
Petróleo Cai Pelo Segundo Mês Consecutivo À Medida Que Crescem os Receios de Excesso de Oferta
Aumento da produção global, acumulação inesperada de reservas nos Estados Unidos e sinais de abrandamento económico alimentam o pessimismo nos mercados petrolíferos, com o Brent e o WTI a registarem a segunda semana de perdas consecutivas.
- O preço do Brent situou-se em torno de 63,6 dólares por barril e o WTI próximo dos 60 dólares, ambos com quedas semanais de cerca de 2%;
- A OPEP+ aumentou ligeiramente a produção, enquanto Brasil e Estados Unidos reforçaram o volume de extracção;
- As reservas de crude dos EUA subiram 5,2 milhões de barris, reacendendo temores de excesso de oferta;
- Sinais de abrandamento do mercado laboral norte-americano e o prolongado shutdown do Governo aumentam a aversão ao risco;
- As tensões geopolíticas entre Washington e Moscovo persistem, com a retirada da Gunvor da proposta de compra dos activos internacionais da Lukoil.
O petróleo encaminha-se para a segunda semana consecutiva de perdas, pressionado pela escalada da produção global e pela acumulação inesperada de reservas nos Estados Unidos, que reacendem os receios de excesso de oferta num contexto de abrandamento económico e persistente instabilidade geopolítica.
O Brent foi negociado a 63,66 dólares por barril e o West Texas Intermediate (WTI) a 59,72 dólares, com ambos a registar uma desvalorização semanal próxima de 2%, segundo dados das agências internacionais de energia.
Os relatórios mais recentes indicam que a OPEP+ decidiu aumentar ligeiramente a produção em Dezembro, após meses de restrição, numa tentativa de estabilizar o mercado. Países como o Brasil e os Estados Unidos também elevaram o nível de extracção, reforçando a pressão sobre os preços.
A situação foi agravada pela divulgação de dados da Administração de Informação Energética (EIA), que apontam para uma subida de 5,2 milhões de barris nas reservas de crude norte-americanas, surpreendendo os analistas e reacendendo os receios de sobre-oferta.
O analista Tony Sycamore, da IG Markets, sublinhou que o aumento das reservas “foi amplificado por fluxos de aversão ao risco, o fortalecimento do dólar e a persistência do encerramento parcial do Governo dos EUA, que continua a ensombrar a actividade económica”.
A conjuntura macroeconómica adversa foi reforçada por sinais de arrefecimento do mercado laboral norte-americano, o que aumentou a percepção de que a procura por energia poderá enfraquecer nos próximos meses.
No plano geopolítico, o cenário permanece tenso. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos rejeitou a concessão de licença à Gunvor Group para adquirir os activos internacionais da Lukoil PJSC, levando a empresa suíça a retirar a proposta de compra. A decisão reflecte a manutenção da política de máxima pressão de Washington sobre Moscovo, num contexto em que a Ucrânia intensifica ataques às infra-estruturas energéticas russas.
Ainda assim, os ataques e as sanções à Rússia — o segundo maior exportador mundial de crude — têm oferecido apoio temporário aos preços, mitigando parcialmente o impacto da oferta elevada.
Segundo a analista Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, “o actual suporte é frágil e a narrativa do excesso de oferta continuará a dominar o sentimento do mercado, a menos que se verifiquem cortes coordenados de produção ou interrupções significativas no fornecimento”.
A diferença entre os contratos imediatos e futuros do WTI — o chamado prompt spread — encolheu nas últimas semanas, aproximando-se dos mínimos de Fevereiro. O movimento indica enfraquecimento das expectativas de procura, num momento em que o mercado se prepara para os relatórios da Agência Internacional de Energia (AIE) e da OPEP, esperados na próxima semana, que deverão fornecer uma leitura mais precisa sobre o equilíbrio entre oferta e procura.
Na Ásia, a China, maior importador mundial de petróleo, registou aumento de 8,2% nas importações de crude em Outubro, face ao mesmo período de 2024, impulsionada pelas elevadas taxas de utilização das refinarias. No entanto, mesmo este sinal de dinamismo industrial chinês parece insuficiente para inverter o sentimento de pessimismo que domina os mercados.
À medida que 2025 se aproxima do final, o mercado petrolífero mantém-se numa posição frágil, com a oferta em alta, a procura em abrandamento e uma geopolítica volátil a condicionar qualquer hipótese de recuperação sustentada dos preços.
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