51%, mas o investimento (FBCF) registou crescimento expressivo de 29,75%;
  • A Agricultura mantém maior peso na economia nacional, com 31,94% do PIB.

A economia moçambicana arrancou o ano de 2025 em terreno negativo, com o Produto Interno Bruto (PIB) a registar uma contracção real de 3,92% no primeiro trimestre, face ao período homólogo de 2024. Os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE) evidenciam o impacto profundo da crise no sector industrial e energético, aliado à quebra do consumo privado e à pressão sobre o sector de serviços.

Um Arranque Recessivo: Primeira Queda Desde a Retoma Pós-Covid

Depois de um 2024 marcado por uma trajectória de recuperação gradual, o primeiro trimestre de 2025 reverteu essa tendência, colocando a economia novamente sob pressão. A queda de 3,92% no PIB representa a primeira variação trimestral negativa em mais de dois anos, num contexto de desafios persistentes na indústria transformadora, construção civil e fornecimento energético.

Sector Secundário em Recuo Acentuado

O sector secundário foi determinante no recuo geral do PIB, com uma variação negativa de 16,18%. Os destaques negativos incluem quedas expressivas nos sectores de Electricidade, Gás e Água (-22,47%), Indústria Manufactureira (-14,77%) e Construção (-10,77%). Estes dados reflectem problemas estruturais persistentes: instabilidade energética, atrasos em investimentos infraestruturais e baixa produtividade industrial.

Sector Terciário Atravessa Crise de Procura

O sector terciário registou uma contracção de 8,31%, com forte impacto sobre o comércio, serviços e turismo. O ramo de Hotéis e Restaurantes apresentou uma quebra acentuada de 21,57%, seguido pelos Transportes, Armazenagem e Comunicações com uma redução de 21,33%. O Comércio e Serviços de Reparação caíram 18,08%. Em sentido contrário, os Serviços Financeiros foram o único ramo do sector a registar crescimento, com um aumento de 4,88%.

Sector Primário Sustenta Resistência Parcial

Em contrapartida, o sector primário apresentou crescimento de 2,09%, alicerçado na Indústria Extractiva, que cresceu 6,53%. A Pesca e Aquacultura registaram um ligeiro aumento de 1,32%, enquanto a Agricultura e Silvicultura registaram um crescimento modesto de 0,39%. Apesar de limitado, este desempenho positivo contribuiu para mitigar o impacto recessivo dos restantes sectores.

Composição do PIB: Agricultura Continua a Ser Pilar Central

Apesar do crescimento modesto, a Agricultura manteve a maior participação no PIB, com 31,94% do total. Seguem-se a Indústria de Extracção Mineira com 13,18%, Comércio e Reparações com 7,13%, Transportes e Comunicações com 7,07%, Administração Pública com 6,35% e a Indústria Manufactureira com 5,92%. Estes dados sublinham a forte dependência da economia moçambicana dos sectores primários, sobretudo num momento de debilidade da base industrial e dos serviços urbanos.

Demanda Interna em Queda: Consumo Privado Cai 7,51%

Do lado da demanda agregada, o desempenho global foi afectado por uma queda de 0,22%, influenciada fortemente pelo recuo de 7,51% no consumo privado — o maior componente da procura interna. Ainda assim, registaram-se variações positivas na Formação Bruta de Capital Fixo, que cresceu 29,75%, e no Consumo Público, com aumento de 5,86%. As importações cresceram 6,11%, sinalizando um certo dinamismo no lado da procura, mas as exportações de bens e serviços caíram 2,26%, sinalizando pressão sobre a balança comercial e limitação da retoma nos mercados internacionais.

Um Primeiro Trimestre de Fragilidade Estrutural

Os dados divulgados pelo INE revelam fragilidades persistentes no modelo económico moçambicano, com a indústria e os serviços urbanos em contração profunda, a par de um consumo privado em declínio. A resiliência do investimento e do sector extractivo não foi suficiente para sustentar o crescimento. Os próximos trimestres exigirão medidas de política económica mais direccionadas, sobretudo no apoio à retoma industrial, na resolução dos constrangimentos energéticos e no estímulo ao consumo e à confiança dos agentes económicos.

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