Políticas económicas favorecem procura e prejudicam oferta de crédito

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O elevado custo do crédito na banca comercial constitui uma das principais preocupações do sector privado em Moçambique. Ora, a verdade é que apesar dos mais recentes dados apresentados pelo FMI nas perspetivas económicas 2019, indicarem que o crédito em moeda nacional tem vindo a evoluir gradualmente, ainda assim o crédito bancário continua proibitivo. Isto porque, o spread que é uma margem subtraída à prime rate, mediante a análise de risco de cada categoria de crédito ou operação em concreto não acompanha o redução da taxa única de referência para as operações de crédito, designado Prime Rate.

De acordo como o economista chefe do Millennium Bim, Oldemiro Belchior, um dos motivos que faz com o spread não reduza ou acompanhe aquilo que tem sido o andamento da taxa de referência é a falta de políticas económicas que estimulem o lado da oferta do crédito.

Oldemiro Belchior – Economista chefe do Millennium Bim

“É importante também não só termos uma política monetária que somente estimula o lado da procura, como também é importante termos politicas económicas que estimulem o lado da oferta. Isto é muito questionado pelo sector empresarial, porque é que é o spread de riscos da banca comercial não tem estado a reduzir ou a relaxar ou ainda acompanhar aquilo que tem sido o andamento da taxa de referência de política do banco central?”, questiona Belchior.

Para o economista, o país deve criar condições para estimular a banca comercial a conceder o crédito para as empresas e famílias. Aliás, uma das soluções que o economista apresenta para tornar o crédito mais flexíveis é a criação do fundo de garantia.

“É importante que se crie instrumentos financeiros alternativos que possam ser usados como mitigantes dos riscos nos empréstimos que a banca concede, por exemplo, criar-se o fundo de garantia,  porque nos últimos três anos devido a elevação do crédito malparado a banca teve que suportar um grande fardo e afectar imparidade em suas balanças, e isso de certa forma, restringe a oferta dos bancos na conceção de novos créditos”, sustenta Belchior.

Ari Aisen- Representante do FMI

Para o representante do FMI, Ari Aisen, o aspecto mais importante é que deve haver um equilíbrio que favorece a procura e a oferta do crédito. É necessário que as empresas se sintam confortáveis em demandar recursos na banca e a banca sinta-se confortável em oferecer recursos a taxas que tenha mais sentido para ambas as partes.

Em último momento, Oldemiro Belchior frisou que é necessário que os estímulos monetários surtam efeitos também do lado da oferta e não somente do lado da procura, para que de facto os bancos possam ter taxas de juro comercial mais atrativas e competitivas por forma a apoiar o aumento da produção e produtividade do sector privado.

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