Restrições Às Exportações Podem Acrescentar 21,4 Milhões De Pessoas À Fome

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  • O comércio mundial de produtos alimentares e agrícolas atingiu cerca de US$2 biliões, mas a crescente integração também acelera a transmissão de secas, conflitos e choques energéticos. O relatório SOCO 2026 conclui que mercados abertos, fornecedores diversificados, reservas de emergência e protecção social reduzem os efeitos das crises, enquanto respostas comerciais isoladas amplificam preços e insegurança alimentar.
Questões-Chave:
  • O valor do comércio mundial de produtos alimentares e agrícolas aumentou cinco vezes desde 2000, para aproximadamente US$2 biliões;
  • Durante a pandemia, restrições mais curtas e menos abrangentes afectaram 8% das calorias comercializadas mundialmente, contra 16% na crise alimentar de 2007–2008;
  • Uma simulação de um choque severo de El Niño indica que restrições às exportações poderiam acrescentar 21,4 milhões de pessoas ao número inicialmente empurrado para a fome;
  • Medidas comerciais adoptadas durante a crise de 2007–2008 explicaram cerca de 45% do aumento do preço mundial do arroz e 30% da subida do trigo;
  • Os fluxos comerciais tendem a recuperar num período próximo de seis meses, mas os aumentos dos preços podem persistir por mais tempo;
  • A FAO recomenda fornecedores diversificados, mercados transparentes, pequenas reservas de emergência e redes de protecção social direccionadas às populações vulneráveis.

Comércio Agrícola Cresce, Mas Choques Tornam-Se Mais Frequentes

O comércio internacional tornou-se uma componente central da segurança alimentar mundial, permitindo que produtos agrícolas sejam transferidos das regiões com excedentes para países e mercados confrontados com insuficiência de produção.

O valor das trocas internacionais de alimentos e produtos agrícolas aumentou cinco vezes desde 2000, atingindo aproximadamente US$2 biliões. Em termos de volume, o comércio mais do que duplicou entre 2000 e 2024, impulsionado pela redução dos custos comerciais, pelo aumento da especialização produtiva e pela criação de novas relações entre países.

Contudo, esta integração ocorre num ambiente caracterizado por secas, cheias, ciclones, conflitos, pandemias, crises financeiras, doenças animais e vegetais, instabilidade cambial e aumentos dos preços da energia e dos fertilizantes.

Na edição de 2026 de The State of Agricultural Commodity Markets, designada SOCO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, analisa a forma como estes choques se propagam através das redes comerciais e identifica políticas capazes de reduzir os seus efeitos sobre os preços, a disponibilidade de alimentos e a fome.

O relatório conclui que a resiliência não depende apenas da quantidade de alimentos existente no mundo. Depende igualmente da capacidade dos países para manterem o comércio funcional, ajustarem rapidamente as fontes de abastecimento e evitarem políticas que retirem simultaneamente produtos do mercado internacional.

Rede Mundial Torna-Se Mais Densa E Menos Centralizada

Em 2023, cerca de 60% de todas as ligações comerciais bilaterais possíveis entre países eram utilizadas para transaccionar produtos alimentares e agrícolas, acima dos 47% registados em 2000.

O gráfico da página 13 do relatório mostra que a rede mundial se tornou menos centralizada entre 1995 e 2020. Países emergentes, entre os quais Brasil e China, ganharam peso, enquanto novos centros regionais passaram a ligar economias menores aos grandes mercados internacionais.

A África do Sul aparece no mapa de 2020 entre os países africanos com maior conectividade, evidenciando a sua função como centro comercial e logístico para várias economias da região.

Esta expansão oferece uma vantagem importante: quando um fornecedor enfrenta uma quebra de produção, o importador pode procurar alimentos noutros mercados.

Mas a conectividade também permite que um choque ocorrido num grande produtor seja rapidamente transmitido a diversos países através dos preços, dos custos de transporte, das taxas de câmbio e das decisões comerciais.

