
Défice Externo Agrava-Se Para USD 1,3 Mil Milhões No I Semestre De 2025 Apesar Do Forte Aumento Do IDE
Conta Corrente Aprofunda Desequilíbrio Com Pressão Nos Serviços; Petróleo E Gás Absorvem Mais De 76% Do Investimento Directo Estrangeiro Na Indústria Extractiva
- Necessidades líquidas de financiamento externo aumentaram 8,5%, para USD 1.299 milhões;
• Défice da conta corrente agravou-se 3,2%, fixando-se em USD 1.366 milhões;
• Défice da conta de serviços aumentou para USD 578 milhões, impulsionado por assistência técnica e consultoria;
• Transferências de capital recuaram 47%, reduzindo financiamento não reembolsável;
• IDE cresceu 37,5%, para USD 2.532 milhões;
• Petróleo e gás absorveram cerca de USD 1.800 milhões do IDE extractivo;
• Posição de Investimento Internacional líquida manteve-se negativa, acima de USD 71 mil milhões.
Conta Corrente Mantém Pressão Apesar De Melhoria Nos Bens
O Relatório Semestral da Balança de Pagamentos do Banco de Moçambique revela que, no I semestre de 2025, as necessidades líquidas de financiamento externo atingiram USD 1.299 milhões, representando um aumento de 8,5% face ao período homólogo . O agravamento resulta essencialmente da deterioração da conta corrente e da redução do saldo positivo das transferências de capital.
A conta corrente registou um défice de USD 1.366 milhões, mais 3,2% do que no mesmo período de 2024 . Importa notar que a pressão não decorre do comércio de bens, cujo défice reduziu para USD 263 milhões , mas sobretudo do agravamento da conta de serviços.
Serviços Tornam-Se O Principal Factor De Pressão Externa
O défice da conta de serviços aumentou para USD 578 milhões, mais USD 249 milhões do que no período homólogo . A subida reflecte maiores despesas com assistência técnica, investigação e desenvolvimento, viagens e serviços de gestão e consultoria — rubricas fortemente associadas à implementação de megaprojectos intensivos em capital e tecnologia.
Este padrão confirma uma característica estrutural da economia moçambicana: mesmo quando as exportações de bens apresentam desempenho robusto, a dependência de serviços especializados externos tende a absorver parte significativa das divisas geradas.
Transferências De Capital Recuam E Reduzem Almofada Externa
Paralelamente, as transferências de capital diminuíram 47%, fixando-se em USD 67 milhões . Esta redução implica menor financiamento não reembolsável, aumentando a necessidade de compensação via fluxos financeiros, nomeadamente investimento directo e endividamento.
IDE Acelera E Consolida Dependência Do Sector Extractivo
No lado financeiro, o semestre foi marcado por um forte aumento do Investimento Directo Estrangeiro, que totalizou USD 2.532 milhões, um crescimento de 37,5% em termos homólogos .
A indústria extractiva absorveu USD 2.361 milhões deste montante, com o subsector de petróleo e gás a concentrar cerca de USD 1.800 milhões, correspondendo a 76,2% do IDE extractivo .
Este dado evidencia dois aspectos centrais: por um lado, a capacidade do país em atrair capital para projectos estruturantes; por outro, a elevada concentração sectorial do financiamento externo, tornando o equilíbrio da balança de pagamentos sensível ao calendário e execução dos projectos de hidrocarbonetos.
Posição Externa Mantém-se Estruturalmente Devedora
No final do II trimestre de 2025, a Posição de Investimento Internacional líquida situou-se em USD 71.561,3 milhões negativos, reflectindo a diferença entre activos externos e passivos face ao resto do mundo . O aumento desta posição devedora sublinha a exposição estrutural da economia a fluxos externos e ao financiamento internacional.
O Que Revela O Retrato Do I Semestre
O I semestre de 2025 apresenta um quadro dual: por um lado, reforço expressivo do IDE e dinamismo no sector extractivo; por outro, agravamento do défice externo, pressionado por serviços e redução de transferências de capital.
A sustentabilidade externa dependerá, nos próximos trimestres, de três variáveis críticas:
- Evolução das exportações de bens, especialmente gás e minerais;
• Capacidade de substituição de serviços importados por capacidades locais;
• Continuidade do fluxo de IDE produtivo.
Num contexto global ainda volátil, a balança de pagamentos confirma que o modelo de crescimento moçambicano continua ancorado no ciclo extractivo, enquanto a diversificação produtiva e a industrialização permanecem determinantes para reduzir vulnerabilidades estruturais.
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