
Vietname Propõe Nova Etapa Económica Na Parceria Histórica Com Moçambique
Depois de mais de cinco décadas de relações diplomáticas, Hanói propõe uma parceria mais orientada para investimento, conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável. Telecomunicações, agricultura, educação e saúde formam a base existente, enquanto industrialização, transformação digital, energia e logística podem abrir uma nova etapa.
- Moçambique ocupa um lugar prioritário na política externa do Vietname para África, segundo a Embaixadora Tran Thi Thu Thin;
- Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 25 de Junho de 1975, no próprio dia da independência de Moçambique;
- O Vietname pretende transformar a amizade histórica numa parceria mais económica, efectiva e mutuamente benéfica;
- A Movitel, os programas agrícolas, a cooperação médica e a formação de estudantes constituem as principais referências da relação bilateral;
- O acordo de cooperação na educação foi renovado e prevê o aumento do número de bolsas de estudo para moçambicanos;
- O Vietname reduziu a pobreza de cerca de 60% em 1986 para menos de 2% e pretende tornar-se uma economia de rendimento elevado até 2045;
O Vietname pretende utilizar a confiança política e a amizade histórica com Moçambique para construir uma nova etapa de cooperação, orientada para oportunidades económicas, conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável.
A posição foi apresentada pela Embaixadora do Vietname em Moçambique, Tran Thi Thu Thin, durante as celebrações do 81.º aniversário da proclamação da independência da República Socialista do Vietname, realizadas a 27 de Agosto, no Museu de História Natural, em Maputo.
Na sua intervenção, a diplomata considerou que o início do segundo meio século das relações entre os dois países cria condições para transformar a solidariedade histórica numa parceria “mais substantiva, efectiva e benéfica para os dois povos”.
Moçambique e o Vietname estabeleceram relações diplomáticas em 25 de Junho de 1975, precisamente no dia em que o País proclamou a independência. Ao longo de mais de cinco décadas, a cooperação expandiu-se para as telecomunicações, agricultura, saúde, educação e formação de recursos humanos.
A próxima fase poderá ampliar estas relações para áreas ligadas à industrialização, tecnologia, energia, logística e qualificação profissional, sectores que o Vietname definiu como prioritários para a sua própria estratégia de desenvolvimento.
Doi Moi Transformou Estrutura Da Economia Vietnamita
A Embaixadora apresentou o percurso económico do Vietname como resultado de quatro décadas de reformas iniciadas com o programa Doi Moi, expressão traduzida como Renovação.
Adoptado em 1986, o processo introduziu mecanismos de mercado, abriu a economia ao investimento externo, aumentou a participação do sector privado e integrou progressivamente o país nas cadeias comerciais internacionais.
Segundo os dados apresentados por Tran Thi Thu Thin, o Vietname passou de uma economia pobre, afectada pela guerra e pelo isolamento comercial, para a 32.ª maior economia mundial e uma das 20 principais em comércio e atracção de investimento.
A taxa de pobreza, que abrangia aproximadamente 60% da população no início do Doi Moi, encontra-se actualmente abaixo de 2%. A transformação foi acompanhada pela expansão da capacidade industrial, tecnológica e exportadora.
A experiência vietnamita demonstra que a disponibilidade de mão-de-obra e recursos não é suficiente para assegurar o desenvolvimento. A transformação exige estabilidade, reformas institucionais, investimento produtivo, infra-estruturas, qualificação e integração nos mercados externos.
O crescimento do Vietname foi também sustentado por uma política industrial que combinou investimento estrangeiro com desenvolvimento gradual de fornecedores, capacidade exportadora e aprendizagem tecnológica.
Para Moçambique, trata-se de uma referência relevante num momento em que o País procura converter grandes investimentos em gás, mineração, agricultura e infra-estruturas numa base produtiva mais diversificada.
Hanói Define Nova Etapa De Industrialização
O Vietname pretende tornar-se, até 2030, um país de rendimento médio-alto, apoiado numa indústria moderna. A meta coincide com o centenário da criação do Partido Comunista do Vietname.
Para 2045, ano em que se assinalará o centenário da independência, o objectivo é alcançar o estatuto de país desenvolvido e de rendimento elevado.
