Agravamento das importações e redução de exportações minam Balança Comercial em 2019

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Segundo as respostas do Banco de Moçambique à imprensa, referente ao comportamento da Balança Comercial em 2019, os dados provisórios da Balança de Pagamentos de 2019 indicam que as transações de bens entre Moçambique e o resto do mundo registaram um saldo deficitário na ordem de USD 2,081.2 milhões (13.1% do PIB), contra os USD 971.5 milhões (6.6% do PIB) de 2018. Este agravamento foi determinado pelo efeito combinado do incremento da factura de importações em 10.2% para USD 6,798.7 milhões, e a redução das receitas de exportações em 17.3% para USD 4,717.5 milhões.

Em termos específicos, de acordo com o BM, o agravamento das importações está relacionado com o incremento da factura de importação de bens de capital – aumento em 26% para USD 1,365.5 milhões, com enfoque para a importação de maquinaria, tractores e semi-reboques, em USD 260.6 milhões e USD 21.3 milhões, respectivamente, ligadas à fase de construção de infraestruturas vitais para o início das actividades de exploração de gás natural por parte das principais empresas de exploração nas áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma; bens de consumo – que subiu em 14.5%, para USD 1,533.6 milhões, com destaque para a factura de importação de óleo alimentar em USD 63.3 milhões, automóveis em USD 28.9 milhões, pneus novos e peixe congelado, em USD 16.7 milhões e 16.2 milhões, respectivamente; e bens intermédios – com um incremento em 8.9%, para USD 2,234.6 milhões, com enfoque para o acréscimo na importação de material de construção em USD 183.2 milhões para USD 578 milhões, alcatrão e betume de petróleo em USD 46.6 milhões para USD 53.2 milhões, justificado, em parte, pela fase de reconstrução pós ciclone IDAI e KENETH, seguidos de adubos e fertilizantes, em 38.9% para USD 68.2 milhões.

Por seu turno, prossegue o Banco de Moçambique, a queda das exportações foi justificada pelo efeito combinado da desaceleração dos preços médios das mercadorias no mercado internacional e a redução do volume de exportações, com destaque para a diminuição dos produtos dos grandes projectos, nomeadamente, Carvão mineral (em 26.9%, para USD 1.257.3 milhões), Gás natural (em 12.4 %, para USD 273.7 milhões), e Alumínio (em 19.7%, para USD 990.6 milhões).

Contudo, continua a nossa fonte, as receitas de exportação dos produtos tradicionais cresceram em 15.4% para USD 1,479.2 milhões (9.3% PIB), com enfoque para legumes e hortícolas (USD 56.1 milhões), amêndoa de caju (USD 39.2 milhões), algodão (USD 33.2 milhões), camarão (USD 21.5 milhões), castanha de caju (USD 20.5 milhões) e tabaco (USD 10.6 milhões).

 

Remessa dos mineiros ainda é uma incógnita

De acordo com o Memorando de Entendimento entre o Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social, o Banco de Moçambique e a TEBA LTD, de 12 de Abril de 2016, que estabelece  o enquadramento geral relativo ao pagamento deferido aos trabalhadores mineiros na África do Sul, estes passaram a receber os seus rendimentos deferidos em Moçambique, junto dos bancos comerciais e não no BM como ocorria anteriormente. Nesse sentido, o BM está a trabalhar com os bancos comerciais para poder obter a informação detalhada, referente às remessas de rendimentos repatriadas, que permita analisar o real fluxo de remessas dos mineiros moçambicanos naquele país vizinho.

 

Em termos globais, a remessa de rendimentos dos trabalhadores moçambicanos na diáspora totalizou, em 2019, o montante de USD157.9 milhões, o que representa um acréscimo de 16.9% em relação aos USD 131.2 milhões registados no ano 2018.

Importação de combustível em alta

De acordo com BM, a factura de importação de combustíveis, em 2019, foi de USD 933.4 milhões, um incremento de 24.9% em relação a 2018, em que a factura foi de USD 871.1 milhões.

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