
LAM Deverá Retomar Voos para Portugal e Prevê Expansão para o Brasil e Índia, Após Ano de Reestruturação Turbulenta
- Presidente da República confirma, no Porto, que a transportadora estatal prepara o regresso à rota Maputo–Lisboa e a abertura de ligações para mercados estratégicos, numa aposta na recuperação financeira e competitividade regional.
- LAM vai retomar a rota Maputo–Lisboa e abrir ligações para o Brasil e Índia;
- Anúncio foi feito por Daniel Chapo em encontro com a diáspora no Porto;
- Reestruturação levou à suspensão da ligação Portugal–Moçambique em Fevereiro, após prejuízos acumulados de 20 milhões de euros;
- Frota está a ser reforçada e duas novas aeronaves encontram-se em negociação;
- Governo aposta na consolidação de mercados estratégicos para aumentar turismo, negócios e competitividade tarifária.
A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) prepara-se para retomar os voos para Portugal e expandir as suas operações internacionais para o Brasil e Índia, anunciou o Presidente da República, Daniel Chapo, no Porto, durante um encontro com a comunidade moçambicana à margem da VI Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique. A medida marca uma nova fase no processo de reestruturação da transportadora estatal, após um período de instabilidade operacional e financeira.
Retoma da Rota Maputo–Lisboa Marca Regresso Estratégico ao Mercado Europeu
Daniel Chapo destacou que Portugal será o primeiro destino internacional recuperado pela companhia. A ligação directa, anteriormente suspensa em Fevereiro devido ao processo de reestruturação e às dificuldades financeiras acumuladas, deverá ser relançada numa abordagem de “estabilização e consolidação” da presença da LAM em mercados estratégicos.
O Chefe do Estado sublinhou que o regresso desta ligação poderá contribuir para a redução das tarifas aéreas, actualmente pressionadas pela ausência de concorrência directa, uma vez que a rota Maputo–Lisboa é operada exclusivamente pela TAP.
Expansão para o Brasil e Índia Reforça Procura por Mercados de Alto Potencial
Após Portugal, a LAM prevê estabelecer ligações com o Brasil e, posteriormente, com a Índia, reforçando o posicionamento de Moçambique nas rotas sul–sul e abrindo novas oportunidades para turismo, comércio e investimento.
Segundo Chapo, estes destinos representam mercados de grande potencial económico e cultural, e a sua inclusão no portefólio da companhia está alinhada com a visão de uma LAM mais competitiva, rentável e com presença relevante no espaço lusófono e no corredor Índico.
Frota em Expansão e Prioridade na Consolidação Operacional
O Presidente adiantou que a transportadora está a reforçar a sua frota e encontra-se em negociações para adquirir duas novas aeronaves, numa fase que descreveu como crucial para a melhoria da capacidade operacional da empresa.
Chapo indicou que, após consolidar a retoma dos três destinos prioritários — Portugal, Brasil e Índia — a LAM entrará num período de estabilização, evitando dispersão estratégica e assegurando eficiência financeira.
No plano regional, a companhia pretende também reforçar as ligações para Joanesburgo, Harare e outras capitais da África Austral, numa tentativa de recuperar competitividade num mercado onde a concorrência de transportadoras estrangeiras tem sido significativa.
Suspensão de 2023–2024 Expôs Fragilidades Estruturais da Transportadora
A rota Maputo–Lisboa tinha sido retomada em Novembro de 2023, utilizando aeronaves da euroAtlantic no quadro da gestão pela sul-africana Fly Modern Ark, mas foi suspensa em Fevereiro de 2024 após a LAM revelar prejuízos de cerca de 20 milhões de euros associados à operação.
A suspensão destacou as fragilidades operacionais e financeiras da companhia, reforçando a urgência de uma reestruturação profunda que permita sustentabilidade a médio prazo.
Retoma e Expansão Podem Reposicionar a LAM no Cenário Regional
A estratégia anunciada representa uma tentativa de reposicionar a LAM como operador regional relevante e de restituir confiança a passageiros, investidores e mercado.
A retoma de rotas de longo curso, aliada à estabilização operacional e à disciplina financeira, poderá contribuir para um novo ciclo de crescimento, desde que acompanhada por melhorias de gestão, eficiência, rigor comercial e capacidade de inovação num sector altamente competitivo.
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