A Embaixadora indicou que o Vietname ambiciona manter um crescimento de dois dígitos entre 2026 e 2030, através de reformas, industrialização moderna, transformação digital, transição energética e inovação científica.
O país procura atrair investimento estrangeiro de maior qualidade, intensivo em tecnologia e orientado para sectores considerados estratégicos. Entre as prioridades encontram-se semicondutores, inteligência artificial, tecnologias digitais, energias renováveis, transportes de alta velocidade, logística inteligente, indústria avançada e desenvolvimento de recursos humanos.
Estas áreas pertencem à estratégia nacional vietnamita, mas também podem oferecer referências e espaços de cooperação com Moçambique. A possibilidade de aplicação dependerá da identificação de projectos concretos, investidores, mecanismos de financiamento e interesses empresariais comuns.
Movitel Constitui Principal Referência De Investimento
A Movitel permanece o exemplo mais visível da presença empresarial vietnamita em Moçambique. A operadora de telecomunicações, constituída como empreendimento conjunto com investimento vietnamita, expandiu infra-estruturas e serviços de comunicação em diferentes regiões do País.
A empresa representa uma experiência concreta de investimento bilateral com incidência sobre conectividade, inclusão digital, emprego, competências técnicas e funcionamento de empresas e serviços públicos.
Durante as cheias que afectaram Moçambique no início de 2026, a Movitel mobilizou equipas e recursos para restabelecer as comunicações e reconectar as comunidades atingidas, segundo a Embaixadora.
O desenvolvimento da relação económica poderá aproveitar a experiência acumulada pela empresa para atrair outros investidores vietnamitas. A presença de uma companhia já estabelecida reduz parte das assimetrias de informação sobre o ambiente de negócios, logística, regulação e gestão de operações em Moçambique.
O desafio será transformar um investimento de referência numa carteira mais diversificada, envolvendo agricultura, processamento alimentar, tecnologia, equipamentos, formação, energia e serviços.
Agricultura Pode Ganhar Uma Dimensão Empresarial
A agricultura constitui outra área histórica da cooperação entre Moçambique e o Vietname. O país asiático acumulou experiência na transformação de uma agricultura de baixa produtividade numa base exportadora de arroz, café, caju, produtos pesqueiros e outros bens.
A cooperação bilateral pode avançar de programas técnicos para cadeias de valor comerciais, envolvendo sementes, irrigação, mecanização, extensão rural, processamento, conservação, logística e acesso aos mercados.
Moçambique dispõe de terra, água e diversidade agro-ecológica, mas continua a importar produtos alimentares e a exportar parte da produção com transformação limitada. O Vietname possui tecnologia adaptada a pequenos produtores, experiência em organização de cadeias agrícolas e empresas com conhecimento de mercados asiáticos.
A combinação destes activos poderá criar oportunidades de investimento orientadas para a produção e agro-indústria. Para que os resultados sejam sustentáveis, os projectos precisarão de integrar produtores moçambicanos, desenvolver fornecedores e assegurar acesso a financiamento e mercados.
Bolsas De Estudo Apoiam Formação De Capital Humano
Moçambique e o Vietname renovaram recentemente o acordo de cooperação na educação, aumentando o número de bolsas de estudo disponíveis para estudantes moçambicanos.
Os dois países estão a concluir os procedimentos necessários para receber novos estudantes no Vietname no ano lectivo com início em Setembro, revelou a Embaixadora.
A formação constitui uma componente económica da parceria. Engenheiros, especialistas e outros profissionais formados no Vietname podem apoiar a transferência de conhecimento e facilitar a implementação de projectos conjuntos.
Tran Thi Thu Thin descreveu os antigos estudantes moçambicanos formados naquele país como “pontes vivas” entre as duas sociedades. O seu conhecimento da língua, instituições e cultura pode igualmente favorecer relações empresariais e técnicas.
A expansão das bolsas poderá ser orientada para áreas relacionadas com as prioridades de desenvolvimento de Moçambique, incluindo agricultura, engenharia, tecnologias digitais, energia, logística, saúde e indústria.
