Moçambique Sobe Em Até 19% O Preço De Referência Da Castanha De Caju Para A Campanha 2025–26

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A actualização pretende alinhar o preço nacional às dinâmicas internacionais, reforçar a competitividade e garantir maior rendimento aos produtores, num momento em que o país acelera um ambicioso programa de expansão da fileira.

Questões-Chave:
  • O Governo aprovou um aumento de até 19% no preço de referência para a exportação de castanha de caju na campanha 2025–26;
  • O ajustamento responde às oscilações do mercado internacional e ao objectivo de reforçar a competitividade do produto moçambicano;
  • A campanha prevê exportações de 60 mil toneladas, das quais 45 mil já provisionadas;
  • O país está a implementar um programa de USD 374 milhões para elevar a produção anual para 689 mil toneladas até 2034;
  • A estratégia inclui reforço da assistência técnica, aumento da capacidade de processamento e maior autonomia da indústria.

As autoridades moçambicanas anunciaram uma subida de até 19% no preço de referência para a exportação da castanha de caju na campanha 2025–26, numa decisão que visa responder às dinâmicas do mercado internacional e fortalecer a competitividade do produto nacional. A medida foi comunicada na sessão do Comité do Caju realizada terça-feira, em Maputo, e envolve representantes da indústria, produtores e demais intervenientes da cadeia de valor.

Ajuste De Preços Reflecte Pressões Internacionais

A castanha de 46 libras passa a custar USD 1.250 por tonelada, correspondendo a um aumento de 19%, enquanto a castanha de 53 libras foi fixada em USD 1.440 por tonelada, uma subida de 13,5%. Segundo o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, os novos valores “seguem as dinâmicas de preços do mercado internacional”, garantindo maior alinhamento com os principais destinos da exportação.

A sessão do Comité do Caju, presidida pelo Director-Geral do Instituto do Caju de Moçambique, Ilídio Bande, contou com 40 participantes, incluindo associações industriais e representantes sindicais. A presença alargada visou reforçar consensos sobre os preços e assegurar maior previsibilidade para a campanha.

Campanha Começa A 19 De Dezembro Com 60 Mil Toneladas Previstas

Ficou igualmente decidido que a abertura oficial da campanha de exportação terá lugar a 19 de Dezembro, medida que visa garantir o abastecimento integral da indústria. Estimam-se exportações totais na ordem das 60 mil toneladas, das quais 45 mil já estão provisionadas.

Os dados oficiais revelam um desempenho robusto: a campanha 2024–25 comercializou 195.400 toneladas, aproximando-se dos níveis históricos dos anos 1970. No primeiro trimestre deste ano, as exportações de castanha geraram USD 38,7 milhões, mantendo o produto como principal exportação agrícola tradicional do país.

Programa De USD 374 Milhões Para Expandir A Fileira Até 2034

O reforço dos preços ocorre num momento em que Moçambique executa um programa nacional de desenvolvimento da cadeia de valor do caju, orçado em USD 374 milhões. O objectivo é expandir a produção anual dos actuais 158 mil para 689 mil toneladas até 2034, apostando numa transformação estrutural do sector.

O plano inclui o aumento da assistência aos produtores — de 230 mil para mais de 600 mil —, o incremento da capacidade de processamento — de 40 mil para mais de 482 mil toneladas — e a consolidação da digitalização em toda a fileira. O modelo pretende reforçar alianças entre produtores, industriais e exportadores, promovendo maior eficiência e autonomia sectorial.

Caju Como Pilar De Coesão Social E Segurança Alimentar

As autoridades destacam ainda o papel social e nutritivo da castanha de caju. Para Roberto Albino, responsável do sector citado na sessão, “a castanha de caju é um produto de coesão social e promove a segurança alimentar”. Defendeu, por isso, a sua maior inclusão em programas de alimentação escolar e nos menus dos restaurantes nacionais, sublinhando o seu potencial económico e nutricional.

Desafios E Oportunidades No Horizonte

Apesar dos progressos, o sector enfrenta desafios ligados à variabilidade climática, produtividade agrícola e competição de mercados externos. A estratégia governamental assenta na modernização da produção, no fortalecimento das unidades de processamento e na redução gradual da intervenção estatal directa, promovendo uma indústria mais autónoma e competitiva.

Com o novo preço de referência e um programa de investimentos de grande escala, Moçambique prepara-se para reposicionar a castanha de caju como um dos motores estruturantes da sua agricultura comercial. A competitividade externa, a integração industrial e a capitalização dos produtores serão determinantes para transformar este impulso em ganhos sustentáveis ao longo da próxima década.

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