A mesma rede pode, portanto, funcionar como amortecedor de choques localizados ou como canal de transmissão de crises sistémicas.

Comércio Absorve Choques Quando Existem Alternativas

Segundo a FAO, os países ligados a vários fornecedores tendem a ser mais resistentes às perturbações do que aqueles que dependem de apenas um ou dois exportadores.

Quando uma seca, conflito ou doença reduz a produção num determinado mercado, a diversificação permite substituir parte do fornecimento afectado. A disponibilidade de rotas alternativas também reduz a probabilidade de uma interrupção localizada se transformar imediatamente numa crise alimentar nacional.

O relatório considera que esta capacidade depende não apenas do número de parceiros, mas também do volume que cada ligação comercial consegue transportar.

Uma relação comercial formal com vários países oferece pouca protecção quando apenas um fornecedor responde pela quase totalidade das importações. A diversificação precisa, por isso, de ser economicamente efectiva, abrangendo contratos, logística, capacidade portuária, financiamento e informação sobre mercados.

A análise da FAO mostra ainda que a ligação a grandes exportadores ou centros comerciais pode ajudar um país afectado por um choque doméstico a aumentar rapidamente as suas importações.

Restrições Às Exportações Transferem Instabilidade

Perante aumentos dos preços internacionais, governos de países produtores tendem a restringir exportações para assegurar maior disponibilidade interna e conter o custo dos alimentos.

Estas medidas podem oferecer algum alívio no curto prazo ao mercado que as adopta, mas retiram produtos do comércio mundial e transferem parte da escassez para outros países.

Quando vários exportadores actuam simultaneamente, o resultado é um efeito multiplicador: a oferta mundial disponível diminui, os compradores competem por volumes menores e os preços aumentam ainda mais.

Ao mesmo tempo, os países importadores podem reduzir tarifas, conceder subsídios ou facilitar compras externas para proteger os seus consumidores. Embora estas medidas aumentem a disponibilidade doméstica, também elevam a procura mundial num momento em que a oferta está a ser comprimida.

A combinação entre menor oferta de exportação e procura importadora mais rígida reduz a capacidade do mercado para repartir o choque entre vários participantes.

“Todos os países podem beneficiar de uma cooperação internacional mais forte, de redes comerciais integradas e funcionais e de maior confiança no sistema multilateral de comércio”, escreve o director-geral da FAO, Qu Dongyu, no relatório. Em sentido contrário, acrescenta, a fragmentação e a incerteza prejudicam sobretudo os países mais pobres.

Proteccionismo Explicou Parte Substancial Da Crise De 2007–2008

A FAO estima que as alterações nas políticas comerciais adoptadas durante a crise alimentar mundial de 2007–2008 explicaram aproximadamente 45% do aumento do preço internacional do arroz.

No mercado do trigo, as mudanças nas medidas de protecção fronteiriça terão respondido por cerca de 30% da subida mundial.

Estes resultados mostram que uma parte considerável do agravamento dos preços não resultou directamente da quebra inicial da oferta. Foi produzida pelas respostas utilizadas pelos governos para proteger os respectivos mercados nacionais.

A crise também ocorreu num contexto de stocks reduzidos, aumento dos preços da energia, crescimento da procura, utilização de produtos agrícolas para biocombustíveis e preocupação quanto à disponibilidade mundial de cereais.

As restrições comerciais transformaram esses factores num choque mais amplo, ao reduzirem a quantidade de alimentos acessível aos países dependentes de importações.

O gráfico da página 20 mostra aumentos acentuados do número de ligações comerciais afectadas por medidas restritivas durante a crise de 2007–2008, o período de volatilidade entre 2010 e 2012, a pandemia e o início da guerra na Ucrânia.

El Niño Pode Empurrar Mais 21,4 Milhões Para A Fome

Uma das conclusões mais relevantes do SOCO 2026 resulta de uma simulação sobre os efeitos de uma fase quente e intensa de El Niño capaz de afectar simultaneamente a produção agrícola em vários países.

