
Primeira medida de emissões da rede da África do Sul destaca a dependência do carvão
- A intensidade de carbono é a mais elevada de todos os países do G20
- Mais de uma tonelada de carbono emitida por megawatt-hora produzido
A África do Sul produziu o seu primeiro indicador oficial da intensidade de carbono da sua produção de electricidade, confirmando o seu estatuto de um dos maiores produtores mundiais per capita de gases com efeito de estufa.
O Departamento de Florestas, Pescas e Ambiente do afirmou este mês que o factor de emissão da rede de produção doméstica do país, ou DGGEF na sigla em inglês, uma medida da intensidade de carbono da electricidade produzida no país, é de 1,013 toneladas de dióxido de carbono ou o seu equivalente por megawatt-hora. O departamento utilizou dados de 2021.
Embora não exista uma comparação directa, uma vez que são utilizadas diferentes metodologias para determinar o factor, a Ember, um grupo de reflexão sobre o clima, afirmou que a África do Sul tem o sistema energético com maior intensidade de carbono de todos os países do Grupo dos 20, seguida da Arábia Saudita e da Índia.
A introdução da medida é mais um passo do País, que depende do carvão para mais de 80% da sua energia eléctrica, para fazer a transição da sua rede para longe dos combustíveis fósseis. Embora o processo tenha sido afectado por lutas políticas internas, o país comprometeu-se com objectivos ambiciosos de redução das emissões e elaborou um plano para diminuir a sua dependência do carvão.
“O Governo pode utilizar estes factores para monitorizar e analisar as tendências das emissões de electricidade, orientar a modelação da atenuação das alterações climáticas e informar a resposta política à atenuação das alterações climáticas”, afirmou o departamento numa resposta a perguntas.
A medida da Ember do factor de emissão da rede da África do Sul é mais baixa, mas o país “pode estar a utilizar uma metodologia mais adaptada, baseada nas emissões reais das centrais”, afirmou.
O indicador pode ser utilizado pelos operadores de projectos de crédito de carbono, que visam remover ou impedir que o dióxido de carbono ou o seu equivalente, que aquece o clima, entre na atmosfera, para determinar o impacto dos seus programas.
Para além do DGGEF, que se baseou nas 216,2 milhões de toneladas de emissões produzidas pelas centrais eléctricas sul-africanas, o departamento afirmou que o factor de emissão da rede nacional de produção, que inclui a energia hidroeléctrica importada, foi de 985 quilogramas de dióxido de carbono ou o seu equivalente emitido por megawatt-hora.
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