Dólar Mantém Máximos De Dois Meses Com Apostas De Subida De Juros; Yen Volta A Derrapar

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  • Moeda norte-americana sustenta ganhos após decisão mais restritiva da Reserva Federal, enquanto acordo EUA-Irão alivia preços do petróleo e melhora o apetite pelo risco

Questões-Chave

  • Dólar manteve-se próximo de máximos de mais de dois meses, apoiado por expectativas de novo aperto monetário nos Estados Unidos.
  • Reserva Federal manteve juros inalterados entre 3,50% e 3,75%, mas quase metade dos decisores já admite uma subida ainda este ano.
  • Mercado passou a atribuir 85% de probabilidade a uma subida de juros em Dezembro, segundo o CME FedWatch.
  • Acordo interino entre Estados Unidos e Irão reduziu a pressão sobre o petróleo e apoiou moedas sensíveis ao risco.
  • Yen voltou a enfraquecer para níveis próximos de 160 por dólar, reacendendo alertas de possível intervenção das autoridades japonesas.

O dólar norte-americano manteve-se, esta quinta-feira, 18 de Junho, próximo de máximos de mais de dois meses, sustentado pela leitura restritiva da mais recente decisão da Reserva Federal dos Estados Unidos, que reforçou as apostas dos investidores numa possível subida de juros ainda este ano.

Segundo a Reuters, a Fed manteve a taxa directora no intervalo entre 3,50% e 3,75%, mas o tom da comunicação monetária, já sob a liderança de Kevin Warsh, foi suficiente para reposicionar as expectativas do mercado. Quase metade dos membros do banco central norte-americano passou a projectar uma subida de juros em 2026, reflectindo preocupações acrescidas com a persistência das pressões inflacionistas.

A reacção dos investidores foi imediata. Os contratos de futuros sobre os Fed funds passaram a incorporar uma probabilidade de 85% de subida de juros em Dezembro, de acordo com o CME FedWatch. A divulgação de dados robustos das vendas a retalho nos Estados Unidos reforçou ainda mais a percepção de que a economia norte-americana continua suficientemente resiliente para acomodar uma política monetária mais apertada.

Fed Dá Novo Fôlego Ao Dólar

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de divisas que inclui o euro e o yen, manteve-se praticamente estável em torno de 100,24 pontos, depois de ter avançado 0,85% na sessão anterior. Esse movimento levou o índice ao nível mais elevado desde 31 de Março e representou a maior subida diária em mais de três meses.

A valorização reflecte a combinação de dois factores: por um lado, a percepção de que a Fed poderá manter uma postura mais dura do que o esperado; por outro, a leitura de que os Estados Unidos continuam a oferecer retornos relativamente mais atractivos num contexto de incerteza global.

O euro negociava ligeiramente em alta, em torno de 1,1518 dólares, depois de ter tocado mínimos de dois meses, enquanto a libra esterlina recuperava para 1,3313 dólares. Ainda assim, o movimento das principais moedas europeias permaneceu limitado pela força relativa do dólar e pela cautela antes de novas decisões de política monetária.

Acordo EUA-Irão Alivia Petróleo, Mas Não Retira Força Ao Dólar

A pressão sobre o dólar foi parcialmente atenuada pela descida dos preços do petróleo, depois de Estados Unidos e Irão terem assinado um acordo interino destinado a pôr fim à guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e suspender sanções norte-americanas sobre o petróleo iraniano.

A possibilidade de normalização da passagem pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais sensíveis do mundo, contribuiu para melhorar o sentimento nos mercados e apoiar activos de maior risco. O dólar australiano, tradicionalmente sensível ao apetite global por risco, avançou 0,3%, para 0,70365 dólares, enquanto o dólar neozelandês subiu quase 0,5%, para 0,5794 dólares.

Ainda assim, os analistas citados pela Reuters consideram que a força do dólar poderá persistir enquanto não houver confirmação plena de que a navegação no Estreito de Ormuz será restabelecida de forma segura e livre. A incerteza geopolítica, combinada com a inclinação mais restritiva da Fed, continua a favorecer a moeda norte-americana.

Yen Volta A Ficar Sob Pressão

No Japão, o yen voltou a enfraquecer de forma acentuada, atingindo 160,760 por dólar, o nível mais baixo desde 2024. O movimento anulou os ganhos obtidos após a intervenção cambial de Tóquio em 30 de Abril e voltou a colocar as autoridades japonesas sob pressão.

A queda renovada da moeda japonesa levou o Governo a repetir os seus avisos ao mercado. O Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que as autoridades estão preparadas para responder de forma apropriada aos movimentos cambiais, sempre que necessário.

A fragilidade do yen reflecte o diferencial persistente entre as taxas de juro dos Estados Unidos e do Japão. Enquanto a Fed sinaliza uma postura mais restritiva, o Banco do Japão continua condicionado por uma normalização monetária gradual, o que torna a moeda japonesa particularmente vulnerável em períodos de fortalecimento do dólar.

Banco De Inglaterra Deve Manter Juros Inalterados

Na Europa, as atenções voltam-se agora para o Banco de Inglaterra, que deverá manter a taxa directora inalterada em 3,75%. A decisão será acompanhada de perto pelos investidores, sobretudo pela forma como o banco central britânico avaliará os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irão sobre a inflação, em particular através dos preços da energia.

A descida do petróleo pode aliviar parte das pressões inflacionistas importadas, mas os bancos centrais continuam confrontados com um equilíbrio delicado: evitar um aperto excessivo que penalize a actividade económica, sem declarar vitória prematura sobre a inflação.

Para os mercados cambiais, a mensagem permanece clara. Enquanto a Fed continuar a sinalizar preocupação com a inflação e a possibilidade de novas subidas de juros, o dólar poderá manter vantagem sobre as principais moedas internacionais, mesmo num ambiente de maior optimismo geopolítico e de recuperação do apetite por risco.