No cenário inicial, as perdas de produção elevam os preços e aumentam o número de pessoas expostas à fome.

Quando são acrescentadas restrições às exportações, outras 21,4 milhões de pessoas são empurradas para a fome, além das inicialmente afectadas pelo choque climático.

A diferença decorre da redução adicional dos alimentos disponíveis no mercado internacional. Países de baixo rendimento, importadores líquidos de alimentos e com reservas cambiais limitadas enfrentam maior dificuldade para substituir fornecedores ou absorver o aumento da factura externa.

A simulação assume particular relevância em 2026. A FAO e o Programa Alimentar Mundial alertaram para a possibilidade de condições fortes de El Niño intensificarem secas e cheias em África, Ásia, Pacífico e América Latina até 2027. 

O Banco Mundial também indicou, em Junho, que os preços mundiais dos fertilizantes aumentaram 35% nos primeiros cinco meses de 2026, comparativamente ao período homólogo, enquanto a produção de trigo, milho e arroz poderá recuar face aos níveis recorde de 2025.

Pandemia Mostrou Que Coordenação Pode Reduzir Danos

A resposta comercial durante a pandemia oferece uma comparação importante.

Entre 2007 e 2008, as restrições afectaram aproximadamente 16% das calorias comercializadas internacionalmente. Durante a pandemia, medidas menos numerosas e de menor duração limitaram essa proporção a 8%.

A FAO associa a diferença à maior coordenação internacional, à divulgação de informação sobre a disponibilidade mundial e ao esforço para evitar que os países repetissem as medidas adoptadas durante a crise anterior.

Embora tenham ocorrido perturbações logísticas e comerciais nos primeiros meses de 2020, o comércio mundial de alimentos recuperou mais rapidamente do que muitos sectores económicos.

A experiência mostra que a confiança sobre a continuidade dos fornecimentos pode impedir compras excessivas, retenção de stocks e decisões defensivas que amplificam a percepção de escassez.

Informação actualizada sobre produção, inventários, exportações, preços e políticas torna-se, neste contexto, uma infra-estrutura de segurança alimentar.

Fluxos Recuperam Em Seis Meses, Mas Preços Mantêm Cicatrizes

A investigação econométrica apresentada pela FAO indica que um choque meteorológico num país exportador provoca uma contracção inicial das vendas externas.

Em média, os fluxos comerciais começam a recuperar três ou quatro meses depois e aproximam-se dos níveis anteriores num período próximo de seis meses.

O milho tende a registar a maior queda imediata, reflectindo a sua utilização simultânea na alimentação humana, produção de rações e biocombustíveis.

A recuperação dos volumes, contudo, não significa que os preços regressem igualmente ao ponto de partida.

A produção agrícola obedece a ciclos biológicos. Um agricultor não consegue aumentar instantaneamente a oferta quando os preços sobem. É necessário preparar a terra, obter sementes e fertilizantes, plantar, esperar pelo ciclo da cultura e transportar a produção.

Por isso, aumentos bruscos podem persistir durante mais de um ano. A FAO observa ainda uma assimetria: os movimentos ascendentes provocados por choques não são normalmente compensados por quedas de intensidade semelhante.

O gráfico histórico da página 22 mostra episódios de fortes aumentos do preço real do trigo associados às guerras mundiais, à crise de 1973–1974, à crise alimentar de 2007–2008, à pandemia e ao início da guerra na Ucrânia.

Arroz Apresenta Menor Capacidade De Absorção

Os mercados de trigo, milho e arroz não respondem da mesma forma às perturbações.

Em 2024, aproximadamente 25% da produção mundial de trigo era comercializada internacionalmente, contra apenas 10% da produção de arroz.