Cooperação Médica Mantém Importância Social
Os especialistas vietnamitas que trabalham no sistema de saúde moçambicano representam outra dimensão duradoura da cooperação. A presença destes profissionais tem contribuído para a prestação de serviços e para a partilha de conhecimentos.
A experiência poderá ser alargada para formação médica, telemedicina, equipamentos hospitalares, indústria farmacêutica e gestão de unidades sanitárias, dependendo dos entendimentos entre os dois governos e instituições.
O Vietname desenvolveu capacidade de produção de medicamentos, equipamentos e soluções digitais de saúde que pode ser relevante para países que procuram reduzir custos e ampliar a cobertura.
A cooperação no sector pode, deste modo, evoluir da disponibilização de especialistas para relações institucionais e empresariais de maior alcance.
Solidariedade Ganhou Expressão Durante As Cheias
A Embaixadora recordou que o Governo e o povo vietnamitas disponibilizaram US$100 mil para apoiar as populações afectadas pelas cheias registadas em Moçambique no início do ano.
A comunidade vietnamita residente no País contribuiu com seis toneladas de alimentos, entregues directamente a pessoas acolhidas num centro de assistência na província de Maputo.
Embora os recursos sejam limitados perante a dimensão dos prejuízos, a diplomata considerou que as acções demonstram uma relação que se expressa através de iniciativas concretas nos momentos de maior necessidade.
A cooperação em resposta a desastres também pode adquirir uma componente técnica, envolvendo sistemas de alerta, comunicações de emergência, agricultura resiliente, planeamento territorial e infra-estruturas adaptadas ao risco climático.
Relação Política Procura Maior Conteúdo Económico
O Vietname mantém relações diplomáticas com 194 membros das Nações Unidas e estabeleceu parcerias estratégicas ou estratégicas abrangentes com as principais potências mundiais. A sua política externa assenta na independência, diversificação e cooperação multilateral.
Neste quadro, Moçambique ocupa, segundo Tran Thi Thu Thin, um lugar importante e prioritário na presença vietnamita em África.
A afinidade histórica cria confiança política, mas a ampliação da relação económica exigirá instrumentos operacionais: missões empresariais, identificação de projectos, facilitação do investimento, acesso ao financiamento, acordos comerciais e ligações entre empresas.
Também será necessário aumentar o conhecimento recíproco dos mercados. A distância geográfica, os custos logísticos e a limitada conectividade comercial directa podem restringir os negócios quando não existem mecanismos institucionais de aproximação.
A experiência do Vietname na industrialização orientada para exportações, integração de pequenas empresas e atracção de investimento tecnológico pode oferecer referências para Moçambique. A sua aplicação deve, contudo, ser adaptada à estrutura económica, capacidade institucional e prioridades nacionais.
Depois de 51 anos de relações diplomáticas, a cooperação Moçambique–Vietname possui uma base política consolidada. A agenda apresentada pela Embaixadora aponta agora para uma relação em que a amizade histórica deverá gerar investimento, conhecimento, inovação e oportunidades económicas mais visíveis para os dois países.
Agricultura Pode Ganhar Uma Dimensão Empresarial
A agricultura constitui outra área histórica da cooperação entre Moçambique e o Vietname. O país asiático acumulou experiência na transformação de uma agricultura de baixa produtividade numa base exportadora de arroz, café, caju, produtos pesqueiros e outros bens.
A cooperação bilateral pode avançar de programas técnicos para cadeias de valor comerciais, envolvendo sementes, irrigação, mecanização, extensão rural, processamento, conservação, logística e acesso aos mercados.
Moçambique dispõe de terra, água e diversidade agro-ecológica, mas continua a importar produtos alimentares e a exportar parte da produção com transformação limitada. O Vietname possui tecnologia adaptada a pequenos produtores, experiência em organização de cadeias agrícolas e empresas com conhecimento de mercados asiáticos.
A combinação destes activos poderá criar oportunidades de investimento orientadas para a produção e agro-indústria. Para que os resultados sejam sustentáveis, os projectos precisarão de integrar produtores moçambicanos, desenvolver fornecedores e assegurar acesso a financiamento e mercados.
