
Experiência das linhas de crédito COVID-19, do BNI, expõem estado sedento das PME’s por financiamento
As condições apresentadas para o acesso às Linhas de Crédito Gov Covid-19 e BNI Covid -19, disponibilizadas pelo Governo e promovidas pelo BNI no “âmbito dos apoios ao sector empresarial de pequena e media dimensão a enfrentar a crise provocada pela pandemia do Covid-19 vieram revelar de forma ainda mais pronunciada a avidez pelo crédito adequado por parte do nosso tecido empresarial, se dúvidas ainda houvesse.
É que a actractividade das condições dos dois produtos financeiros, gerou uma procura 587% superior ao valor disponível, facto que permite tirar uma série de ilações a volta da problemática cada vez mais candente do acesso ao crédito no País
Estatísticas preliminares divulgadas recentemente pelo Banco Nacional de Investimentos (BNI) revelam que a instituição recebeu pelo menos 1.031 propostas de todo o país, que no todo representam uma demanda de cerca de 11 mil milhões de meticais contra os 1,6 mil milhões de meticais disponíveis. A demanda pelas linhas de crédito supera o montante disponível em mais de 9,4 mil milhões de meticais, ou seja, a demanda está acima do montante disponível em cerca de 587% , aproximadamente.
Os dados publicados pelo BNI detalham que, das 1031 propostas, 570 (55%) são da zona sul, 291 (28%) são da zona centro e 170 (17%) são da zona norte, o que significa que as zonas centro e norte representam cerca de 45% das propostas submetidas desde o início do processo. Em termos de montantes demandados, dos cerca de 11,0 mil milhões de meticais demandados, cerca de 6,3 mil milhões são da zona sul, 2,3 mil milhões são da zona centro e 2,4 são da zona norte. Relativamente a massa laboral, o BNI avança que as 1031 propostas submetidas, empregam actualmente 22.836 trabalhadores, sendo 15.612 da zona sul, 4.708 da zona centro e 2,516 da zona norte.
Das propostas submetidas, 359 foram devidamente analisadas e apenas 112 foram aprovadas, das quais 61 (55.0%) são da zona sul, 35 (31.0%) são da zona centro, e 16 (14.0%) são da zona norte, sendo que a maior aprovação de propostas é do sector de comércio, que representa 26% do total ao nível nacional. Em termos de montantes, as propostas aprovadas representam cerca de 1,1 mil milhões de meticais, sendo que cerca de 590 milhões (53%) são da zona sul, 390 milhões (35%) são da zona centro e 128 milhões (12%) são da zona norte.
Face a insuficiência de fundos para atender as necessidades do grande número de empresas, o BNI procedeu, durante a primeira quinzena de Setembro, ao encerramento do processo de recepção das propostas ao nível nacional. O excesso de procura por estas linhas de crédito revela, entre outros aspectos, o estado sedento do tecido empresarial nacional de micro, pequena e média dimensão, no que diz respeito ao acesso ao financiamento adequado, acessível e sustentável.
De referir que estas linhas de crédito, lançadas a 01 de Julho do presente ano pelo BNI, constituem uma das medidas adpotadas para mitigação dos impactos da COVID-19. Trata-se de duas linhas criadas com o intuito de financiar a tesouraria das micro, pequenas e médias empresas, nomeadamente: (i) a “Linha de Crédito Gov. COVID-19”, do governo, no valor de 1.000,00 milhões de meticais financiados por fundos do Estado, e; (ii) a “Linha de Crédito BNI COVID-19”, do BNI, no valor de 600,00 milhões de meticais, financiada por fundos do Instituto Nacional de Segurança Social – INSS.


