A menor intensidade comercial do arroz significa que uma parcela reduzida da produção está disponível para compensar quebras ocorridas noutros países. Quando um grande exportador enfrenta dificuldades ou limita as vendas, o mercado dispõe de menor capacidade para encontrar rapidamente volumes alternativos.

A FAO conclui que os mercados de trigo tendem a normalizar-se mais rapidamente, enquanto as perturbações no arroz duram mais e provocam movimentos de preços de maior dimensão.

Esta diferença é relevante para países em que o arroz possui peso significativo na alimentação urbana e na factura de importação.

Cereais Continuam No Centro Da Segurança Alimentar

Trigo, milho, arroz e produtos derivados asseguram cerca de 40% das calorias disponíveis mundialmente.

Nos países em desenvolvimento importadores líquidos de alimentos, essa proporção sobe para aproximadamente 45%.

Entre 2022 e 2024, os cereais e respectivas preparações representaram 14,4% do valor total das exportações mundiais de produtos alimentares e agrícolas.

O mapa da página 15 mostra uma elevada dependência das importações de cereais em várias economias de África, Ásia Ocidental e América Central.

Nestes países, um aumento dos preços internacionais afecta simultaneamente o custo de vida das famílias, a factura de importações, as reservas cambiais e a capacidade do Estado para financiar programas sociais.

Entre 2019 e 2024, a prevalência da insegurança alimentar severa aumentou 3,5 pontos percentuais nos países de baixo rendimento com as taxas mais elevadas de inflação alimentar, segundo a FAO.

Quando os preços dos alimentos básicos aumentam, os agregados familiares de baixo rendimento tendem a reduzir quantidades, substituir alimentos nutritivos por opções mais baratas ou cortar outras despesas essenciais.

Desastres Eliminam US$99 Mil Milhões Por Ano

Os choques não começam apenas nas fronteiras ou nos mercados financeiros. Muitos têm origem directa na produção.

Entre 1991 e 2023, desastres hidrometeorológicos, geofísicos, biológicos e ambientais provocaram perdas agrícolas estimadas em US$3,26 biliões.

O valor corresponde a uma média anual de US$99 mil milhões e a uma perda equivalente a 320 quilocalorias por pessoa, por dia, à escala mundial. Os cereais foram os produtos mais afectados, seguidos pelas frutas e hortícolas.

A FAO estima que cerca de um terço da variação dos rendimentos mundiais do trigo, milho e arroz pode ser explicado pelas condições meteorológicas. Em algumas grandes zonas produtoras, a proporção supera 60%.

Um estudo citado no relatório concluiu que um choque de seca numa grande economia pode aumentar as suas importações agrícolas em 70% e reduzir as exportações em 48%.

A resiliência exige, portanto, tanto capacidade produtiva interna como acesso a mercados externos capazes de compensar as perdas.

Grandes Stocks Públicos Podem Tornar-Se Insustentáveis

A FAO reconhece que as reservas alimentares são uma componente importante da preparação para crises.

Contudo, a manutenção de grandes stocks destinados a controlar continuamente os preços internos pode gerar custos elevados de aquisição, armazenagem, segurança, rotação e conservação.

Quando mal geridas, estas reservas também podem provocar desperdício, distorções de preços, decisões discricionárias e concorrência desigual com os operadores privados.

O relatório recomenda reservas de emergência de menor dimensão, articuladas com redes de protecção social direccionadas às famílias vulneráveis.

A função destas reservas não seria substituir permanentemente o mercado, mas assegurar uma resposta rápida durante cheias, secas, conflitos, interrupções logísticas ou aumentos excepcionais dos preços.

A intervenção deve ser acompanhada por critérios claros sobre aquisição, libertação, rotação, beneficiários e reposição dos produtos.

Moçambique Combina Choques Internos E Externos

Para Moçambique, as conclusões da FAO têm implicações directas.

A produção nacional continua fortemente dependente da chuva, uma vez que apenas uma pequena parcela das terras agrícolas dispõe de irrigação. A agricultura está, por isso, exposta a secas, ciclones e cheias capazes de afectar simultaneamente a produção, as estradas, os mercados e o rendimento das famílias. 