Bolsas De Estudo Apoiam Formação De Capital Humano
Moçambique e o Vietname renovaram recentemente o acordo de cooperação na educação, aumentando o número de bolsas de estudo disponíveis para estudantes moçambicanos.
Os dois países estão a concluir os procedimentos necessários para receber novos estudantes no Vietname no ano lectivo com início em Setembro, revelou a Embaixadora.
A formação constitui uma componente económica da parceria. Engenheiros, especialistas e outros profissionais formados no Vietname podem apoiar a transferência de conhecimento e facilitar a implementação de projectos conjuntos.
Tran Thi Thu Thin descreveu os antigos estudantes moçambicanos formados naquele país como “pontes vivas” entre as duas sociedades. O seu conhecimento da língua, instituições e cultura pode igualmente favorecer relações empresariais e técnicas.
A expansão das bolsas poderá ser orientada para áreas relacionadas com as prioridades de desenvolvimento de Moçambique, incluindo agricultura, engenharia, tecnologias digitais, energia, logística, saúde e indústria.
Cooperação Médica Mantém Importância Social
Os especialistas vietnamitas que trabalham no sistema de saúde moçambicano representam outra dimensão duradoura da cooperação. A presença destes profissionais tem contribuído para a prestação de serviços e para a partilha de conhecimentos.
A experiência poderá ser alargada para formação médica, telemedicina, equipamentos hospitalares, indústria farmacêutica e gestão de unidades sanitárias, dependendo dos entendimentos entre os dois governos e instituições.
O Vietname desenvolveu capacidade de produção de medicamentos, equipamentos e soluções digitais de saúde que pode ser relevante para países que procuram reduzir custos e ampliar a cobertura.
A cooperação no sector pode, deste modo, evoluir da disponibilização de especialistas para relações institucionais e empresariais de maior alcance.
Solidariedade Ganhou Expressão Durante As Cheias
A Embaixadora recordou que o Governo e o povo vietnamitas disponibilizaram US$100 mil para apoiar as populações afectadas pelas cheias registadas em Moçambique no início do ano.
A comunidade vietnamita residente no País contribuiu com seis toneladas de alimentos, entregues directamente a pessoas acolhidas num centro de assistência na província de Maputo.
Embora os recursos sejam limitados perante a dimensão dos prejuízos, a diplomata considerou que as acções demonstram uma relação que se expressa através de iniciativas concretas nos momentos de maior necessidade.
A cooperação em resposta a desastres também pode adquirir uma componente técnica, envolvendo sistemas de alerta, comunicações de emergência, agricultura resiliente, planeamento territorial e infra-estruturas adaptadas ao risco climático.
Relação Política Procura Maior Conteúdo Económico
O Vietname mantém relações diplomáticas com 194 membros das Nações Unidas e estabeleceu parcerias estratégicas ou estratégicas abrangentes com as principais potências mundiais. A sua política externa assenta na independência, diversificação e cooperação multilateral.
Neste quadro, Moçambique ocupa, segundo Tran Thi Thu Thin, um lugar importante e prioritário na presença vietnamita em África.
A afinidade histórica cria confiança política, mas a ampliação da relação económica exigirá instrumentos operacionais: missões empresariais, identificação de projectos, facilitação do investimento, acesso ao financiamento, acordos comerciais e ligações entre empresas.
Também será necessário aumentar o conhecimento recíproco dos mercados. A distância geográfica, os custos logísticos e a limitada conectividade comercial directa podem restringir os negócios quando não existem mecanismos institucionais de aproximação.
A experiência do Vietname na industrialização orientada para exportações, integração de pequenas empresas e atracção de investimento tecnológico pode oferecer referências para Moçambique. A sua aplicação deve, contudo, ser adaptada à estrutura económica, capacidade institucional e prioridades nacionais.
Depois de 51 anos de relações diplomáticas, a cooperação Moçambique–Vietname possui uma base política consolidada. A agenda apresentada pela Embaixadora aponta agora para uma relação em que a amizade histórica deverá gerar investimento, conhecimento, inovação e oportunidades económicas mais visíveis para os dois países.
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