
Retoma Dos Megaprojectos De Gás Reforça Interesse Sul-Coreano Na Transformação Económica De Moçambique
- Ministro da Planificação e Desenvolvimento destaca, em Seul, que o regresso dos grandes investimentos em LNG e o potencial dos minerais críticos estão a abrir uma nova etapa nas relações económicas entre Moçambique e a Coreia do Sul.
- Governo considera que a retoma dos grandes projectos de gás está a atrair novo interesse do investimento sul-coreano;
- Moçambique procura posicionar-se como parceiro estratégico da Coreia do Sul nos sectores da energia e dos minerais críticos;
- País detém 9 dos 12 minerais críticos mundialmente catalogados, incluindo grafite, lítio, terras raras, tântalo, nióbio e titânio;
- Executivo pretende promover processamento local, industrialização e criação de valor acrescentado;
- Cooperação com Seul deverá abranger energia, petroquímica, fertilizantes, engenharia, logística, construção naval e tecnologias avançadas.
A retoma dos grandes projectos de gás natural em Moçambique está a abrir uma nova fase de aproximação económica entre Maputo e Seul, com o Governo moçambicano a procurar transformar o crescente interesse sul-coreano em investimento produtivo, industrialização e transferência de tecnologia.
A mensagem foi transmitida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante o Fórum de Negócios Coreia-África 2026, realizado em Seul, onde apresentou Moçambique como um dos destinos mais promissores para investimento em energia, minerais críticos e indústria associada à transição energética global.
O posicionamento surge num momento particularmente favorável. A retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, após vários anos de suspensão provocada pelos ataques terroristas em Cabo Delgado, está a ser encarada pelo Governo como um sinal de confiança internacional nas perspectivas económicas do país.
Gás Natural Assume Papel Central Na Cooperação Com A Coreia
A Coreia do Sul já possui uma presença relevante nos projectos energéticos moçambicanos.
A Korea Gas Corporation (Kogas) integra o consórcio da Área 4 da Bacia do Rovuma, participando num dos maiores empreendimentos de gás natural liquefeito do continente africano.
Para o Governo moçambicano, porém, o potencial da cooperação vai muito além da simples exportação de LNG.
Segundo Salim Valá, os projectos de gás devem ser encarados como plataformas de industrialização nacional, capazes de impulsionar infra-estruturas, gerar emprego, reforçar a segurança energética e criar novas actividades económicas associadas à cadeia de valor energética.
Neste contexto, Moçambique pretende atrair empresas sul-coreanas para sectores como petroquímica, fertilizantes, produção de energia, logística, equipamentos industriais, construção naval e serviços especializados ligados ao gás natural.
Minerais Críticos Reforçam Interesse Estratégico
Paralelamente ao gás natural, os minerais críticos estão a ganhar protagonismo crescente na estratégia económica do país.
Durante a sua intervenção no painel dedicado aos minerais críticos e energia, Salim Valá destacou que Moçambique possui nove dos doze minerais críticos actualmente catalogados a nível mundial, incluindo grafite, lítio, terras raras, tântalo, nióbio e titânio. Estes recursos são considerados fundamentais para baterias, semicondutores, energias renováveis, mobilidade eléctrica e tecnologias avançadas.
O Governo procura posicionar o país como fornecedor estratégico para as cadeias globais de abastecimento associadas à transição energética, mas com uma diferença importante relativamente ao passado.
A prioridade já não é apenas exportar matérias-primas.
A estratégia passa por promover processamento local, industrialização, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências nacionais e criação de emprego qualificado.
África E Coreia Devem Evoluir Para Uma Relação De Co-Criação De Valor
Um dos aspectos centrais da intervenção do Ministro foi a defesa de um novo modelo de relacionamento económico entre África e a Coreia do Sul.
Segundo as linhas de resposta apresentadas pelo Governo, o futuro da cooperação não deve assentar numa lógica tradicional de comprador e vendedor, mas numa abordagem baseada na co-criação de valor, industrialização, inovação, transferência de conhecimento e prosperidade partilhada.
Neste modelo, África deixa de ser apenas fornecedora de recursos naturais e a Coreia deixa de ser apenas fornecedora de tecnologia.
A cooperação passaria a incluir manufactura, investigação aplicada, inovação tecnológica, formação técnica, participação das PME locais e desenvolvimento de infra-estruturas produtivas.
Potencial Energético Coloca Moçambique Em Posição Estratégica
O discurso apresentado em Seul procurou igualmente reforçar a imagem de Moçambique como uma futura plataforma energética regional.
Segundo o Ministério da Planificação e Desenvolvimento, o país possui um potencial de geração eléctrica superior a 23 mil GW, apoiado em recursos hidroeléctricos, solares, eólicos, biomassa e reservas de gás natural de classe mundial.
Entre os projectos estruturantes destacados figuram a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, a futura Barragem de Mphanda Nkuwa e os grandes empreendimentos de LNG da Bacia do Rovuma.
Paralelamente, o Governo reafirmou o compromisso com uma transição energética justa e inclusiva, baseada não apenas em objectivos ambientais, mas também na promoção do crescimento económico, da inclusão social e do acesso universal à energia.
Coreia Surge Como Parceiro Para A Próxima Fase De Transformação Económica
A aposta em aprofundar as relações económicas com a Coreia do Sul reflecte igualmente o reconhecimento do percurso de desenvolvimento daquele país.
Salim Valá destacou a transformação da Coreia de uma economia predominantemente agrícola para uma potência industrial e tecnológica global como uma fonte de inspiração para Moçambique.
Para o Executivo moçambicano, áreas como engenharia pesada, indústria transformadora, inovação tecnológica, construção naval, infra-estruturas, energia e formação técnico-profissional constituem domínios prioritários para aprofundar a cooperação bilateral.
A mensagem transmitida aos investidores foi clara: a melhoria das condições de segurança, a retoma dos grandes projectos energéticos, o potencial dos minerais críticos e as reformas em curso criam condições favoráveis para uma nova vaga de investimento produtivo.
Mais do que captar capital, Moçambique procura agora transformar os seus recursos naturais em plataformas de industrialização, diversificação económica e integração nas cadeias globais de valor da energia e da transição energética.








