Cimeira Africana do Clima: Nyusi defende envolvimento das comunidades na protecção da natureza

0
549

O Presidente da República, Filipe Nyusi, partilhou hoje, em Nairobi, capital queniana, a experiência de Moçambique na gestão e protecção da natureza, tendo vincado a necessidade de inclusão das comunidades locais neste processo, revala a AIM, a partir de Nairobi.

Nyusi falava durante a ‘Cimeira Africana do Clima 2023’, um evento organizado pelo governo queniano, em colaboração com a Comissão da União Africana (CUA), que decorreu sob o lema “Impulsionando o Crescimento Verde e Soluções de Financiamento Climático para África e o mundo”.

Citado pela AIM, na sua intervenção, Nyusi explicou que as comunidades usam no seu quotidiano recursos naturais para a sua sobrevivência, algumas vezes de forma insustentável, citando como exemplo a destruição de mangais para fazer construções precárias ou para a obtenção de lenha.

Sendo assim, segundo o estadista, é necessário um diálogo entre os governantes e as comunidades locais. “Elas vivem destes recursos e não podemos conflituar a sua sobrevivência com a protecção da natureza”,

“Muitas vezes falamos apenas em alto nível, os assuntos de protecção da natureza, mas aqueles que vivem essas realidades com a natureza são as comunidades”, disse.

“Então, elas têm que colaborar connosco para proteger os seus meios de subsistência”, acrescentou o Chefe de Estado moçambicano.

Além de praias, lagos e rios, o território moçambicano é coberto por parques, reservas (incluindo marinhas) e áreas de protecção.

Nesta perspectiva, diferentes acções foram empreendidas pelo governo para reunir parceiros privados e comunidades locais na protecção destas áreas e, como consequência, estas iniciativas levaram à redução, por exemplo, da caça furtiva de rinocerontes, leões, bem como da exploração ilegal da madeira em troncos.

Noutra vertente, Nyusi recordou que, a África, particularmente Moçambique, é ciclicamente devastada pelos impactos das alterações climáticas.

“Tivemos muitas tempestades naturais e secas. O ciclone Freddy foi extraordinário, porque demorou mais tempo, mais de 14 dias, e fomos afectados duas vezes pelo ciclone Freddy”, referiu, anotando que eventos extremos afectam negativamente as populações não só em Moçambique, mas também em outros países.

Neste contexto, Nyusi apelou a união de esforços na mitigação dos efeitos devastadores das mudanças climáticas

Aliás, anotou que as consequências dos desastres naturais não têm fronteira, o que reforça a ideia de um trabalho conjunto para minimizar os danos que estes causam, tanto humanos quanto de infra-estruturas.

No período da tarde, o Presidente moçambicano fez uma outra intervenção num painel dedicado ao tema: “Abrindo o Potencial da Economia Azul Regenerativa em África e Além”.

Neste painel, Nyusi explicou sobre as acções em curso no país para o aproveitamento das potencialidades existentes, bem como o quadro legal que está sendo adoptado para a materialização deste desafio.

A Cimeira Africana do Clima surge o contexto de concertação de uma posição única do continente na próxima Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28), a ter lugar este ano em Novembro nos Emirados Árabes Unidos (EAU).

O evento juntou líderes africanos, representantes de organizações das Nações Unidas, organizações internacionais, da sociedade civil e sector privado.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.