No início de 2026, cheias severas atingiram algumas das zonas produtivas de Gaza e Maputo, destruindo culturas e activos utilizados pelas famílias rurais para sustentar a produção e a segurança alimentar. 

No Norte, a insegurança continua a impedir famílias deslocadas de cultivar e desenvolver actividades geradoras de rendimento. A FAO estimava que 2,67 milhões de pessoas enfrentariam níveis agudos de insegurança alimentar entre Outubro de 2025 e Março de 2026. 

Esta combinação significa que Moçambique pode sofrer uma quebra interna de produção ao mesmo tempo que enfrenta preços internacionais mais elevados, restrições de fornecedores, aumento dos combustíveis e encarecimento dos fertilizantes.

A resiliência alimentar nacional não pode, por isso, assentar exclusivamente na produção interna nem depender sem limites das importações.

Diversificação Deve Abranger Produtos, Fornecedores E Rotas

Numa leitura do O.Económico, a principal orientação do relatório para Moçambique consiste na construção de uma estratégia de diversificação em várias dimensões.

A primeira é produtiva. O País precisa de aumentar a produtividade, irrigação, armazenamento, processamento e resistência climática das cadeias agrícolas nacionais.

A segunda é comercial. Produtos essenciais não devem depender excessivamente de um único fornecedor, corredor logístico ou porto de origem.

A terceira é regional. A integração com os mercados da SADC pode facilitar o acesso a excedentes produzidos em países vizinhos, especialmente quando uma crise afecta apenas parte da região.

A quarta é financeira. Importadores e instituições públicas precisam de mecanismos cambiais, crédito comercial e instrumentos de gestão de risco que permitam manter compras durante períodos de volatilidade.

A quinta é informacional. Sistemas que acompanhem produção, preços, stocks, fronteiras, importações e previsões meteorológicas podem antecipar escassez e reduzir respostas tardias.

Produção Nacional E Comércio Não São Estratégias Opostas

O relatório da FAO não defende que os países abandonem a produção doméstica e dependam integralmente das importações.

Também não recomenda o isolamento comercial como caminho para a segurança alimentar.

A proposta é combinar produção nacional competitiva, comércio diversificado, infra-estruturas, reservas de emergência e protecção social.

A produção doméstica reduz a exposição a determinados choques externos e cria rendimento no meio rural. O comércio permite compensar perdas internas, aumentar a diversidade alimentar e adquirir produtos que outros países conseguem produzir com maior eficiência.

Em Moçambique, esta abordagem pode significar a promoção de culturas com potencial competitivo, simultaneamente à redução gradual da dependência externa em cadeias onde existam condições reais para substituir importações.

A FAO tem apoiado o País na formulação de medidas para aumentar a produção interna de soja e girassol, desenvolver a indústria de óleos alimentares e reduzir a dependência de importações, sem abandonar a integração comercial. 

Segurança Alimentar Exige Decisões Antes Da Crise

Os choques agrícolas não podem ser eliminados, mas os seus efeitos podem ser reduzidos.

Países com fornecedores diversificados, mercados integrados, informação transparente, reservas de emergência e redes de protecção social conseguem responder mais rapidamente do que aqueles que adoptam medidas apenas depois do aumento dos preços.

A principal conclusão do SOCO 2026 é que as políticas nacionais de protecção podem produzir custos globais que regressam ao próprio país através de preços mais altos, menor disponibilidade e maior instabilidade.

A segurança alimentar depende, por isso, de uma arquitectura que articule produção, comércio, logística, política cambial, armazenamento e apoio às famílias vulneráveis.

O comércio mundial já demonstrou capacidade para recuperar de secas, conflitos e pandemias num período relativamente curto. Preservar essa capacidade exige evitar que decisões isoladas transformem choques temporários em crises alimentares prolongadas.