Novo ciclo de investimento da AGRA deverá beneficiar perto de 2 milhões de pequenos agricultores

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Gestor máximo da organização Pan-Africana Agra Moçambique, Paulo Mole

Trata-se do terceiro ciclo de investimento no País realizado pela Agra que está em Moçambique desde 2006, e neste novo ciclo segundo deu a conhecer Paulo Mole que é o gestor máximo da organização Pan-Africana Agra Moçambique, trata-se de uma estratégia nacional que versa em 4 componentes de negócios da AGRA, designadamente;

  • Ancorar todos os investimentos à volta de mercados de insumos e produtos dos pequenos produtores, na qual utiliza-se os mercados de insumos agrícolas como alavanca da produtividade no sector agrário pelas famílias moçambicanas;
  • Apoiar sistemas de sementes, ou seja, continuar a melhorar na qualidade das sementes e disponibilidade;
  • Transmitir as melhores práticas possíveis da agricultura entre os pequenos produtores que a Agra apoia;
  • Fortalecer institucionalmente e reformar as políticas desajustadas.

Com estas estratégias a AGRA acredita que haverá espaço de manobra para que o sector privado invista nas cadeias de sementes, fertilizantes, adubos, em redes de distribuição de insumos e agregação do produto, explanou Paulo Mole, num exclusivo com o O.Económico.

“Com as sementes melhoradas, solos férteis, práticas sustentáveis é possível os produtores aumentarem a produtividade, e nesse sentido procurar mercados para naturalmente venderem os seus produtos”. Disse

Paulo Mole descreveu as fases estratégicas de financiamento ao sector da agricultura em Mocambique, por parte da AGRA, a primeira fase (2007-2016) orçada em US$ 25 milhões, na qual basicamente foi investir na capacidade da pesquisa & desenvolvimento do Ministério da Agricultura, concretamente na formação de 60 cientistas, 10% a nível de doutoramento em melhoramento de plantas e fertilidade dos solos, e os restantes 90% a nível de mestrado, a maioria dos quais a trabalhar no Instituto Nacional de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), e durante este ciclo a AGRA apoiou em elaboração de marcos regulatórios, nomeadamente regulamentos de sementes e fertilizantes;

Na segunda fase (2017-2021) orçada em US$ 20 milhões, a AGRA Moçambique incidiu sobre o desbloqueio das restrições vinculativas ao crescimento da agricultura ao nível nacional e no âmbito dos sistemas agrícolas, cujo maior  enfoque foi no apoio aos sistemas de extensão, ou seja levar as tecnologias aos produtores nos sistemas de mercado, bem como desenvolver mercados que estimulem os produtores para sejam capazes de perceber o que produzir, como produzir, o que vender e aonde vender, através de sistema de informação de mercados e por plataformas que permitem trazer informação ao produtor sobre o que é que o mercado procura e como responder, o que permitiu que houvesse identificação e formação de uma rede de 2.275 micro e pequenas empresas rurais, abrangendo 874 mil pequenos agricultores, 32 atacadistas de insumos e 1.758 retalhista de insumos que facilitaram a venda de cerca de 1.034 mil toneladas de produtos através de mercados estruturados no valor de US$ 231,2 milhões.

Dando mais detalhes sobre a terceira fase (2023 -2027) orçada em US$ 28 milhões, Paulo Mole começou por considerar que este ciclo vai dar ímpeto a cadeia de distribuição dos insumos trazendo-a para perto do produtor, mas também levar a produção para os mercado, portanto, irá centralizar-se muito na competitividade das empresas, sobretudo as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME’s), e com isso ajuda-las a crescer para que sejam capazes de prover os serviços, para que os produtores sejam capazes de responder às leis do mercado.

Abeirando sobre as culturas que Agra Moçambique vai apostar neste novo ciclo, Paulo Mole assegurou que a sua organização vai continuar a trabalhar em quatro culturas básicas, que são milho, soja, mandioca e arroz, por considerar que são culturas fundamentais na segurança alimentar sobretudo os tubérculos, mas alertou que as 4 culturas são de ciclo, o que precipitou a ponderação e intervenção da AGRA Moçambique no apoio à cadeia de hortícolas, para servir de diversificação da renda dos produtores nas épocas do ciclo das quatros culturas que referenciou como prioridade.

Sobre a dimensão geográfica de actuação deste terceiro ciclo de estratégia de financiamento ao sector da agricultura, o gestor máximo da Agra Moçambique apontou os corredores da Beira, Nacala, Pemba, e Vale do Zambeze, e disse na mesma senda, “ Nós, naturalmente, já tivemos intervenções no corredor do Limpopo e de Maputo com outros parceiros, como IFAD”

Sobre os desafios que a AGRA Moçambique percebe da agricultura nacional, Paulo Mole apontou a pressão sobre a disponibilidade de recursos financeiros, ou seja, a banca nacional ainda não disponibiliza produtos financeiros adequados aos pequenos produtores, porque nem sempre os bancos comerciais que existem estão atentos ou disponíveis para isso, porém , mostrou-se optimista que o sector financeiro vai ser responsivo, e será sensível ao desafio presente, e que também é uma questão de exposição sobre o que existe como é que isso se faz, e com a experiência que a AGRA tem noutros países, vai procurar trazer essa experiência para Moçambique.

Os financiamentos que AGRA Moçambique aloca para o sector agrícola não são empréstimos, mas sim está ligado à transmissão de conhecimento e de tecnologia, portanto, a Agra como uma organização Pan-Africana de apoio aos pequenos produtores estimula os produtores a fazer agricultura um negócio, e nesse sentido a AGRA procura viabilizar a agricultura dos pequenos produtores para que estes sirvam-se da agricultura como fonte de renda e combate à pobreza.

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